O pecado do capitalismo selvagem, segundo Francisco

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Belém: o nome significa casa do pão. Hoje, nesta «casa», o Senhor marca encontro com a Humanidade. Sabe que precisamos de alimento para viver. Mas sabe também que os alimentos do mundo não saciam o coração. Na Sagrada Escritura, o pecado original da humanidade aparece associado precisamente com o ato de tomar alimento: «…agarrou do fruto, comeu» – diz o livro do Génesis (3, 6). Agarrou e comeu. O homem tornou-se ávido e voraz. Para muitos, o sentido da vida parece ser possuir, estar cheio de coisas. Uma ganância insaciável atravessa a história humana, chegando ao paradoxo de hoje em que alguns se banqueteiam lautamente enquanto muitos não têm pão para viver.

Adoro quando o Papa Francisco usa o seu poder mediático para nos lembrar que o capitalismo selvagem e as suas elites opulentas e corruptas são um nojo. Nunca é demais recordar.

Sim miserável, a culpa é tua

Ganância

A culpa é tua porque não percebes a economia, não percebes os mercados, não percebes a importância das agências de rating e dos especuladores. Se percebesses, facilmente entenderias que este mundo precisa de milionários tanto quanto precisa que tu vivas a contar tostões. E daí se um grande banco provoca uma gigantesca crise mundial que leva milhões a perder as suas casas e a não saber como pagar as refeições do dia seguinte? Não és também tu livre de fundar um banco e enganar uns quantos milhões para que nunca falte gasolina no teu helicóptero? Quem nos manda a nós ser estúpidos? Afinal de contas, nós temos esse direito: o direito de ser estúpidos, de nos deixarmos enganar. Não é bela, esta democracia? [Read more…]

Uma economia socialmente explosiva

Gente que há bem pouco tempo ganhava balurdios na Banca em Nova Yorque, dorme agora na rua para arranjar lugar nas enormes filas dos que procuram emprego. Até já se fazem “reality shows” nas televisões para que os ex-milionários contem as suas quedas profissionais. No sector privado, NY perdeu 70 000 empregos só no sector financeiro.

Em Detroit quem anda nas filas do desemprego são os milionários da indústria automóvel, tudo resultante de uma economia onde crescer e concorrer chegou a níveis absurdos.

Curiosamente, cá em Portugal, os níveis de vencimento de alguns passam a ideia de que a “festa” voltou, à ganância, esquecendo-se que há bem poucos meses foi o dinheiro dos contribuintes que salvou da falência as empresas que dão lições ao mundo sobre gestão.

A economia social de mercado está incompleta, falta o social, os mesmos que falam na “mão invisivel” dos mercados esquecem que o seu autor chamava a atenção para o “potencial explosivo” que uma economia tem se deixada entregue a si própria. Estas teorias liberais levaram a uma sociedade injusta e desequilibrada. Socialmente, a continuarmos neste caminho, poderá haver revoltas de multidões que já conheceram um bom nível de vida.

Estamos a voltar às “castas” sociais onde uma élite prospera e a grande maioria definha sem diálogo entre si, em “condomínios” estanques e potencialmente explosivos. A mesma situação de que nos quisemos livrar nos últimos 70 anos, na passagem da economia rural para a indústrial, todos os combates foram travados no sentido da aproximação social.

Nós por cá, tudo pela mão de quem se diz socialista…