Azul, sff:

Eu sei o motivo. Até o podia compreender. Mas não consigo.

Logo hoje que  meu FCPorto ganhou e , pé ante pé, se aproxima do Tetra. Eu não consigo escrever num blogue assim, completamente vermelho. Mas o 25 de Abril foi vermelho? Eu julgava que tinha sido branco, azul, rosa, vermelho, laranja, CMYK, RGB, etc. Um Abril de todos e para todos. Ou será património exclusivo da esquerda vermelha? Ou a cor deriva da tonalidade do cravo? Para mim, o 25 de Abril representa a Liberdade e esta não se coaduna com uma cor em exclusivo.  A liberdade de todas as cores, de todos os tons. De todos os credos. De brancos e pretos e amarelos e castanhos e rosados.

A LIBERDADE. ponto. Vou ter de esperar pela muda da cor…

Por um país sem correntes…

25_de_Abril_by_CantosDePortugal

A imagem chama-se “25 de Abril”. Apenas. É da autoria de alguém que se identifica como CantosDePortugal. Está no Deviantart, um dos sites mais populares da Internet e que é uma montra para artistas de diversas especialidades.

Não sei quem colocou os cravos numa corrente ferrogenta. Nem sei se foi uma encenação para a foto. Mas isso também não me interessou. Interessou-me apenas a imagem de um país que se viu liberto das correntes que o impediam de chegar à liberdade.

Ainda falta cumprir Abril? Pois falta. Mas a culpa é de todos nós.

Memórias da Revolução: 26 de Abril de 1974


Termino aqui a «leitura» das capas do «Jornal de Notícias» durante o mês de Abril.
No dia 25, o «JN» teve duas edições. A primeira, a normal, tinha como manchete a visita do Subscretário de Estado da Segurança Social, Ivo Cruz, a Coimbra. São mil as carências na Assistência e excessivo o número de instituições.
O «JN» continua com a campanha contra o aumento do preço dos telefones. «Subiram os preços: Subirá também a qualidade do serviço?»
A nível internacional, a campanha presidencial francesa decorre sem tabus. Morreu, de cancro, o cómico Abbott.
No desporto, Joaquim Leite terminou a etapa da Vuelta na Montanha da Vuelta. Na Taça das Taças, o Sporting foi eliminado pelo Magdeburgo.
Poucas horas depois da saída do jornal, já estava a Revolução na rua e o «JN» publica uma edição especial. A capa, como é óbvio, é totalmente dedicada aos acontecimentos da madrugada, bem como a maior parte do jornal. «Movimento das Forças Armadas desencadeado em todo o país». As forças estão concentradas no Terreiro do Paço desde as três horas da manhã. Duas fotos com tanques no Porto intercalam mais dois títulos: «PSP e GNR não intervieram». «Tranquilidade nas ruas do Porto».
Os comunicados do MFA, diz o «JN», estão a ser difundidos através dos emissores do RCP. Os Aeroportos estão encerrados.
Chegara a Revolução.

Zeca Afonso em Caxias – Era um Redondo Vocábulo

Zeca Afonso também esteve preso em Caxias. Ali escreveu «Era um Redondo Vocábulo», do álbum «Venham Mais Cinco». «A fúria crescia / clamando vingança», dizia o autor nessa canção.

«Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar,
Pelos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio,
Congregando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança,
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincando e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa.»

Os presos políticos de Caxias

Eis a lista dos presos políticos que saíram a 26 de Abril. Uma homenagem a todos os que sairam e a todos os que não resistiram:
Hermínio da Palma Inácio, José Manuel Tengarrinha, António Dias Lourenço, Maria Helena Vidal, Marcos Rolo Antunes, Mário Ventura Henriques, Nuno Teotónio Pereira, Figueiredo Filipe, António Luís Cotri, José Alberto Costa Carvalho, Mateus Branco, Fernando Pinheiro Correia, Maria Helena Neves, Vítor Manuel Caetano Dias, Joaquim Gorjão Duarte, José Manuel Martins Estima, Pedro Mendes Fernandes Rodrigues Filipe, Orlando Bernardino Gonçalves, José Ferreira Fernandes, Norberto Vilaverde Isaac, Manuel Miguel Judas, Albano Pedro Gonçalves Lima, Vítor Serra Lopes, José Rebelo dos Reis Lamego, Carlos Manuel Simões Manso, Horácio Crespo Pedrosa Faustino, António Pinheiro Monteiro, Maria Elvira Barreira Ferreira Maril, Armando Mendes, Liliana de São José Teles Palhinhas, António Manso Pinheiro, João Duarte Pereira, Eugénio Manuel Ruivo, Maria Rosa Pereira Marques Penim Redondo, Fernando José Penim Redondo, Fernando Domingues Sanches, Manuel Gomes Serrano, Ezequiel de Castro e Silva, João Pedro de Lemos Santos Silva, Carlos Manuel Oliveira Santos, José Adelino da Conceição Duarte, Acácio Frajono Justo, Rafael dos Santos Galego, Ramiro Antunes Raimundo, Margarida Alpoim Aranha, Luis Manuel Vítor Moita, Maria Vítor Moita, Manuel Policarpo Guerreiro, Maria Fernanda Dâmaso de Almeida Figueiredo, Manuel Martins Felizardo, João Filipe Brás Frade, Joaquim Brandão Osório de Castro, Fernando da Piedade Carvalho, Carlos Alberto da Silva Coutinho, Maria de Fátima Pereira Bastos, Maria Rodrigues Morgado, Carlos Biló Pereira, Fernando Nunes Pereira, Ernesto Carlos Conceição Pereira, António Manuel Gomes Rocha, António Vieira Pinto, José Casimiro Martins Ribeiro, Henrique Manuel Sanchez, Mário Abrantes Oliveira da Silva, Amado Jesus Ventura Silva, Manuel José Coelho Abraços, Manuel dos Santos Guerreiro, Maria Manuela Soares Gil, Luís Filipe Rodrigues Guerra, João Boitout de Resende, Álvaro Monteiro Rodrigues Pato, Ramiro Gregório Amendoeira, Vítor Manuel Jesus Rodrigues, Abel Henriques Ferreira, Ivo Brainovic, José Tavares Magro, Rogério Dias de Carvalho e Miguel Camilo.
Para além destes homens, que saíram de Caxias logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, não devemos esquecer todos aqueles que por lá passaram nos anos anteriores. Álvaro Cunhal, Francisco Miguel Duarte, Domingos Abrantes, António Joaquim Gervásio, Francisco Louçã, Arnaldo de Matos ou Zeca Afonso.

