De quem é a ponte?


Uma das pontes sobre o Tejo nasceu Salazar e foi baptizada 25 de Abril.

A canalha salazarista andou anos a chorar que era uma injustiça, foi o Salazar que a construiu, snif snif, sacando do lenço para limpar o focinho ranhoso, o Salazar no tempo dele é que era bom.

Nem sequer é verdade: a ponte foi construída por operários (alguns lá morreram) e desenhada por engenheiros, mãos, cérebros, quem trabalha (esse exercício diário e quotidiano a que Salazar nem nas vindimas de S. Comba se dedicou: os meliantes não trabalham, roubam, trafulham  ou assassinam).

O que um ministro (enquanto pessoa um tipo sensato, mas o poder desfaz os homens) agora tem nas mãos é muito simples: ou manda às urtigas um parecer canalhita, ou compra a guerra que nunca ninguém tentou: reprimir uma manifestação nacional da CGTP é um filme que, indeciso pelo meio Portugal, me fará trocar o Porto por Lisboa. E já agora, com resultados muitos óbvios nos mercados.

Em qualquer dos casos, e definitivamente, a ponte ficará de vez crismada de 25 de Abril. Espero que se evite o sangue, mas voltando atrás, dos operários ali já o houve semeado.

Sobre João José Cardoso

Comments

  1. Joaquim Amado Lopes says:

    De quem é a ponte? Bem, da CGTP não é de ceteza.

    • Joaquim Amado Lopes says:

      Parece que há quem julgue que a ponte é mesmo da CGTP e que esta tem o direito de a fechar (cortando a principal via de acesso a Lisboa) para fazer uma manifestação.

      Compreendo o simbolismo da escolha da Ponte 25 de Abril. Chamava-se Ponte Salazar e o 25 de Abril acabou com o regime de que Salazar era o símbolo (apesar de ter morrido antes de 1974).
      Compreendo também que não queira fazer a manifestação na Av. da Liberdade. Afinal, a CGTP e os seus patrões não convivem bem com a liberdade dos outros.

      E uma “jornada nacional de luta contra a austeridade e o empobrecimento”?!
      Quem se torna rico é quem arrisca mais e com mais inteligência (ou tem mais sorte) e quem se torna remediado é quem trabalha e poupa mais. Gastar dinheiro que se pede emprestado a juros crescentes (receita defendida pela CGTP) é o caminho certo para o empobrecimento crescente, pelo que a CGTP parece mais empenhada na luta *pelo* empobrecimento do que na luta *contra* o empobrecimento.

      Gostava de saber quanto é que Arménio Carlos e os outros dirigentes da CGTP têm investido em títulos de dívida pública portuguesa. Quer-me parecer que nada, dado que defendem que não se pague a dívida e tudo fazem para que esta não possa ser paga.

      • Um gajo chama o Salazar pelo nome e o JALopes saltita. Um clássico da internet nacional.

        • Joaquim Amado Lopes says:

          Percebe-se que não tenha respondido a nada do que escrevi. Como seria de esperar, limitou-se a uma acusação muito pouco velada de “fascista” que só me pode fazer rir. Afinal, um dos aspectos mais salientes dos fascistas é não conviverem bem com a liberdade dos outros, incluíndo a de expressão. Quem leia o que escreve não tem quaisquer dúvidas de que o João José Cardoso é muito mais fascista do que eu alguma vez fui ou serei.

          E continuo com curiosidade em saber com que nome se apresentava no pt.soc.politica mas quer-me parecer que nunca o vai dizer, o que não compreendo. Tem assim tanta vergonha do que escrevia a coberto do anonimato? É que o que escreve agora é bastante mau.

          • Só por mera diversão respondo a propaganda, há dias, este não foi um deles.
            Quanto ao anonimato, nunca usei pseudónimos.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            Interessante. Há menos de um ano, escreveu:
            “A usenet ficou no museu, sem arqueologia, os arquivos perderam-se, coisas do merdado neste caso comido pela Google em seus primórdios.
            Tem o caro ex-salazarista Joaquim Amado Lopes, ora liberal, a honra, que lhe seja feita, de nunca ter mudado sua assinatura, não me posso gabar do mesmo.”

            http://oinsurgente.org/2012/10/21/problema-deles-nao-nosso/#comment-153572

            Como a usenet continua viva, cortesia de várias empresas incluíndo precisamente a Google, é possível confirmar o que afirma. E “João José Cardoso” só aparece em 6 posts (https://groups.google.com/forum/#!search/%22jo%C3%A3o$20jos%C3%A9$20cardoso%22):
            – 1 que inclui um alerta que linka para um post seu aqui no Aventar;
            – 1 sobre um tal de “João José Cardoso” que nasceu em 1860;
            – 3 sobre um brasileiro de nome “João José Cardoso”;
            – 1 em que é citado um comentário seu no Insurgente.

