Um País Extremamente Corrupto

mapa-timor-lesteTimor não é um Estado falhado. É pior. Falhou o projecto nacional idealizado há uma década.”
Pedro Rosa Mendes, 2008.

Ti-morte

José Xavier Ezequiel

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Envelhecer é, quase sempre, uma coisa terrível. Talvez pudesse não o ser tanto, se o tempo e a volúpia do poder não acabassem por enterrar, um a um, todos os meus heróis. Porém, estou fartinho de o saber, os heróis são mais ou menos como as pessoas. Nascem, crescem, reproduzem-se e morrem. A única diferença é que, por norma, se suicidam em público. E não morrem logo. Transformam-se em zombies. Em mortos-vivos. Em patéticos cadáveres ambulantes.

Admirava Lula da Silva. E, suponho, não precisarei de explicar porquê. Um dia, chegou ao poder. E foi vê-lo, mais rápido que a própria sombra do Lucky Luke, transformar-se em mais um escaravelho da bosta de rinoceronte. Daqueles que se deleitam em rebolar uma bola de esterco onde possam depositar os ovos da sucessão.

Agora vejo Xanana Gusmão a expulsar magistrados (portugueses ou não, na verdade, pouco interessa), só porque beliscaram membros corruptos do seu governo, há muito rendido às sinecuras do petróleo. Com o argumento, merdoso, da falta de competência técnica dos magistrados expulsos.

Alguém acredita que deixaram de ser competentes? Assim, de um dia para o outro? No exacto dia em que pediu ao Parlamento que não retirasse a imunidade a alguns dos ‘seus’ deputados, para não ‘perturbar’ a ordem pública?

Xanana Gusmão, meu herói dos amanhãs que já não cantam — que a merda te seja leve. Poucos o merecem tanto como tu.

Cubo mágico

Quando eu tinha cinco anos, o meu tio semi-gangster apareceu lá em casa. Eu não o conhecia e não lhe fiz grande caso, até porque cinco anos já é um bocado tarde para conhecer um tio. Despedi-me dele com o beijo contrariado de boas-noites que me obrigaram a dar-lhe, e deixei-o na sala com um último olhar ressentido porque ele ficou a jogar com o meu cubo mágico.

Quando despertei na manhã seguinte, já ele se tinha ido embora por cinco anos mais, deparei-me com o cubo em cima da mesa, as faces todas alinhadas, perfeito como só tinha estado na loja. Eu nunca tinha conseguido, claro, e ergui de imediato o meu tio ao altar infantil dos heróis titânicos. [Read more…]

A seguir a independência, as lutas reivindicativas. Carrillo

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A história tem uma argumentação nos factos. O que denomino a lógica da história. Primeiro, luta-se pela independência, a seguir, a república cresce e nascem indústrias, trabalhadores que eram soldados e passam a ser heróis não da guerra, mas sim do trabalho. Reivindicam os seus direitos, não são ouvidos. Rebelam-se, ninguém se interessa. Os governos caem, aparece uma esperança que passa a ser uma frustração. Os lutadores persistem, como Santiago Carrillo, que faleceu no dia em que se comemoram 202 anos da libertação do Chile. Com 98 anos. Habituado as lutas, a vida não o perdoo. Como antes, a Dolores Ibarburri, La Passionária, Presidenta do Senado Espanhol, por honra.

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os heróis da independência do Chile

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Chile Jura a Independência a 12 de Fevereiro de 1818 Óleo de Subercaseaux

Escrevia um dia destes sobre as cantineiras ou companheiras, que acompanham os soldados à guerra, lutam como os seus colegas de armas e recebem um estipêndio do exército pelo qual lutam, neste caso o do Chile. Escrevia também sobre as Damas da Aristocracia que lutavam pela causa da Pátria, como Paula Jaraquemada e Javiera Carrera, as mais conhecidas, salientadas e honradas por serem da aristocracia. [Read more…]

O Aviador Líbio

Para a Carla Romualdo

e para o seu

Aviador Irlandês

O piloto recebeu ordens superiores.

Receber ordens superiores é o que faz um piloto militar. Receber ordens, assentir, não questionar, cumprir. O ar, para o piloto militar, é meio, não é fim.

O piloto olhou o co-piloto e ambos assentiram questionar e não cumprir. Não bombardear o povo a que se pertence, não bombardear o povo que se é, não bombardear quem se é.

Ao carregar no botão de ejeção, o piloto deixou de pilotar o avião e pilotou a vida. Uma história bonita, estória de heróis quando tudo arde, mesmo que tudo arda, ainda que tudo arda.

Uma estória de aviadores. A história do Aviador Líbio.

 

Invictus

How do we inspire ourselves to greatness when nothing else will do?

A pergunta ecoa-nos na mente, desde o encontro de Mandela com Pieenar. Como o fazemos? Como nos inspiramos, onde vamos buscar força quando temos que ser os melhores, melhores que todos os outros?

E a resposta é nos dada quando Pieenar e a equipa de raguêbi visitam Robben Island. Aí, o capitão da equipa ouve a voz de Mandela a recitar o Invictus e percebemos como ele, Mandela, o fez, e percebemos como é que a África do Sul foi ganhando todos aqueles jogos, mesmo que a final tenha sido adulterada. Percebemos como Mandela conseguiu unir o país, conseguiu perdoar as pessoas que o tinham colocado na prisão, percebemos como é que viveu anos e anos dentro de uma cela minúscula e sair de lá, ainda acreditando que tinha forças para liderar um país.
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