Memórias da Revolução – 1 de Abril de 1974


O mês de Abril, no «Jornal de Notícias», iniciava-se com o rescaldo do Sporting-Benfica da véspera. O Benfica fora a Alvalade vencer por 5-3, mas iria acabar por perder o Campeonato Nacional para os rivais da Segunda Circular. No camarote presidencial, uma personalidade que chegara de surpresa. «O senhor professor Marcello Caetano, adepto do desporto, assistiu ao jogo acompanhado dos senhores professores Veiga Simão, ministro da Educação Nacional (…) e dos senhores Borges Coutinho e João Rocha. O presidente do Conselho foi alvo de calorosa manifestação do público que, de pé, o saudou entusiasticamente». Convém dizer que a presença de Marcello Caetano fora omitida nos dias anteriores, para que não houvesse problemas.
Ainda nesse dia 1 de Abril, o «Jornal de Notícias» noticiava a Maratona do Ritmo, que se realizara no Porto e que culminara com a vitória de um tal de Quim, o «Cubillas do Tango».
Nas Antas, diz o «JN», Cubillas e Crujff iriam estar reunidos numa sessão publicitária, ao mesmo tempo que na Avenida dos Aliados estavam a decorrer gravações do filme «Simplesmente Maria». Eram as duas mentirinhas de 1 de Abril.
Faltavam 24 dias para a Revolução.

Souls of Fire: Reggae de intervenção

«Eu não quero dizer mal de nenhum sound system / São irmãos nesta luta de mensagem activista / O que eu quero explicar é que alguém ganha por tabela / Promovem uma mentira e anda lucram com ela».

Porque é Abril!

 
Porque é Abril e aproxima-se o dia mais belo da democracia portuguesa, aqui no Aventar vamos seguir o bom exemplo de Maria João Pires nos tempos do «5 Dias» e consagrar o mês que hoje se iniciou à Revolução do nosso contentamento. Um «post», pelo menos um, evocará diariamente a memória do 25 de Abril. Um dia que está bem vivo no coração de todos aqueles que amam verdadeiramente a liberdade e a igualdade. Um dia que, infelizmente, está morto e enterrado para aqueles que detêm e que detiveram o poder em Portugal nos últimos 35 anos.
Convém não esquecer todos os heróis que lutaram pela liberdade. Convém não esquecer todos os parasitas que viveram e vivem à custa de uma liberdade conseguida por outros. E enchem a boca com a palavra liberdade e com a palavra Esquerda! Convém não esquecer todos os execráveis energúmenos que não descansaram enquanto não despedaçaram as conquistas de Abril. Tenhamos momentos de lucidez suficientes para denunciá-los.
Sabem de quem eu estou a falar. E nós, aqui no Aventar, também sabemos. Haverá surpresas em breve.
(imagem retirada de in wehavekaosinthegarden.blogspot.com)

Não gosto do 1 de Abril

Porquê? Porque é o dia das mentiras. E eu não gosto de ser enganado ou que me mintam. Para isso já contribuíram anos e anos de políticas sociais neste país. Chega de mentiras. É que nem a brincar. Eu próprio pensei em fazer uma piadita sobre isso. “Vou dizer que me vou filiar num partido político para o destruir de dentro para fora!” – pensei eu para o teclado. E a veracidade deste pensamento é de que pesquisei pelos sites dos partidos políticos para procurar as propostas para militante e tudo… depois desisti
…mas depois pensei novamente: em 1983 a Associated Press publicou um artigo falso sobre a própria origem do dia 1 de Abril e teve de mais tarde desmentir toda a notícia porque dezenas de jornais acreditaram na notícia e começaram a publicá-la como verdadeira. Ainda hoje na internet permanece a história e começa a diluir-se nas histórias (supostamente) verdadeiras da origem do 1 de Abril. Pensei também: em 1974, em Portugal, contaram muito mal uma história de democracia ao povo português, que (supostamente) faria com que as pessoas tivessem boa qualidade de vida, justiça e liberdade…e ainda hoje essas pessoas (e entretanto, outras mais recentes) continuam a enganar as pessoas com as mesmas histórias falsas… A informação perde-se com demasiada facilidade para brincarmos com ela…

