Soeiro Pereira Gomes nasceu há 100 anos (I)


Nasceu em Gestaçô, Baião, há 100 anos, feitos hoje. Morreu em 1949, corria o quinto dia de Dezembro. Nome maior do neo-realismo literário português, autor de uma obra longa mas pouco divulgada nestes nossos dias, militante comunista, desde cedo desenvolveu uma enorme sensibilidade social.

No túmulo tem escrita a frase: A tua luta foi dádiva total.
Amanhã e depois, iremos homenageá-lo aqui no Aventar. Para que o esquecimento não seja total.

Memórias da Revolução: 14 de Abril de 1974

O «Jornal de Notícias» de 14 de Abril de 1974 noticia a «rajada de internacionalização» no Aeroporto de Pedras Rubras.  Em 1975, prevê-se que mais de um milhão de passageiros  utilize a infra-estrutura.
É Domingo de Páscoa e o «JN» publica a mensagem pascal do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes. Ainda uma nota sobre o Compasso, uma «tradição perdida».
amanhã, aumenta o preço das comunicações telefónicas.
No noticiário internacional, Miterrand é o favorito depois da primeira sondagem realizada em França; e Israel vinga-se no Líbano, matando 2 mulheres e dinamitando 24 casas.
Faltam 11 dias para a Revolução.

Porquê Rangel?

Não é que não reconheça capacidades a Rangel.Não enxergo são as vantagens em afastar de chefe da bancada parlamentar alguem que tem exercido o cargo com eficácia e que tem agora já algum traquejo na função.É novo e a partir da AR podia preparar-se para outros voos.Quem vai para Bruxelas ou é novo demais ou já está na curva descendente.A Rangel não se aplica nenhuma das duas situações.

Em contrapartida Marques Mendes já foi tudo na vertente interna.É conhecido pelo eleitorado o que é uma vantagem tremenda para a campanha que aí vem.Além disso é tido como um político capaz e sério.Nunca teve qualquer campanha negra contra ele em tantos anos de política activa, o que diz bem que é prudente e não se mete em apertos.

Face à idade de Manuela Ferreira Leite a pergunta que aqui coloquei ontem tem hoje maior razão de ser.A quem abre caminho Ferreira Leite com esta escolha?

Dívida externa aumenta 54% com Sócrates

Só em quatro anos, Sócrates aumentou em 54% a dívida externa passando de 43.2 para 97.2 do PIB!!!

Segundo o Boletim estatístico do Banco de Portugal de Março de 2009, constata-se que entre 2005 e 2008 a dívida externa atingiu uma meta alarmante.É um assunto de extrema gravidade que põe em perigo a capacidade do país poder fazer os investimentos necessários devido à maior dificuldade em obter financiamento e em piores condições. Já pagamos os empréstimos a uma taxa mais cara que a maioria dos nossos parceiros.

Ainda segundo o mesmo Boletim o crédito bancário aplicado ao imobiliário e á habitação foi dez vezes maior do que o aplicado à agricultura e à indústria.Estes números reflectem a política económica deste governo, especulativa em detrimento das actividades produtivas.

Desta forma o governo tem lançado no desemprego centenas de milhares de pessoas,destruindo a capacidade produtiva do país.Temos os bons e conhecidos exemplos dos empréstimos milionários e finos que a CGD tem efectuado para jogos na bolsa e controlo de bancos como o BCP.

Onde irá Sócrates e em que condições obter os empréstimos para levar avante os investimentos desastrosos do TGV, do aeroporto e da terceira ponte?

As eleições autárquicas em Vila Nova de Gaia

Enquanto eleitor tiver oportunidade de votar em 3 freguesias e dois concelhos do Grande Porto. Nessa qualidade, a de Cidadão da bigUrbe invicta, vou aqui postar sobre o ponto de situação nas candidaturas às eleições autárquicas, procurando perceber o que se passou nas eleições anteriores.
Começo pelo Concelho onde vou votar:
As eleições em Vila Nova de Gaia têm uma marca particular para todos os eleitores porque têm pela frente uma tarefa tremendamente ingrata: por um lado não podem votar no PS porque pretendem penalizar a ditatorial maioria de direita que nos tem governado. Por outro têm no poder autárquico, nada mais, nada menos, do que o Dr. Menezes, um Homem cuja passagem pela liderança do PSD deixa saudades. A mim, pelo menos, deixou. Como eu me ria.
Bom, Gaia tem 249 938 eleitores.
Em 2005, os Gaienses votaram assim:
PPD/PSD.CDS-PP: 77971 ( 54,97%) 7 mandatos
PS: 39657 ( 27,96%) 3 mandatos
PCP-PEV: 11781 ( 8,31%) 1 mandato
B.E.: 5327 ( 3,76%) 0
MPT: 887 ( 0,63%) 0
PH: 599 ( 0,42%) 0
Resultados de 2005 muito semelhantes aos de 2001, tal como em 1997, onde as coisas não eram muito diferentes do que são hoje:
PPD/PSD:64038 ( 46,72%) 6
PS: 56746 ( 41,40%) 5
PCP/PEV: 10150 ( 7,40%) 0
PSR: 992 ( 0,72%) 0
UDP: 881 ( 0,64%) 0.
Se o tempo regressar a 1993, então sim, aí tínhamos o PS no poder, à semelhança do que tinha acontecido, SEMPRE, no pós-Abril:
PS:57601( 44,14%)6
PPD/PSD: 47619 ( 36,49%) 4
PCP/PEV: 15029 ( 11,52%) 1
CDS-PP: 6623 ( 5,08%) 0
E este ano como é que vai ser?