          • Azar. Porque na usenet sempre houve uma opção no Agent para o não arquivamento dos posts…
            Uma boa tolice, por sinal, mas que foi moda. Claro que isso não impedia os arquivos pessoais através do próprio Agent, e até devo ter o meu algures num velho backup, duvido muito é que hoje um programa velhinho corra num computador mais recente
            Além disso os nomes também se abreviam, caro JALopes…

          • Joaquim Amado Lopes says:

            Poderosa, essa opção. Não ficaram arquivados os seus posts nem um único dos seus comentários a posts de outros ou respostas de outros em que o seu nome fosse mencionado. De qualquer forma, é o próprio “João José Cardoso” que afirma textualmente ter mudado a sua “assinatura”.

            Quanto à abreviatura (outra forma de anonimato, por impedir a associação à pessoa), já estava à espera que se escondesse por detrás dessa “tecnicalidade”.
            Note-se que continua a recusar dizer sob que nome se apresentava na Usenet. Tem assim tanta vergonha do que escreveu há anos?

          • A opção não era minha, mas sim a prática corrente de quem utilizava a usenet portuguesa, precisamente para evitar que empresas lucrassem com a escrita alheia (o único arquivo da usenet fiável foi comprado pela Google, isso deu dinheiro). Não deixa de ser tola por causa disso, foi o que escrevi.

            Esta frase:

            “Quanto à abreviatura (outra forma de anonimato, por impedir a associação à pessoa), já estava à espera que se escondesse por detrás dessa “tecnicalidade”.”

            escrita por quem assinou JALopes chamando-se Joaquim Amado Lopes, responde-se a si mesma. Sempre igual a si próprio.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            Acho interessante que se tenha sempre recusado a identificar sob que “assinaturas” se identificava e a insistência em que os seus artigos não ficaram arquivados. É que bastava ter dado uma pista mas parece que tem mesmo vergonha do que escreveu.
            Não devia porque a melhor forma de lidar com os erros é assumi-los. Mas suponho que o “sempre igual a si próprio” se refira a si.
            Só que na internet nada desaparece e foram necessárias só mais umas tentativas e encontrei algumas das suas “assinaturas”, embora ainda não tenha encontrado nenhum thread em que tenhamos comentado os dois.

            De qualquer forma, este assunto está encerrado e, eventualmente, irei ler alguns dos seus posts no pt.soc.politica, para ver se era mesmo assim tão mau para, mesmo escrevendo o que escreve agora, ter vergonha daqueles tempos.

            Quanto ao “JALopes”, alguma vez assinei apenas dessa forma, sem escrever o nome completo, ou era esse o nome do domínio em que eu tinha a conta de email?
            Afinal, foi o próprio “jjc”/”j. j. c.” que disse que eu nunca mudei de “assinatura”.
            É que, para o bem e para o mal, assumo tudo o que escrevi. Mesmo quando cometo erros e/ou me excedo nas palavras. Pelos vistos, ao contrário de um tal “João José Cardoso” que, exigindo que a liberdade dos outros se submeta aos seus desenhos, gosta de chamar fascista/salazarista a quem defende que a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade dos outros.

      • nightwishpt says:

        “Gastar dinheiro que se pede emprestado a juros crescentes (receita defendida pela CGTP) é o caminho certo para o empobrecimento crescente, pelo que a CGTP parece mais empenhada na luta *pelo* empobrecimento do que na luta *contra* o empobrecimento.”

        Curiosamente, não diz o mesmo deste governo.

        ” dado que defendem que não se pague a dívida e tudo fazem para que esta não possa ser paga.”

        Ela já não podia ser paga em 2011, hoje nem sei porque alguém com cérebro insiste na asneira sem ser para favorecer interesses.

        • Joaquim Amado Lopes says:

          Dizer que quem luta (mesmo que pouco e mal, como é o caso deste Governo) para inverter o ciclo de empobrecimento é um contrasenso.
          Endividamento é empobrecimento a menos que o dinheiro seja para investir no sector transaccionável e permita gerar lucros.

          Quanto a a dívida poder ou não ser paga, é óbvio que pagar na totalidade uma dívida brutal como a do Estado português obriga a enormes sacrifícios durante muitas décadas. Ninguém defende que seja paga em meia dúzia de anos mas sim que seja reduzida a um nível que permita que seja gerida (o peso dos juros ser relativamente baixo e o valor total flutuar e não continuar sempre a aumentar). Isso exige superavit orçamental real e não “criativo” (com despesa não contabilizável ou escondida). Mas o Estado português continua a funcionar com deficit (que os partidos da oposição querem que aumente ainda mais).

