A Minha Primeira Vez…

Não sei se ainda existe mas a Antena 3 tinha um spot que dizia: “A minha primeira vez foi na 3“. Já um amigo meu, um gabarolas, costuma dizer: “A minha primeira vez foi a três”. Ora, a minha primeira vez foi…”colectiva“. A minha primeira vez na blogosfera, entenda-se…
Foi num blogue colectivo, o já defunto “Quando Calhário”, que me iniciei nestas coisas. Depois vieram outros. Nos últimos tempos bloguei a solo no “Sinaleiro da Areosa”. Entendeu um amigo do Aventar meter-se na alhada de me convidar a fazer parte deste grupo. Confesso que hesitei um pouco menos que o Miguel Dias. Ao José Freitas só a contragosto digo que não. Contem comigo.
E mais não digo que hoje o meu Porto perdeu e as grandes dores são mudas.

Memórias da Revolução: 15 de Abril de 1974

A 15 de Abril de 1974, israelitas e sírios batiam-se no monte Hermon: dezenas de homens foram mortos na disputa de um «pico nevado».
Entretanto, a nível nacional, surgem preocupações quanto à praia Figueira da Foz: é possível conciliar petróleo com turismo. O turismo ainda lá anda, o petróleo é que não.
A Direita francesa tenta ainda a unidade em torno de Messner. Miterrand esclarece que não é antiamericano.
Faltam 10 dias para a Revolução.

Os F 16 de Portas que nunca voaram

Afinal andam por aqui.Convertidos em OVNIS e pagos pelos Tugas.
Trata-se de uma filmagem feita por uma turista alemã numa praia em Tobago.

Se não é verdade é bem apanhado!

Novas taxas e impostos: uma ajuda para reduzir o défice

Estou (acho que estamos todos) preocupado com o défice e a situação aflitiva das contas do Estado (isto é, de todos nós). Em vez de ficar com lamentações e lamurias, fui à procura de ideias e sugestões para ajudar o Governo. Enfim, fiz o que qualquer cidadão deveria fazer. Não coloquei os pés ao caminho mas decidi utilizar os dedos e a internet, seguindo os mandamentos do choque tecnológico, para tentar encontrar algumas propostas.

Não precisei de procurar muito. É certo que contei com algumas ajudas mas a partilha de sugestões é uma das coisas boas da Internet. Assim, decidi recomendar ao Governo a recuperação de algumas taxas e multas de outros tempos. Todas as que aqui proponho são passíveis de actualização.

  1. A taxa da barba. Foi criada por Pedro, o Grande, que detestava barbas. O grande líder de outros tempos obrigava ao pagamento de uma multa e o detentor dos pêlos faciais ainda tinha de usar uma medalha a admitir que usar barba era ridículo. Bela ideia para os dias de hoje. Claro que o célebre Barbas teria de admitir, numa medalha, que o Benfica joga de forma ridícula.
  2. É ilegal comercializar drogas mas nos EUA há um artigo do código de IRS que obriga quem obtém rendimentos deste tipo de comércio a declara-lo e a pagar imposto sobre isso. Por cá, podíamos fazer o mesmo. Aposto que as receitas do Estado aumentavam muito, em particular em certos círculos.
  3. Oliver Cromwell criou, em 1665, uma taxa que deveria ser paga por quem criticasse o Rei. Cá, seria aplicada a quem criticasse o primeiro-ministro. Imagine-se o espectáculo. O único senão é que teríamos de importar cofres e isso não seria bom para a balança comercial. Mas que se lixe.
  4. No século XIV, em Inglaterra havia uma taxa que era aplicada a toda a gente, apenas por terem a mania de existir. Quem estivesse vivo, pagava. Nos dias de hoje seria o imposto perfeito. Todos pagavam. Claro que haveria uma comissão da AR para determinar se algumas pessoas existiam realmente ou eram apenas virtuais. O Pacheco Pereira, por exemplo. E eventualmente o Manuel Fino.
  5. Taxar o sal. Aplicar taxas ao sal é histórico. O sal sempre foi fundamental ao longo da história (que o digam os soldados romanos que recebiam o vencimento em sal, o salarium, que deu origem ao nosso salário, e veja-se a desvalorização que ambos registaram em cerca de dois milénios). Esta taxa ajudou a revoluções em muitos locais e motivou Gandhi para manifestações na Índia. Com este imposto as receitas do Estado aumentavam e os casos de hipertensão desciam, com a correspondente queda das comparticipações em fármacos. Só vantagens.
  6. Recuperar o imposto de isqueiro dos tempos da outra senhora. Voltávamos a ajudar a pujante indústria fosforeira nacional (há uma empresa) e com o elevado número de incendiários que temos (na blogosfera é um fartote) a máquina registadora do Estado estaria sempre com aquele ruído engraçado de “tlim, tlim”.
  7. Multar quem permaneça nas estações de metro do Porto ou as atravessar sem ter bilhete válido. Bela ideia, não? E inovadora. Oh, diabo. Dizem-me que esta multa está em vigor nos dias de hoje. E que foi aprovada na AR em 2006. Afinal, estou mais descansado. Com deputados criativos como estes, estamos safos.