E então deixei de pensar no dia das mentiras e apaguei tudo o que tinha escrito com graçolas sobre este dia… Se quiserem mudar o nome da festividade para dia das piadas ou dos sketches, tudo bem! Dia das mentiras, para mim é que não! Basta de treta! Isto não quer dizer que não goste de soltar umas gargalhadas. Sou multifacetado. Tanto posso ser um parvalhão insultuoso como um pateta cheio de graçolas. E para provar isso sugiro – contraditoriamente à minha própria opinião e até porque em alguns sítios, o 1 de Abril é o dia dos parvos – uma personagem que passou tanto tempo da sua vida a mentir e a enganar os outros, que quando morreu, os fãs pensaram que era mentira… e era mesmo! Quer dizer, não se sabe ao certo. E prova também que tudo tem utilidade neste mundo, nem que seja para servir de mau exemplo: Andy Kaufman.

Na política, todos os argumentos são bons, mas uns são melhores que outros

O poeta TS Eliot, enquanto director da editora Faber and Faber, nos anos 40 do século passado, recusou o manuscrito de “O Triunfo dos Porcos”, de George Orwell, por considerar a obra “nada convincente” e “trotskista”.

Numa carta de 1944 em que justifica a sua recusa em publicar a obra na editora, Eliot afirma que não era “o momento” para publicar o romance declaradamente anti-totalitarismos, mas que soava a anti-estalinista.

“Não estamos convencidos de que seja o ponto de vista correcto. É a obrigação de qualquer editora de interesses e motivos distintos dos meramente comerciais publicar livros que vão contra a corrente do momento”, escreve.

O poeta e editor observa ainda não estar seguro de que aquilo que Orwell conta no seu romance “seja o que há que dizer neste momento”. Na sua carta, Eliot argumenta que o ponto de vista de Orwell, que o poeta considera “trotskista”, “não é convincente”.

Eliot, por esta altura, já tinha trabalhado na área de gestão de contas do famoso Banco Lloyds. Com toda a certeza, deveria ter recebido a cartilha da fundamental conciliação dos interesses com as necessidades, das manobras políticas da arte e da melindrosa arte da política. Não sei se pressionado ou não, mas algo ou alguém deve ter dito ao poeta que não seria boa política publicar o livro “contra a corrente do momento”.

Não foi a história da revolta dos animais de uma quinta contra o agricultor ditador e a futura transformação dos porcos em dominadores de todos os outros animais que melindrou o Nobel de 1948. Eliot deverá mesmo ter apreciado a poesia de uma frase reveladora que ficou para a história: “Todos os animais são iguais mas uns são mais iguais que outros”.

A Eliot parece ter incomodado em particular a caracterização que Orwell faz dos porcos na obra. No romance, Napoleão (nome significativo), o suíno brutal que lidera os porcos ‘maus’, surge com traços de caracterização de Estaline. Napoleão derrota Bola de Neve, um animal mais simpático, benfeitor de outros, que parece apontar para o estilo de Trotsky, ex-dirigente comunista que terá sido assassinado por ordem do georgiano.

Apesar dos elogios à obra, “estamos de acordo em que é uma destacada obra literária: a fábula está tratada com grande habilidade e a narrativa mantém sempre o interesse do leitor”, TS Eliot chumbou a publicação do livro, que qualificou de “boa literatura”, caracterizada por uma “integridade fundamental”.

Em linguagem mais corrente, o chumbo foi aplicado porque não dava jeito que o livro fosse publicado. Naquele momento e apesar dos interesses comerciais.

“O Triunfo dos Porcos” foi publicado em Inglaterra pela primeira vez em Agosto de 1945 pela Secker and Warburg.

A carta aqui citada faz parte da colecção particular da viúva de Eliot, Valery, desde a morte do autor de “Quatro Quartetos”, será mostrada num documentário a exibir em breve na BBC.

Bem vistas as coisas, pouco ou nada muda, ao longo dos tempos, quando se trata de abordar o poder, a política, as conveniências e os momentos pouco ou nada adequados.

M de Magalhães, M de mentira.

De volta para o dia 3 de Abril. Desta vez vamos teclar sobre a mais intrigante das mentiras: o Magalhães!

