A Izilda Pegado ainda me faz mudar de opinião

Os movimentos que lutaram contra o aborto já estão em campo, o que é uma péssima notícia para quem, estando contra, não vê nesta questão uma cruzada contra seja quem for. Com a discussão tento perceber e dar a perceber.

 

Mas a discussão vai no adro, e o Bispo D. Jorge Ortiga foi taxativo: "determinadas concepções de igualdade pretendem sublinhar a diferença natural entre o homem e a mulher como irrelevante e propõem a uniformidade de todos os indivíduos como se fossem sexualmente indeferenciados, com a consequência inevitável de considerar os comportamentos e orientações sexuais equivalentes."

 

Aqui, o Bispo coloca a tónica na diferença entre relações homossexuais e heterossexuais e deduz-se que as segundas são naturais e as primeiras não. Julgo que esta discussão está ultrapassada, as relações são as que cada um pode ter e não há mais nada a fazer do que aceitar as preferências dos outros.

 

Entretanto, foi criada a Plataforma Cidadania e Casamento, que já ouviu vários constitucionalistas e que vai lutar pelo referendo, que visa impedir a aprovação do casamento entre homosexuais.

 

Izilda Pegado diz que a Plataforma "não é contra a homossexualidade mas contra o casamento entre eles" e que a seguir vem "a adopção por casais do mesmo sexo".

 

O MEP – Movimento Esperança Portugal tambem vai tomar posição contra.

 

O Presidente da ILGA diz que "o referendo não faz sentido nenhum, não é mais que uma táctica para atrasar o casamento e atrasar a igualdade e que esta questão "não poderá ser referendada já que se trata de uma maioria a decidir sobre os direitos de uma minoria" o que em democracia é uma afirmação assaz estranha, já que a decisão da maioria é um princípio basilar democrático.

 

Mas aqui no Aventar todos temos direito às nossas razões e aqui ficam argumentos de um lado e outro para melhor discutirmos.

 

Sem preconceitos de nenhum dos lados, claro está! 

Comments

  1. Francisco Leite Monteiro says:

    Sem preconceitos, evidentemente, mas racionalmente jamais contrariando a natureza, sem pôr todavia em causa a opção sexual que um qualquer cidadão pode tomar, continuo a admitir que é possível existir entre duas pessoas de sexo feminino ou de sexo masculino, um acordo ou contrato, nos moldes das chamadas “uniões de facto”, porventura mais bem regulamentado, mas sem nunca “rotular” de casamento, como já tantas vezes escrevi. E, rematando, que fique claro que o casamento só é admissível e possível entre duas pessoas de sexo diferente.   


  2. Tão certo e seguro, tão assertivo. E sem preconceitos. É tudo uma questão de “rótulo”. Claro. Frederico Castro e Lemos


  3. Frederico, não sei se percebeu que eu estou a defender as ideias da Izilda Pegado. Mas não gosto dela. É demasiado bem comportada para o meu gosto.


  4. Luís Moreira, Percebi e apreciei o seu post. Achei-o de muito bom tom, se me permite a expressão, e só não concordei com a questão dos direitos das minorias, que me pareceu descontextualizada das palavras do Paulo Corte-Real. Contudo, o meu comentário referia-se ao de Francisco Leite Monteiro e, sobretudo, ao que me pareceu o tom arrogantemente dogmático – por não permitir discussão, “a coisa é assim porque sim e não admito de outra forma” – da sua última frase.   Pareceu-me que foi este quem não entendeu as palavras moderadas e sensatas do Luís Moreira. Entretanto, pessoalmente, não gosto nem concordo com a Isilda Pegado. Cumprimentos, Frederico


  5. Peço desculpa pelo “bold” no texto acima. Azelhice minha 🙁

  6. O Gomes says:

    Claro, Francisco Lemos, não é verdade que os gays estão tão certos das suas razões?! ou será que têm dúvidas em relação ao que reclamam? Se de facto são tão seguros nos seus argumentos, porque razão os argumentos contrários têm que transportar sempre o estigma do prconceito? Será difícil de perceber que são 2 lados antagónicos em que cada um reclama a razão de acordo com as suas convicções, valores ou até a falta deles,quem sabe, mas sempre na perspectiva dos 2 lados! PRECONCEITO É: Chamar a uns argumentos – Direitos ! e a outros – Preconceitos! O Gomes

  7. O Gomes says:

    Peço desculpa ao Frederico e ao Francisco por ter misturado os nomes, mas o meu comentário é para o Frederico e à resposta que deu ao Francisco.  O Gomes


  8. Caro O Gomes, O nome é Frederico e não Francisco (mas já me chamaram nomes mto piores, acredite:). É claro q são 2 lados antagónicos. Onde está a dúvida? A questão é que o Luís Moreira escreve um post em q abre o assunto à discussão – repito, discussão – e logo o primeiro comentário termina com um “não admito”. A discussão implica troca de argumentos e razões. Que se aceitam, ou não, como válidas. Qdo uma das partes chega ao “não admito”, quer-me parecer q a didiscussão acaba aí. Não lhe parece? Foi relativamente a isto q me expressei com alguma ironia. Plos vistos demasiada, já q nem o Luís Moreira nem o O Gomes me perceberam. Culpa minha, portanto.

  9. O Gomes says:

    O que a Izilda Pegado diz relativamente à adopção é absolutamente verdade, porque a grande questão é mesmo chegar ao casamento, porque uma vez aí chegado até com base na legitimidade constitucional( Que o constitucionalista Jorge Miranda, refuta e do meu ponto de vista,bem!) deixa de poder haver argumentos para contariar a pretensão de adoptar, uma vez que perante uma situação igual, ninguém vai depois reconhecer que afinal há diferenças que obstaculizam a dita pretensão, até porque tal como dizem os bispos, o que se tem estado a fazer até ao momento é anular as diferenças que são óbvias, logo não é lógico pensar que depois se vão denunciar as subjectivas. Por isso quando vejo muitos (políticos, sociólogos, jornalistas,etc)  dos que agora são a favor do casamento, dizerem que não são favoráveis à adopção, não posso deixar de observar o cinismo com que o fazem, já que sabem muito bem de antemão que uma coisa decorre naturalmente da outra. O Gomes


  10. Tem toda a razão, é óbvio que se trata de uma estratégia que só parará quando não houver diferença nenhuma. E eu julgava que os gays tinham orgulho na sua condição de gays.