O Sindicato da PSP enganou-se: há mesmo polícias «gays»

(este assunto começou aqui e continuou aqui, aqui e aqui).

Memórias da Revolução: 18 de Abril de 1974

Ontem, dia 17 de Abril de 1974, faltavam 8 dias para a Revolução, o «Jornal de Notícias» dava a conhecer as conversaçõs entre o Vaticano e o Governo a propósito do caso dos Missionários de Nampula. O Ministério do Ultramar publicava uma nota sobre o assunto.
As Juntas Médicas vão passar a funcionar junto dos postos clínicos das Caixas de Previdência.
Américo Tomás vai visitar a «notável» Barragem da Aguieira.
Em França, o radical Schreiber não vai concorrer às eleições. Ainda assim, já são 33 os candidatos.
Hoje, 18 de Abril, fala-se do aumento dos funcionários públicos. Aumeto para breve? – uma sugestão renovada na Assembleia Nacional.
Na Rotunda da Boavista, no Porto, vai começar em breve a Feira do Livro. No mesmo dia, um camião espalhou dezenas de pernis de porco em plena Avenida da Boavista.
Nos Estados Unidos, nova derrota de Nixon. Fracassou o apoio a um republicano. William Simon nomeado Secretário do Tesouro. Em França, foram eliminados 19 dos 33 candidatos ao Eliseu. Nova sondagem dá vitória a Giscard d’Estaign.
Faltam 7 dias para a Revolução.

Os malefícios das obras públicas

Diz Vitor Bento, na Visão de 16 de Abril.
O governo insiste nas obras públicas como saída para a crise, convencido de que geram valor. E sustenta-o com inúmeros estudos…
“Os estudos cometem um erro, ao esquecerem-se que o investimento em obras públicas está sujeito à lei dos rendimentos decrescentes.Com a primeira auto-estrada entre Lisboa e Porto, a produtividade da economia aumentou muito,porque se eliminou um factor de bloqueio e os custos de transacção diminuiram. Mas quando se constrói a enésima auto-estrada, entre duas cidades sem tráfego, já não se acrescenta valor. O mesmo se passa com os estádios ou com o Parque das Nações.Se, com tanto investimento em obras públicas, continuamos a empobrecer, temos de nos interrogar sobre se não estamos a usar os remédios errados!” E para que serve e quem paga o TGV , pergunto eu? A teimosia de um homem pode roçar a imbecilidade!

A falácia do casamento gay

Para haver casamento há um princípio e um fim. Tem que ser entre sexos diferentes. Entre um homem e uma mulher. Não entram aqui considerações de ordem religiosa, de cor, de preferências sexuais. Pelo contrário, a Lei trata os homens e as mulheres como tal não levando em conta as suas preferências sexuais. Isto é, todos os gays e lésbicas podem casar desde que seja entre sexos diferentes.A auto-exclusão a esta norma é feita por eles próprios. Na verdade na diferenciação masculino/feminino não têm qualquer relevância os gostos e preferências subjectivas. Os homens e as mulheres com preferências sexuais por pessoas do mesmo sexo não são impedidos de casar por causa da sua orientação sexual. São impedidos por serem pessoas do mesmo sexo. A analogia das lutas dos escravos ou das mulheres pela igualdade e a reivindicação do “acesso” ao casamento civil por pessoas do mesmo sexo, não tem razão de ser. Essas lutas foram travadas em nome da igualdade de direitos de todos os homens e de todas as mulheres enquanto tais. Ora, no caso, isto só deixaria de ser assim se, unicamente, pelas suas preferências sexuais os homosexuais fossem considerados um grupo à parte, dentro do conjunto de seres humanos, homens e mulheres. Há a tentativa de nos convencerem que a adulteração do casamento civil é um preço que todos temos de pagar em nome do valor superior da eliminação de discriminações. Claro que a encenação montada tem tudo a ver com o período eleitoral que se avizinha. “o que realmente promovem, no entanto, não é a igualdade de direitos, mas sim a construção de um direito exclusivo para um grupo humano que se auto-discrimina, pretendendo um tratamento diferente dos restantes homens e mulheres que se baseia em características não essenciais.” (Rita Lobo Xavier, Professora da Faculdade de Direito da UCP). Vale a pena trazer para cima da mesa argumentos que são cuidadosamente discriminados na discussão pública. “O efeito útil da não aceitação do casamento homossexual não é negar a protecção do direito às pessoas do mesmo sexo que vivem em economia comum, já prevista, mas antes delimitar o âmbito de aplicação do casamento (Paulo Pulido Adragão,Público 15 Abril).

