Esta gente podia

ser menos exploradora?

Podia, mas não era a mesma coisa!

E se os papás da linha de Cascais não pagassem o infantário?

Devia ser a oposição a governar

PS recusa cortar feriados e propõe acabar com banco de horas

Basta um partido ser oposição para o interesse dos cidadãos vir em primeiro lugar. Até a memória se esvazia. Devia, portanto, o governo sair dos partidos da oposição.

Uma pequena achega para a história do cartoon em Portugal

Uma obra prima do grande Abel Manta. Criada logo no pós 25 de Abril (1974, nada de confusões) e que marca no humor nacional o tempo em que muito boa gente publicava anúncios nos jornais garantindo não ter tido nada, absolutamente nada, nem um bocadinho, de participação no regime na altura acabado de depor. Aliás, nesse tempo mesmo muito remoto, ninguém tinha alguma vez aplaudido o tal de Salazar.

Nesse tempo vincou a expressão vira-casacas, e  era mais por medo acorriam ao alfaiate. Mais tarde, ficou o clássico oportunismo, não caracterizando exactamente alguém se faz às oportunidades.

Estando as oportunidades, agora novas,  um bocado queimadas como expressão caracterizante do mesmo espírito e prática, temos de criar outra. A base para a inspiração é imensa. Não me afoito.

Claro que isto não vem exactamente a propósito das últimas ocupações umbiguistas do Paulo Guinote, embora me pareça que anda com falta de ilustrações para alguns dos seus postes (a malta é de História, ele é um bocadinho mais novo).

Mas estou de férias e apeteceu-me preparar uma aula para o ano lectivo que vem. Vícios.

Poemas com história: Em louvor dos equilibristas

 

Quase um lugar-comum, nem é uma metáfora muito engenhosa, esta dos equilibristas para designar aqueles que durante a ditadura, vestiam a pele de oposicionistas ou de situacionistas, conforme mais conveniente lhes fosse, oscilando entre a direita e a esquerda e conseguindo, nesse equilíbrio difícil, ser considerados democratas pelos antifascistas e «respeitadores da ordem» pelos salazaristas. Hoje, na democracia que temos continua a haver «equilibristas», gente que é de esquerda quando quer parecer «bem-pensante», mas suficientemente conservadora para ser aceite por quem governa e para ocupar cargos e receber sinecuras. Pensando nessas pessoas que continuam a equilibrar-se entre o «democraticamente correcto» e o «conveniente para a conta bancária», escrevi este texto que publiquei em «O Cárcere e  o Prado Luminoso» (1990):


 

Em louvor dos equilibristas

Falta ainda uma condecoração,

ordem ou comenda que consagre

o esforço do equilibrista

em prol da civilização.

Formidável ciclista,

verdadeiro paganini da circulação

em cima do arame,

o ciclista percorre,

sem qualquer hesitação,

o ténue espaço que separa

a esquerda direita.

É um simples traço,

quase uma abstracção,

um risco passado

por onde não há espaço.

Ágil, aproveita

o espaço inexistente

deslocando o corpo obliquamente:

metade sobre o risco da direita

e a outra debruçada

sobre os riscos da vertente

que à esquerda, sobre o abismo,

espreita.

Mas ouçamos a receita do artista

(que ninguém está livre

de a ter de usar:

quando menos se espera e pensa,

a corda tensa, a pista, a vertigem,

lá estão à espera

dos que não aprenderam a voar).

Diz, com modéstia,

o frágil saltimbanco:

– Afinal nem é assim tão complicado.

Sigo pela direita

quando

ando;

avanço pela esquerda

quando estou

parado.