          O que acha que acontece se se disser a quem ainda nos vai emprestando dinheiro que não pagamos o que lhes devemos? Acha que nos vão continuar a emprestar dinheiro?
          O default (não pagamento da dívida) leva ao deficit zero instantâneo e por muitos anos. Em vez de se ir reformando progressivamente a estrutura do Estado (no sentido oposto ao defendido pela oposição – que incluí boa parte do PSD e do CDS), criando condições para o equilíbrio sustentado das contas públicas que permita que se reduza a dívida, os ordenados da função pública e reformas serão cortados de uma vez ou deixarão simplesmente de ser pagos. E não venha com a treta de sair do Euro e voltar a ter moeda própria porque essa moeda acabará por não valer o papel em que é impresso e não servirá para nada a não ser aumentar a miséria.

          De qualquer forma, sabe quem é que perde mais com o default?
          A Segurança Social, que tem boa parte do seu dinheiro “investido” em Títulos do Tesouro. Esqueça as reformas e subsídios.
          Os bancos portugueses, que são dos maiores credores do Estado português, irão à falência portanto esqueça também o dinheiro que lá tenha depositado (a menos que tenha tanto que tem condições para mandar a maior parte para fora de Portugal).
          E os aforradores portugueses. Os cidadãos que investiram em Certificados de Aforro e Títulos do Tesouro e que ficarão a ver navios.

          Defender o default é defender a miséria instantânea dos portugueses com menos meios. Se acha que “ter cérebro” é defender isso claramente não tem um.

        • Joaquim Amado Lopes says:

          O primeiro parágrafo do comentário anterior era suposto ser:
          Dizer que quem luta (mesmo que pouco e mal, como é o caso deste Governo) para inverter o ciclo de empobrecimento está a lutar pelo empobrecimento é um contrasenso.

  2. E pronto, confirma-se: o regime é de alguns e a CGTP é que decide onde realiza as suas manifs, tal como o PCP decide em que paredes pinta a sua propaganda, mesmo que isso prejudique todos os outros. A ideia de fazer uma manifestação na ponte é das coisas mais estúpidas que já ouvi. Achincalhar o parecer (aliás, dois pareceres) é típico da arrogância raivosa de uma esquerda lunática que vê o Salazar em toda a parte. Já não basta pararem os transportes públicos, ainda querem apodera-se das autoestradas. Lata não lhes falta.

    • Até no João Pedro há um salazarinho: manifestações era no Tarrafal, não era?
      E vá ler a legislação em vigor.

      • Joaquim Amado Lopes says:

        Que parte da legislação? Aquela que diz que as manifestações têm que ser autorizadas e por quem? Ou a relativa à liberdade de circulação?

        E exactamente o que é um “salazarinho”? É alguém que defende a decisão de não autorizar o fecho de uma importante via de acesso a Lisboa para realizar uma manifestação que pode perfeitamente ser realizada noutro local, em que o impacto na circulação de pessoas não seja tão grande?
        E o que se chama a alguém que exige que as autoridades decidam sempre a seu favor e que tenta fazer manifestações de forma a prejudicar o maior número possível de pessoas?

        • Ó JALopes, pelo menos desde 1928 que não há manifestações autorizadas em Portugal. No tempo em que os salazarinhos desfilavam cantando e rindo eram todas reprimidas. Desde Setembro de 1974 que são comunicadas ao Governo Civil, ou a quem lhe faz a vez agora, as Câmaras. Comunicadas.
          Que mania de alterar os factos para distorcer a realidade. Vá lá pagar a dívida aos bancos, e quando acabar, estando ainda vivo, apareça; com um nonagenário a conversa talvez seja mais civilizada.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            Se nem todas as manifestações não têm que ser autorizadas, parece que pelo menos as na Ponte 25 de Abril têm. Ou essa Lei não é para respeitar?

            Quanto a pagar as dívidas aos bancos, olhe que algum do dinheiro que os bancos emprestaram ao Estado e que o João José Cardoso não quer que seja devolvido é capaz de ser seu. E se os bancos não receberem de volta o que emprestaram são capazes de não estarem dispostos a devolver-lhe o que o João José deixou à guarda deles.

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  1. […] que dita a minha miséria-Camões e a de milhares, poderemos usar as pontes para passeios de Paz e fazer amor nas pontes e ver a natureza das pontes. Um dia. Dia sem Arménio, o Espingardador […]

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