Nicholas Negroponte é um dos mais brilhantes cientistas do MIT –Massachusetts Institute of Technology, um dos líderes mundiais em ciência e tecnologia.
Autor de «Vida Digital», foi o primeiro a desafiar a comunidade científica, bem como a indústria das novas tecnologias, a desenvolverem um computador de baixo custo que contribuísse para aumentar o acesso das classes menos favorecidas à era digital. Se quisermos, a ideia central era produzir um portátil a custos reduzidos que, de algum modo, permitisse a verdadeira globalização, nomeadamente nos países subdesenvolvidos e nos emergentes.
A singularidade do projecto não vem tanto da ideia em si mesma, mas do facto de Negroponte projectar a necessidade de envolver as grandes empresas mundiais neste processo: Google, Microsoft e outras.
Porque o dinheiro nem sempre – quase nunca? – combina com ética, um dos parceiros (a Intel) meteu pés ao caminho, deixou o projecto “One Laptop Per Child” (Laptop XO) e avançou com o Classmate.

One Laptop Per Children

One Laptop Per Children

Estava lançada a “guerra entre o OLPC e o Classmate”: o negócio dos portáteis de baixo custo.

Por cá, importa perguntar: Porquê o Classmate e não o melhor e mais barato?

Ao longo dos últimos anos, a Intel tem procurado parceiros de âmbito nacional, de modo a expandir o seu negócio. Com mais ou menos cor, laranja ou azul, fica a sensação de que “vale tudo” para expandir o conhecimento – o Classmate é, há algum tempo, uma realidade no Vietname (Hacao), Brasil (Mobo Kids), Indonésia (Zyrex), Chile, Líbia, Itália (JumPC) e em muitos outros países – em Espanha é o Invés Junior.
Na venezuela sabemos agora que até vai mudar de nome.
Numa perspectiva de maximização do lucro, a estratégia da empresa na aproximação aos diferentes mercados assenta quase sempre em duas ideias-base: entregar aos respectivos países a montagem das máquinas, numa ilusória forma de sugerir que assim se cria emprego e encontrar um pretexto de comunicação que induza na população a ideia de que está perante uma necessidade quase existencial, seja para aprender o Corão, na Malásia, ou para saber mais sobre os descobrimentos, em Portugal.
Até na perspectiva do emprego, além da JP Sá Couto que monta peças vindas do Oriente ou dos States, o que poderia a Quimonda fazer num projecto destes?
É assim que os americanos acabam por conseguir um excelente negócio em Portugal – um custo na ordem dos 350 euros garante à Intel um lucro substancial, sobretudo se pensarmos que o OLPC tem um custo inferior em mais de 50%. O nos que leva a perguntar: porque optou o Governo pelo produto mais caro, ainda por cima sem qualquer tipo de concurso?
Porque optou o Governo pelo produto de menor qualidade,algo absolutamente confirmado pelos especialistas, que colocam o XO muito à frente do Classmate?

Anestesia Geral

Depois das frases que coloco em baixo,do Bastonário da Ordem dos Advogados ,não merecerem qualquer reacção,só pode ser por estarmos todos anestesiados.Do Presidente da República ao Ministério Público,passando pelo vígia das Berlengas!
Cheira cada vez mais a clorofórmio, há uma anestesia que se vai infiltrando,como quem não quer a coisa.

Leia e avente!

-Há pessoas que ocupam cargos de relevo no Estado português que cometem crimes impunemente! DN,27Jan08

-Alguns magistrados pautam-se nos tribunais portugueses como os agentes da PIDE se comportavam nos últimos tempos do Estado Novo! RTP,10Jul08

-Uma senhora que furtou um pó de arroz num supermercado foi detida e julgada.Furtar ou desviar centenas de milhões de euros de um banco ainda se vai ver se é crime! JN,28Dex,08

-Pelos vistos, nenhum banco pode ir á falência! Público,30Dez,08

-Estão-se a descobrir podres que eram inimagináveis há uma dúzia de meses.E não é por efeito da crise.É por efeito da lógica do próprio sistema.Parece que o sistema financeiro só funciona com um pé do lado de lá da legalidade!JN,Dez08

-Há centenas ou milhares de pessoas presas (em Portugal) por terem sido mal defendidas! Público,27jun08

E este artigo ainda estava a ganhar fôlego e já o Sr. bastonário nos vem dizer que a carta anónima que apareceu na PJ acerca do Freeport, foi “cozinhada” pela própria PJ, por jornalistas e por políticos afectos ao PSD!

Que as cartas anónimas e as notícias dos jornais resultam de “ajustes de contas” já todos sabíamos,Agora, que seja a própria PJ a enviar cartas a si própria ,é que nunca ninguem tinha dito em voz alta.

Isto é mesmo um Estado de Direito?

