O Exame Final Nacional de Português do 12º Ano

O Exame Final Nacional de Português do 12º Ano (Versão 1) começa com a análise do único poema da Mensagem ao qual o autor, Fernando Pessoa, não atribuiu um título. Este poema aparece na TERCEIRA PARTE do Livro, no capítulo sob o nome de O ENCOBERTO e sob a designação II – OS AVISOS, a qual sucede a I – OS SÍMBOLOS e precede III – OS TEMPOS.

Nesta segunda secção (Os Avisos) da TERCEIRA PARTE, estão três poemas, ou seja, três AVISOS:

  • PRIMEIRO: O Bandarra
  • SEGUNDO: António Vieira
  • TERCEIRO: Sem Título (Screvo o meu livro à beira-mágoa) [O título encoberto deste poema é “Fernando Pessoa”, ele próprio Aviso e discípulo de António Vieira e de Bandarra]

O que se segue é uma breve análise dos critérios de correcção/classificação propostos pelo IAVE – Instituto de Avaliação Educativa, I.P., demonstrando que esses critérios estão, pelo menos parcialmente, errados.

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O exame de português

Com que então o exame de português não será anulado. Acho vergonhoso que se ignore a possibilidade de alguns alunos saírem beneficiados com a fuga de informação. É certo que para a maioria dos alunos haveria a injustiça de ter que repetir a prova. Mas a alternativa é grotesca. 

O professor que denunciou o caso soube da fuga de informação no sábado anterior à realização da prova. Aparentemente, só denunciou o caso ao Ministério da Educação depois de ver a prova. O IAVE deveria ter agido de imediato. No entanto, o Ministro da Educação afirma que a hipótese de anulação do exame nem terá sido equacionada!  E que, “se alguém saiu beneficiado, sofrerá as consequências previstas no regulamento”. O ministro não tem os pés na terra. Como é que ele acha que vai saber quem terá tido acesso à mensagem que circulou por WhatsApp? Enfim. 

Jornal de Notícias e AO90 prejudicam alunos nos exames nacionais

wp_20150206_08_53_59_pro (1)Esta semana, o destaque do Jornal de Notícias de 6 de Fevereiro foi aquele que se pode ver na imagem.

O JN é um dos jornais que, sem que se perceba porquê, decidiram adoptar o chamado acordo ortográfico (AO90).

Ora, o acento agudo de “pára”, segundo a Base IX, 9º, é para suprimir. No 5.4.1. da Nota Explicativa, os autores do AO90 tentam explicar por que motivo se tomou essa decisão, recorrendo, em parte, ao segundo mantra do acordismo.

A manchete do JN, dotada, eventualmente, de uma vontade própria, contraria, assim, a ortografia adoptada pelo prestigiado jornal. Embora defenda, no mínimo, a suspensão imediata do AO90, percebo que isso tenha de se fazer gradualmente: hoje, a manchete; a notícia local, amanhã. [Read more…]

Ainda o erro do exame de Português de 12º

A propósito do erro no recente exame de 12º de Português, aqui ficam a sequência dos factos e algumas observações.

1 – no Grupo II, pedia-se aos alunos que classificassem o acto ilocutório presente em “Como um dia veremos.” A citação corresponde ao último período de um texto de Lídia Jorge sobre Eça de Queirós publicado na revista Camões. Na versão online, faltam os dois períodos finais: “O que não parece vir a propósito, embora venha. Como um dia veremos.”

2 – a primeira versão dos critérios de classificação do exame impunha que os professores classificadores aceitassem apenas a resposta “Acto ilocutório compromissivo”. Só nesse caso, os alunos poderiam ser contemplados com o meio valor previsto, o que, parecendo ínfimo, pode ser decisivo em diversas circunstâncias.

3 – vários professores, no entanto, afirmaram que se trataria de um acto ilocutório assertivo, o que deveria obrigar, no mínimo, a aceitar as duas respostas. Os interessados em distinguir os dois actos ilocutórios poderão, facilmente, obter a informação necessária. Se estiverem interessados na fonte oficial, poderão visitar a página do dicionário terminológico, escolher o separador “Procurar” e escrever “acto ilocutório”.

4 – o IAVE (Instituto de Avaliação Educacional), num primeiro momento, negou a existência de um erro, dando instruções para que os professores classificadores aceitassem apenas a resposta prevista nos critérios.

5 – as opiniões dividiram-se o suficiente para que o IAVE acabasse por reconhecer a existência de um problema, passando a permitir que ambas as respostas fossem consideradas correctas.

Passemos às observações: [Read more…]