O caso de Fernando Lugo e a vitória do Papa

Fernando Lugo era bispo católico e agora é presidente do Paraguai. Ontem, admitiu ter um filho de dois anos, concebido quando ainda era sacerdote e prometeu assumir “todas as responsabilidades”. Não disse quais.

No poder desde Agosto de 2008, Lugo colocou um ponto final num ciclo de mais de 60 anos de governos de direita no país. Era (ainda deve ser) um sinal de esperança para os mais desfavorecidos, uma vez que a sua campanha apostou no combate às desigualdades sociais.

No período da campanha eleitoral, o bispo foi acusado pela a oposição de ter 17 filhos não assumidos. Lugo disse que era mentira. Agora, pelo menos neste caso, verificou-se que mentiu. Nos outros, até ao momento não sabemos.

Este é um mau sinal para os paraguaios. Se o padre mentiu num aspecto, também poderá ter mentido noutros. Mas é um bom sinal para o Papa.

Bento XVI não autorizou Lugo a deixar o seu lugar e o bispo teve de se rebelar contra o chefe para ser candidato presidencial. Num aspecto, sabemos agora, o ex-bispo respeitou as ordens do Papa: não usou preservativo. Aliás, tenho a certeza que só praticou sexo com fins reprodutivos.

A CAÇA AO DESGRAÇADO

A DGI anda muito activa. Em pouco mais de um mês enviou milhares (mais de seis mil) de notificações a gestores, para pagar o que as firmas que geriram, e que falindo não têm bens para o fazer, devem ao fisco.

Este é um caso extraordinário, para usar um termo caro ao nosso Primeiro. As firmas que têm uma responsabilidade limitada à empresa, por isso são “…, lda.”, l.i.m.i.t.a.d.a, deixaram de o ser e agora os zelosos fiscais, vão buscar a casa dos gestores ou gerentes dessas empresas, micro e médias, o dinheiro das dívidas da empresa (coimas fiscais), o que nunca deveriam poder fazer.

O gerente ou gestor, já não tem direito a subsídio de desemprego, aquando do terminus da actividade da empresa, apesar de descontar para isso. Dizem que desconta menos um por cento e por isso já não tem direito a nada. Mas descontam praticamente como qualquer outro trabalhador.

Estas coisas só acontecem porque esses gestores e gerentes não são muito ricos e não têm influência, nem capacidade de subornar, influenciar, contornar, contestar ou negociar. Muitos não passavam de meros empregados sem muito poder de decisão (às vezes em nenhum) e muitas vezes com ordenados em atraso, porque senão, se tivessem essas capacidades ou esse dinheiro e poder, acontecia-lhes o mesmo que está a acontecer às instituições bancárias que viram o IVA perdoado em cerca de quatro milhões de euros, por “falta de meios” do fisco.

Que fazem as associações de comerciantes pelos seus associados? Como os defendem neste caso? Não os vejo a fazer seja o que for que tenha cabeça, tronco e membros.

Depois admiram-se que os ditos gestores, aflitos, tentem vender o pouco que têm para que esse bem não seja penhorado.

Este é o saque a que temos direito com o governo que nos (des)governa. O que o estado quer é cobrar multas, taxas e impostos, seja de que forma for.

Desta forma, da forma que o governo impôe, isto está a ir longe de mais.

Temos de os fazer parar, à boa maneira do nosso Primeiro: seja de que maneira for!< –>

FREEPORTGATE

Como se nada fosse, o povo Português assiste impávido e sereno à novela do caso Freeport.
Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se julga que se sabe, estamos a falar de suborno, de dinheiro que alguém pagou e outro(s) alguém recebeu para que se licenciasse uma obra que não o deveria ter sido.

Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se fala, estamos a falar de leis e de direitos que alguém, porque possivelmente recebeu dinheiro que não poderia nem deveria ter recebido (fala-se em quatro milhões de euros, pagos aos bocadinhos para não dar nas vistas), esqueceu e das quais fez tábua raza, para que outro alguém pudesse ganhar milhões de euros de mais valias e de lucros indevidos.

Pelo que se vai sabendo, ou pelo que se diz à boca cheia, estamos a falar do envolvimento de um membro do governo, ministro à altura dos acontecimentos e Primeiro ministro na actualidade.

Ninguém sabe ao certo, porque ninguém nos diz, e também porque ninguém se acusa, se é verdadeiro esse envolvimento. Mas aos poucos vai-se adensando a nuvem que cobre este nosso governante, que cada vez mais se mostra revoltado com a situação. Mas o homem é perito em mudar o nome e as cores das coisas e das situações. E a história do menino pastor e do lobo, todos a conhecemos.