«Não me parece que na PSP exista homossexualidade. É um mundo muito masculino»


A frase, publicada ontem no «Jornal de Notícias», é de António Ramos, do Sindicato dos Profssionais da Polícia. Assim mesmo. ««Não me parece que na PSP exista homossexualidade. É um mundo muito masculino».
A reportagem vem na sequência de uma discussão acerca dos Estatutos da PSP, que não incluem a não-discriminação pela orientação sexual. Ou seja, a Polícia pode continuar a discriminar em função da orientação sexual porque não há nada nos Estatutos da PSP que diga o contrário.
Honra seja feita ao Sindicato Unificado da PSP, que pretende a inclusão desta cláusula na revisão dos Estatutos da PSP que está a ser feita neste momento. E honra seja feita aos Polícias que, na reportagem do jornal, assumem a sua homossexualidade e descrevem o que tem sido a sua vida profissional, muitas vezes na luta contra o preconceito e a injustiça. Um deles, quando passou pelos Açores, chegou a ser questionado pelo comandante pelo facto de ser «gay». Um outro viu o seu nome com asterisco na lista dos agentes femininos. A ler.
Quanto à frase do sindicalista António Ramos, seria cómico se não fosse tão trágico.

Soeiro Pereira Gomes nasceu há 100 anos (II)


(parte anterior aqui)
Joaquim Soeiro Pereira Gomes é uma das figuras maiores de Vila Franca de Xira. Mesmo não tendo nascido no concelho, a população, sobretudo a de Alhandra, vê-o como um dos seus.
Soeiro Pereira Gomes nasceu em Gestaçô, Baião, em 1909, no seio de uma família de pequenos agricultores. Fez os primeiros estudos na terra-natal e seguiu para Coimbra, onde tirou o curso de Regente Agrícola.
Em 1930 e 1931, trabalhou em Angola ao serviço da Companhia de Catumbela, mas regressou devido às más condições de trabalho e ao clima demasiado rigoroso. Apesar de curta, esta experiência em África deu-lhe uma consciência diferente dos valores do humanismo e da liberdade, devido à opressão colonial que ali sentiu bem de perto.
Instalou-se então em Alhandra e começou a trabalhar como chefe de escritório na fábrica «Cimento Tejo», que pertencia ao Grupo Sommer Champalimaud.
A sua intervenção política iniciou-se nos finais dos anos 30, no momento em que aderiu ao Partido Comunista. Pouco tempo depois, integrava já o Comité Central de Alhandra e participava activamente na acção cultural e política que o Partido desenvolvia em todo o Baixo Ribatejo.
Algumas das iniciativas que protagonizou foram extremamente importantes para o desenvolvimento da freguesia de Alhandra. Organizou cursos de ginástica para os operários da fábrica onde trabalhava, ajudou a criar bibliotecas populares nas sociedades recreativas e impulsionou a construção de uma piscina, a «charca», que servisse toda a população.
Era uma altura em que, em Alhandra, os assalariados da indústria e da agricultura lutavam, em conjunto, por melhores condições de vida.
Ao mesmo tempo, começa a dedicar-se à literatura e ao movimento neo-realista, que então dava os primeiros passos. Escreve para o «Sol Nascente» e para «O Diabo» e recebe em sua casa figuras como Sidónio Muralha, Alexandre Cabral e Alves Redol. Com este último e ainda com Dias Lourenço, promoveu e animou inúmeras excursões de fragata no rio Tejo, os tais «passeios culturais» a que anteriormente aludimos. Mais do que a confraternização, o objectivo era o trabalho político e a conspiração contra o regime.

Os célebres «Passeios Culturais no Tejo».  Na imagem da direita, Álvaro Cunhal.

Entre 1940 e 1942, Soeiro Pereira Gomes participou na reorganização interna do Partido Comunista e ingressou no Comité Central do Ribatejo. No seguimento da acção cívica que desde cedo empreendera, empenhou-se activamente no resgate de muitas famílias afectadas pelo grande ciclone de 1941. Tripulando uma frágil barca no Tejo, com três outros trabalhadores de Alhandra, salvou mais de vinte assalariados que se refugiavam da intempérie numa pequena ilhota em frente à cimenteira, o Mouchão de Alhandra.
Foi nesse mesmo ano que publicou «Esteiros», uma obra editada pela Sirius e ilustrada por Álvaro Cunhal. Dedicou-a aos adultos que nunca foram meninos. Crianças que foram obrigadas a trabalhar quando deviam estar a estudar, crianças tão aventureiras quanto miseráveis. Não escondendo demasiadamente os seus sentimentos, o autor indigna-se pela exploração infantil de que são vítimas essas crianças e transmite a sua ternura por elas.
Soeiro Pereira Gomes conhecia bem a realidade de que falava em «Esteiros». Personagens como as do João Gaitinhas, do Maquineta, do Malesso, do Cocas, do Sagui ou do Gineto eram, afinal, bem reais. Representavam as vítimas das injustiças sociais, da exploração dos fracos pelos fortes, do monopólio crescente da grande fábrica perante as pequenas e médias empresas.