A sombra de Caxias (IV – A libertação dos presos políticos)

continuação de I, II e III)
 
Uma das primeiras medidas a tomar depois do fim do regime prendia-se com a libertação dos presos políticos, que continuavam em Caxias e noutras prisões. Para esses, detidos por razões exclusivamente políticas, a liberdade começou mais tarde.
Uma das facções mais radicais do MFA defendia que a libertação de Caxias se processasse de imediato e sem quaisquer tergiversações. Já outros sectores, mais moderados, eram da opinião de que os crimes de sangue deviam ficar de fora. A primeira posição acabou por sair vencedora, embora a abertura das portas não se tivesse processado de imediato.
A prisão foi tomada às sete da manhã por um grupo de fuzileiros especiais e pára-quedistas, comandados respectivamente pelo Comandante Monteiro Serra e pelo Capitão Mário Pinto. Comandava então a prisão de Caxias o Tenente Neves de Matos, elemento da GNR. Sem oferecer resistência, entregou-se às forças que tomaram posse do complexo e ali ficou sob o seu controle.
Na mesma altura, o grupo comandado pelos Comandante Monteiro Serra e Capitão Mário Pinto, já referidos, prendeu sem qualquer resistência vários elementos da PIDE/DGS. Entre eles, quatro agentes motoristas e os inspectores Passos (director do estabelecimento prisional), Parra da Silva (director do reduto norte) e Tinoco, ligado à investigação.
Barbieri Cardoso, um dos mais conhecidos inspectores da PIDE, o inspector Mortágua e o chefe de brigada Inácio Afonso poderiam também estar presos, numa altura em que ainda não se sabia muito do que tinha realmente acontecido. O «Expresso» do dia 27 de Abril de 1974, escassas horas depois do acontecimento, levantava ainda esta e outras hipóteses acerca de eventuais detenções.
Pode-se considerar uma grande operação mediática, o momento da libertação dos presos de Caxias. Chegaram os jornalistas à parada e os presos começaram a lançar cravos vermelhos sobre eles, iguais às que os fuzileiros tinham a ornamentar as suas armas.
Aproximava-se o grande momento. A ordem definitiva é recebida no interior da prisão e os fuzileiros que a guardavam começam a abrir as celas. Nove mulheres e setenta homens abraçam a liberdade com todas as suas forças e saem finalmente para o exterior.
No entanto, de repente, um «golpe de teatro». Os jornalistas recebem ordem de retirada e os presos são obrigados a recolher de novo às suas celas. Momentos antes, Spínola acabava de dizer que era preciso estudar o caso daqueles que tinham cometido crimes de sangue.
Foi apenas uma questão de horas. O MFA impôs a sua vontade e, à noite, os presos acabaram mesmo por ser todos libertados.
Nesse histórico 27 de Abril de 1974, as objectivas dos fotógrafos e as câmaras da RTP fixaram para a posteridade os mágicos momentos da libertação de Caxias. Quem não se lembra dos longos abraços entre familiares, amigos e camaradas! Quem não se lembra dos fartos bigodes e boinas na cabeça dos recém-libertados! Quem não se lembra das comovidas expressões «Ó meu amigo!», «Ó meu amor!», ou das mais prosaicas «Fixe, pá, fixe!»
Quem não se lembra de que, naquele dia, em Caxias, concelho de Oeiras, «a liberdade passou por aqui».

13.00 – Início da libertação de Caxias

13.00 – Uma Força de Fuzileiros e Paraquedistas comandado pelo Cap.Ten. Abrantes Serra e Cap. Mário Pinto, ocupam o forte de Caxias colocando a GNR sob seu controlo. Apesar de algumas hesitações por parte da Junta, até ao fim do dia todos os presos políticos seriam libertados.
in http://www.25abril.org/index.php?content=1&c1=8&c2=15

01.30 – A Junta de Salvação Nacional


01h30 – A Junta de Salvação Nacional – de que fazem parte o capitão-de-fragata António Rosa Coutinho, coronel Carlos Galvão de Melo, general Francisco da Costa Gomes, brigadeiro Jaime Silvério Marques, capitão-de-mar-e-guerra José Pinheiro de Azevedo e o general Manuel Diogo Neto, ausente do Continente – apresenta-se à Nação, através da Rádio Televisão Portuguesa, lendo uma proclamação e tendo o general António de Spínola como Presidente.

in http://www.instituto-camoes.pt/revista/cronologia.htm