O que mais me confunde, é a passividade do povo do meu País. Noutra altura qualquer, ou com outro qualquer personagem, já os meus concidadãos tinham saído para a rua, exigindo saber a verdade, ou a demissão do governante enquanto não se apurasse tudo direitinho. Com este, nada se ouve. Com este tudo se cala. Com este tudo e todos se dobram. Que terá ele dado ao povo? Noutras circunstâncias e noutros contextos dir-se-ia que lhe tinha dado água de c. lavado.

Agora até já se fala na possibilidade de arquivamento do caso Freeport. Fala-se de pressões sobre os magistrados que estão com o caso. O presidente do sindicato dos magistrados do ministério público pede uma audiencia de urgência com o Presidente da República. Que poderá sair daí?

Todo este caso cheira mal, e a campanha dita negra, só o é se se revelar que tudo é uma mentira. Até lá não há campanha de cor alguma, seja ela branca, cinzenta ou negra.

Tudo isto é um espelho do nosso País.

Tudo isto me dá vomição.

(In O Primeiro de Janeiro, 09-04-2009)

És uma besta, não és amor?

Muito se tem debatido sobre as incompatibidades de interesses que a Fernanda Câncio esquece (esquecerá) ao escrever sobre assuntos que envolvem o namorado.

Eu creio que a única solução séria seria não escrever nada.Não ter opinião pública. Pois não é verdade que há outros jornalistas que podem fazer o mesmo trabalho sem levantar suspeitas, com outra liberdade? Claro que há. E é tambem claro que isso seria positivo para todos, incluindo o jornalismo.

Mas os que falam sobre o assunto juram a pés juntos que, não senhora ,a Fernanda não é nada influenciada pelos sentimentos que nutre pelo namorado! Pois se ela é tão séria e tão boa profissional! Pessoa de convicções, de antes quebrar que torcer.

Pois, são justamente essas qualidades que me levam a dizer que a cidadã Fernanda Cãncio nunca poderia, na presente situação, ter outra opinião. Se a tivesse acabava com o namoro! E a jornalista(enquanto jornalista) namora? E escrevia se a verdade, na opinião da Fernanda, fosse outra?

Mas cá no país tudo é possível, tudo é uma questão das pessoas envolvidas e das circunstâncias. Não há convicções nem regras nem verdades.

Vale tudo, até esperar que alguem escreva num dos principais jornais “és uma besta , não és, amor?”

PS.A Ana Matos Pires da Jugular, sendo médica, levou-me à velha máxima em medicina “os médicos não tratam os filhos porque lhes pode tremer a mão!” Ou tambem já não se aplica?

só disponível para Mac

Li recentemente um artigo acerca de uma aplicação informática que parece ter tudo para vir a tornar-se um êxito. O propósito desta aplicação é bloquear a capacidade de um computador se conectar à internet. O bloqueio poderá demorar um minuto ou até oito horas, dependendo da vontade do utilizador.

Incapazes de se coibirem de deitar uma olhadela furtiva ao mail, de espreitar a ver que amigo actualizou o seu estado no facebook, de dizerem ao mundo o que estão a fazer nesse instante via twitter, alguns utilizadores viram-se obrigados a instalar um programa que os impede de ligar-se à rede, permitindo-lhes os minutos ou horas de descanso (ou trabalho) que eles não teriam a coragem de obter por si.

Este programa é aquilo a que nos filmes americanos se costuma chamar o “mean motherfucker”, o tipo cool, que sabe sempre o que fazer a seguir e impõe a sua vontade aos demais. “Precisas de acabar um relatório mas tornaste a meter-te no Messenger? Eu trato já de ti…”. Mas o que mais me agrada neste história, confesso, é o nome do programa: Freedom.

Nada mais condizente com os tempos que correm do que esta liberdade que vem fardada de agente da autoridade e nos manda fechar a porta da cela.

Sócrates e Ministra vão a escolas: clima de festa. Mas,…

Os alunos estavam de férias.
Este detalhe no fim da notícia do Correio da Manhã é uma pérola da escrita.

Não resisto a sublinhar o detalhe – a visita dos governantes em tempo de pausa lectiva para celebrar na ausência dos ausentes (car@ leitor@, a redundância é intencional) as boas novas da governação.
Admito, por ser no Porto que a Srª Directora Regional também lá esteve.

Todos felizes e contentes para o boneco… sem alunos, claro!
Esses poderiam estragar a festa.

Memórias da Revolução: 13 de Abril de 1974

Marcello Caetano e Lopes Rodõ, diz o «Jornal de Notícias» de 13 de Abril de 1974, estiveram em Coimbra. Passaram a noite no Buçaco. Previam ir à serra da Estrela, mas o mau tempo não o permitiu.
Neste momento, há mais de trinta candidatos ao Eliseu. Miterrand expôs linhas moderadas, Delas reuniu-se em segredo com Giscard d’Estaign.
Na sequência do massacre de Kiryat Shemone, Israel tenciona vingar-se no Líbano.
Faltam 12 dias para a Revolução.