AS ESCOLHAS DA DRª MANUELA II

Vá-se lá saber porquê, a senhora escolheu o sr Rangel. É o menino bonito da drª Manuela. Já o tinha escolhido para comandar os seus pares na Assembleia da República. A meu ver uma má escolha de então, ficou muito aquém do seu antecessor (não é que esteja a fazer um mau trabalho agora, mas o outro era bem melhor), e uma má escolha agora, pois terá uma derrota anunciada no confronto com Vital Moreira.
Eu gostaria de estar enganado, eu gostaria de, daqui a uns meses vir aqui, humildemente, falar do meu erro de apreciação, de vir dizer que afinal a escolha tinha sido boa, mas não me parece possível. O candidato, apesar de inteligente e de parecer ter boas ideias, não tem carisma.
O nome mais falado nestes dias, nem chegou a ser considerado pela chefe do partido, e pela primeira vez, a drª Manuela, teve uma reacção negativa de alguns dos seus segundos, muito embora, na apresentação do nome, tudo se tenha calado e ninguém fez ondas, ou ainda a senhora se zangava e não haveria lugares para os que os esperam.
Nada tenho contra o actual cabeça de lista do PSD. Realmente as suas últimas prestações têm sido razoáveis, tem vindo a melhorar, a argumentação tem melhorado, e tem vontade e capacidade, mas havia tantos outros nomes melhores e mais capazes para esta luta, que me parece mais um erro da drª. Mas mais à frente é que se vai ver.
Parece-me que só o partido do governo fica a ganhar com esta candidatura.

METRO, BOAVISTA / CAMPO ALEGRE

Na polémica que por aí andou, e hoje está um pouco adormecida, sobre as linhas de Metro que o Porto deveria ter, e sobre a escolha entre a linha da Boavista e a do Campo Alegre, não sou a favor de uma em detrimento da outra. Antes sou a favor das duas.
Qualquer uma delas tem os seus defeitos e as suas virtudes. Qualquer uma delas é necessária à zona que atravessa. Uma não tira utentes à outra. Fazem parte de uma (mais uma) guerra entre a Câmara da cidade e o governo da República.
A polémica mais recente prende-se com o projecto que a Empresa do Metro apresentou para a linha do Campo Alegre. As críticas aparecem de todo o lado. Vozes de ilustres da cidade, levantam-se contra a proposta. A população está desta vez totalmente ao lado dos notáveis. As vozes de uns e de outros levantaram-se já no Auditório da Universidade Católica, cheio de gente a contestar o projecto. A hipótese de um abaixo-assinado para exigir que o projecto seja diferente, é mais que certa.
A proposta, apelidada por muitos de aberração, aborto urbanístico, atentado e absurdo, passa pelo enterramento da linha a partir de Lordelo, deixando à superfície a parte ocidental da linha.
Ora é nessa parte, na deixada à superfície que as opiniões se não dividem. Tem de ser enterrada!
Os custos da implementação da linha “por cima”, são enormes, atrofiando toda a zona envolvente, e destruindo toda uma área privilegiada.
Não se compreende muito bem, a não ser por motivos maquiavélicos de carácter político, que tal proposta tenha sido apresentada e muito menos que não seja modificada.
É evidente, para mim, que o Presidente da Câmara vai contestar este projecto, que a não ser mudado, irá provocar mais uma guerra do género da do túnel de Ceuta, com a razão do lado da edilidade e a tentativa de aproveitamento político do lado do governo.
Esperemos pelos desenvolvimentos de mais um caso que ainda se vai arrastar por muito tempo.

Small is beautiful.Lembram-se?

Foi moda na gestão. Controlo pela qualidade, virada para o mercado, recursos humanos “poucos mas bons”, toda uma filosofia de vida.

Depois, à mesma velocidade como apareceu foi submersa pela concentração, fusões, havia que ganhar dimensão, compras de concorrentes, pela via orgânica…

Ninguem sabia mas vinha aí a globalização, mercados globais, dimensão maior que alguns Estados. Ganhar competitividade, baixos salários na India e na China, massa cinzenta nos países mais avançados e perto dos grandes mercados.

Enquanto isto se fazia à velocidade de um meteorito largado no espaço sideral, o controlo e a regularização mantiveram-se ao nível do mercado caseiro, incapaz de perceber que para mercados globais, regulação global.

Um dos pais do monstro foi este senhor. Escutem-no:

“Novos desafios regulatórios aparecem por causa do facto provado recentemente que algumas instituições financeiras se tornaram muito grandes para falharem,na medida em que a sua falência levantaria preocupações sistémicas.A solução é desencorajá-los a tornarem-se demasiado grandes!”

Pois é, o senhor é o ex-presidente da Reserva Federal dos US, Alan Greenspan !

Durante vinte anos jurou a pés juntos que a regulação é que era o impecilho a abater!