Vasco Lourenço – Do interior da Revolução (Dedicatória)*

Meu querido Vicente:
Este é um livro com dois autores: a entrevistadora, Manuela Cruzeiro, e o entrevistado, o teu avô Vasco.
Pela minha participação, sinto que posso dedicá-lo a alguém.
E é a ti, querido Vicente, que dedico a narrativa de parte da história da minha vida.
Para não ficares sozinho, permite que te junte duas pessoas que são também as mais que tudo para mim: a tua mãe Gabriela e a tua avó Adélia que me proporcionou o dia mais feliz da minha vida ao dar-me uma filha.
Ao leres este livro, tomarás conhecimento de parte da luta do teu avô por uma sociedade melhor. Muitos factos e momentos específicos são aqui tratados, mas muitos outros episódios ficaram de fora. Temporalmente tem o limite de Abril de 1976, quando se aprovou a Constituição da República Portuguesa, resultante do 25 de Abril de 1974, e a particularidade de, embora publicado em 2009, ter sido feito entre 1992 e 1995.
Uma coisa te quero garantir Vicente: o teu avô procurou ser honesto, falar verdade e não fugir às questões. Foi essa sempre uma das minhas características e não poderia permitir a publicação deste livro se não me revisse nele. Por isso, apesar de ter amenizado algumas 8 afirmações, não fugi à polémica, com o que terei desgostado alguns.
Dos amigos a quem porventura desgostei, espero que me compreendam e desculpem.
Haverá outras verdades. Não duvido, pois nunca tive a presunção de ter o seu exclusivo. Mas, de uma coisa podes estar certo: não inventei nem exagerei, mesmo que às vezes custe a acreditar que as coisas se tenham passado como as conto. Procurei, aliás, evitar ao máximo comentários e adjectivos.
Um aspecto me preocupa: não vejas nesta minha verdade a presunção de que tudo girou à minha volta. Cada um de nós, o teu avô
e os seus companheiros, desempenhou um papel, mais ou menos importante. Só que, tal como sempre compreendi que os outros, ao escreverem a história em que participaram, o façam à volta dessa sua participação pessoal, também eu não poderia deixar de ao contar a minha experiência, falar principalmente de mim. O que não invalida que haja outras experiências, outras vivências, outras estórias.
Aqui, à tua frente, tens pois a minha verdade das coisas, referentes a um período da minha vida, que confio possa contribuir para não deixar deturpar a História. Quanto ao resto, não sei se irei contá-lo, em entrevista ou em autobiografia.
Até lá, um grande beijinho do teu avô que te adora.
Vasco
* PRÉ-PUBLICAÇÃO

A ARROGÂNCIA DE ALBERTO JOÃO

COISAS DAS ELEIÇÕES

A exemplo do nosso Primeiro de Portugal, o Primeiro da Madeira, também é arrogante. Mas tem uma arrogância legítima de quem tem mais de trinta anos de poder, sempre com votos que lhe dão maioria absoluta. Ao contrário do outro, é inteligente e luta pela qualidade dos seus conterrâneos. Basta ver o que era a Madeira há trinta anos e o que é agora.
Dentro do seu partido, governa com braço de ferro, ao contrário da liderança nacional. Quem manda é ele, e assim é que deve ser. Pena que não esteja no Continente, e a sua política seja dirigida à “sua” ilha. Se cá estivesse, outro galo cantaria no nosso governo. Ainda gostava de o ver a concorrer ao lugar da srª D. Manuela. Seria, sem dúvida, uma lufada de ar fresco no partido e na política Nacional.
Na realidade é ele, a par de outro que hoje concorre à Câmara da capital, a pessoa mais importante do PSD.

A guerra no umbigo

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Eram imagens impossíveis desde que, em 1991, o presidente dos EUA, George H. W. Bush (pai do ex-presidente), proibiu a cobertura jornalística do regresso dos mortos de guerra norte-americanos. O objectivo prioritário era impedir a reacção da opinião pública do país contra a participação em conflitos espalhados pelo mundo. Enfim, impedir que os vulgares cidadãos da nação, habitualmente alheios ao que se passa no resto do planeta e muito atentos ao seu umbigo, passassem a perceber que a guerra já estava no respectivo ‘belly button’.

Apesar de alguns protestos de órgãos de comunicação social, mas não demasiado intensos, uma vez que a maioria fica inchada de tanto patriotismo, só muito mais tarde o povo percebeu o que estava em jogo. Só com as guerras no Afeganistão e Iraque e os seus sucedâneos começaram a entender que uns milhares de soldados americanos morriam no campo de batalho. Não viam os caixões mas não tardou até que eles lhe entrassem pelos olhos. Porque morria um familiar, um amigo, um amigo de um amigo. Aquilo, lá longe, estava a fazer mexer a rodilha que têm no abdómen.

O novo presidente achou que era tempo de acabar com o absurdo de impedir um acto informativo. Agora são os familiares dos mortos que decidem aquilo que o Governo decidia por eles. No dia 5 de Abril, a chegada do cadáver do sargento Phillip Meyers foi o primeiro em muitos anos a ser coberto pela imprensa. Só por isto, já é notícia.

A imagem é do The Big Picture, do Boston Globe. Mais fotografias podem ser vistas aqui.

ESTOU CANSADO DESTA TRAMPA

ESTOU MESMO MUITO CANSADO

Os partidos, todos sem excepção, ainda não ganharam vergonha sobre este caso, e sobre muitos outros também não, e já quase há dez meses que esta trampa se arrasta. Ainda não há novo Provedor, com os dois maiores partidos a atirarem as culpas um ao outro.
É cansativo e cheira muito mal toda esta situação. Agora os senhores do partido do governo dizem que não voltam atrás com o nome já aventado, sabendo que o outro o não vai aceitar. Restam agora os outros partidos com assento na Assembleia, para ver se se arranja a percentagem necessária à resolução do caso por via deste nome.
Eu já falei de mais sobre este assunto, mas tive de voltar a ele. Será a última vez?

Vasco Lourenço – Do interior da Revolução (Apresentação)*

O Aventar tem o orgulho de apresentar a partir de hoje e até ao dia 23 de Abril, em pré-publicação exclusiva a nível nacional, o novo livro de Vasco Lourenço, «Do interior da Revolução». Um livro escrito pela jornalista Maria Manuela Cruzeiro que resulta da entrevista ao Capitão de Abril, que recorda alguns dos episódios mais marcantes, muitos deles nunca publicados, do 25 de Abril. Diariamente, até 23 de Abril, aqui no Aventar.

Vasco Lourenco

* PRÉ-PUBLICAÇÃO