Um Governo swap

Santana Castilho*

1. O fim da greve dos professores, primeiro, e a demissão de Gaspar, depois, atiraram para o limbo do quase esquecimento o escândalo do exame de Português do 12º ano. Mas a consciência obriga-me a retomar o tema, no dia (escrevo a 2 de Julho) em que se branqueia a iniquidade. Que teria feito a Inspecção, que aparecia sempre e este ano sumiu, se verificasse que se efectuaram exames sem o funcionamento regulado dos respectivos secretariados? Que houve vigilantes desconhecedores das normas básicas, socorridos no acto … pelos próprios examinandos? Que se realizaram exames sem a presença de professores coadjuvantes? Que professores de Português vigiaram exames? Que não foi garantida a inexistência de parentesco entre examinados e vigilantes? Que não houve um critério uniforme para determinar quem fez e quem não fez o exame a 17 de Junho? Que o sigilo, desde sempre regra de ouro, foi grosseiramente quebrado pela comunicação, em ambiente de tumulto público, entre o exterior e examinandos? Que se prestaram provas em locais inadequados e proibidos pelas regras vigentes? Que não foi respeitada a hora de início da prova? Que teria feito, afinal, a Inspecção, se … existisse? O óbvio, isto é, a recomendação da anulação do exame e o apuramento dos responsáveis pela derrocada do que se julgava adquirido. Consumada a trapalhada inicial, transformada a Inspecção em submissão, prosseguiu a farsa com o Despacho 8056/2013, que, preto no branco, contrariou a lei e mandou admitir à repetição da prova todos, sem excepção, que a não tinham feito, independentemente do motivo. A última palavra, corrigindo o despacho, deu-a … o Gabinete de Imprensa do ministério. Tudo brilhante, em nome do rigor, sob a responsabilidade política do ministro do rigor. Espanta isto no dia em que Maria Luís Albuquerque substitui Gaspar? Claro que não. Este é um Governo swap. Um Governo que troca o que lhe dá jeito, particularmente a ética, pela sobrevivência a qualquer custo. [Read more…]

Crato cumpriu, Crato implodiu

Por Santana Castilho

Em 17 anos de exames nacionais, dos 39 que já leva a democracia, o país nunca tinha assistido a tamanho desastre. A segunda-feira passada marca o dia em que um ministro teimoso, incompetente e irresponsável, implodiu a cave infecta em que transformou o ministério da Educação. A credibilidade foi pulverizada. O rigor substituído pela batota. A seriedade submersa por sujidade humana. Viu-se de tudo. Efectivação de provas na ausência de professores do secretariado de exames, com o correlato incumprimento dos procedimentos obrigatórios, que lhes competiriam. Vigilantes desconhecedores dos normativos processuais para exercerem a função. Vigilantes do 1º ciclo do ensino básico atarantados, sem saber que fazer. Examinandos que indicaram a professores, calcule-se, que nunca tinham vigiado exames, procedimentos de rotina. Exames realizados sem professores suplentes e sem professores coadjuvantes. Exames vigiados por professores que leccionaram a disciplina em exame. Ausência de controlo sobre a existência de parentesco entre examinandos e vigilantes. Critérios díspares e arbitrários para escolher os que entraram e os que ficaram de fora. Salas invadidas pelos “excluídos” e interrupção das provas que os “admitidos” prestavam. Tumultos que obrigaram à intervenção da polícia. Desacatos ruidosos em lugar do silêncio prescrito. Sigilo grosseiramente quebrado, com o uso descontrolado de telefones e outros meios de comunicação eletrónica. Alunos aglomerados em refeitórios. Provas iniciadas depois do tempo regulamentar.
O que acabo de sumariar não é exaustivo. Aconteceu em escolas com nome e foi-me testemunhado por professores devidamente identificados. [Read more…]

Exame de Português – 12º ano

Prova e critérios de correcção

O exame de Português de 9.º ano (código 91)

O exame de Português de 9.º ano começava com um texto de Gonçalo M. Tavares, publicado na «Visão» em 22 de Setembro de 2001, sobre os Dicionários e as palavras que não são usadas normalmente nas «conversas de café». Seguiam-se 6 perguntas de resposta múltipla sobre o texto.
Um segundo texto, extraído da obra «A Casa do Pó», de Fernando Campos, remetia para o universo dos Descobrimentos e em particular para os estaleiros navais na zona de Belém. A narrativa decorre poucos anos depois da viagem de Vasco da Gama para a India. Seguiam-se 5 perguntas de interpretação sobre o texto.
O Grupo I terminava com Gil Vicente. Os alunos tinham de redigir um texto sobre o «Auto da Barca do Inferno» ou, em alternativa, sobre o «Auto da Barca da India», sendo que eram apresentados excertos das duas obras.
No Grupo II, 6 perguntas de Gramática e, no último Grupo, uma composição sobre a importância do vocabulário na comunicação oral e escrita.
Mesmo não sendo profesor de Língua Portuguesa, pareceu-me um exame acessível, embora, comparando com a vergonha que era nos tempos da Prevaricadora Maria de Lurdes Rodrigues, quase se pudesse classificar como sendo de dificuldade média. Definitivamente, atendendo ao universo dos nossos alunos, não era um exame que se fizesse de caras.
Também me pareceu um exame grande. A amostra vale o que vale, mas a verdade é que dos 13 alunos que «vigilei», só 4 não precisaram de utilizar os 30 minutos de tolerância.
Quanto ao resto, bem-vindos ao trabalho mais chato do mundo

Hoje dá na net: Literatura – Fernando Pessoa

A base de dados Arquivo Pessoa contém, na secção Obra Édita, a maior parte dos textos de Fernando Pessoa publicados até 1997. É muita poesia, com todos os autores que Pessoa também era. Interessa a todos os amantes de poesia, de Pessoa e a todos os alunos de 12º ano.

Erro no exame de Português do 12º ano

Conta quem sabe.

Não é a minha área, mas de acordo com os critérios de correcção o exame de História da Cultura e das Artes enveredou, formalmente é certo, pela lógica da adivinhação, o que por sinal já é uma tradição. Tratarei desse mais logo.