NOTA: Os novos desenvolvimentos do caso Freeport,após o texto público de Marinho Pinto, especialmente “as pressões a que os magistrados estão sujeitos no caso Freeport” no dizer do Presidente do Sindicato, colocam na ordem do dia a possibilidade do texto de MP ser um texto defensivo,no sentido do arquivamento do processo.A ser assim, é mais uma voz livre que se calou!

Uma manifestação artística

Um número indeterminado de alunos encontra-se barricado no interior das instalações da Faculdade de Belas Artes do Porto.  Protestam contra o aumento das propinas e reivindicam mais acção social, diz o JN (11h30).

“A Faculdade encontra-se fechada e sem aulas e vários alunos iniciaram uma marcha de prostesto até à reitoria da Universidade do Porto”.

Está-se mesmo a ver o que vai dar: quando acabar não vão conseguir nada, a não ser promessas. Depois vão a tribunal por causa da barricada e ainda vão responder que não houve nenhuma barricada, que tudo não passou de uma manifestação artística, um trabalho escolar de grupo. E contava para nota.

Porque não caímos da cama enquanto dormimos?

Aparentemente, os mecanismos cerebrais que permitem esta pequena façanha são em tudo semelhantes aos que temos para que deixar de fazer chichi na cama. São mecanismos básicos interiorizados. Sempre que dormimos, uma parte do nosso cérebro continua a funcionar (curiosamente ao contrário de alguns cérebros lusos que deixam de funcionar quando acordam) e zela por todas as funções corporais, pelo bem-estar e saúde do corpo. Por isso não caímos da cama e não fazemos chichi nela. Esta é um informação que é interiorizada e automatizada como uma medida de segurança e sobrevivência. Para mim, isto é espectacular. Apesar de sempre me afligirem estes mecanismos incontroláveis, que me controlam, enquanto eu estou ali deitado inconsciente a dormir… E se o meu fígado, ou o meu baço me decide pregar uma partida durante a noite? Que cenário Hitchcockiano e arrepiante…
As minhas dúvidas e arrepios com estas questões levantaram-se novamente com esta questão do Isaltino ir a tribunal.
Não conheço esta personagem e nem quero. Mas diz o Correio da Manhã que, “Isaltino Morais confessou um dos sete crimes de que está acusado: fraude fiscal. O autarca admitiu em tribunal que não declarou a totalidade de uma casa em Miraflores e de duas garagens, na década de 90, mas classificou o acto de “normalíssimo”. Segundo o autarca de Oeiras, desta compra foram declarados 162 mil euros na escritura, tendo sido pagos mais tarde 57 mil euros. Em sua defesa, Isaltino afirmou que naquela altura esta era uma prática corrente. Assumiu ainda que não declarou excedentes de algumas vendas, “à semelhança de todos os cidadãos”. Na segunda sessão do julgamento que envolve contas não declaradas na Suíça, o autarca afirmou que os montantes que mantém no estrangeiro referem-se a heranças, dividendos de doações familiares, investimentos na bolsa, e referiu que tem ainda cerca de 400 mil euros que dizem respeito a “sobras de campanhas eleitorais”. Em sua defesa, Isaltino Morais recusou ser “o monstro que é apresentado na acusação” e, apesar de assumir que cometeu ilegalidades, “inconscientemente” é verdade, garantiu estar “inocente”.
Nas minhas “voltas” pelos dicionários, uma das palavras mais poderosas que encontrei recentemente foi empatia. Se este fulano soubesse o que significa, poderia tomar o meu lugar e perceber o que eu sinto com estas situações insultuosas. Assim rapidamente poderia pegar nas suas malinhas Luis Vuitão compradas na feira com as “sobras das campanhas eleitorais” e ia passear para bem longe de mim, até cair de podre com o seu sobrinho na Suíça!!!
Ponderei durante uns três segundos sobre insultar esta personagem. Mas depois achei “normalíssimo” e faça-o “à semelhança de todos os cidadãos”. Este Isaltino veio em definitivo provar que há pessoas que são “inconscientemente” corruptas. Ele não tem culpa. Foi um qualquer mecanismo que foi criado inconscientemente durante a noite e que ele não pode controlar. Eu percebo. Desenvolveu um mecanismo cerebral automatizado vocacionado para a fraude fiscal, assim como uma criança os desenvolve para não cair da cama. Espero que o Isaltino não tenha problemas de micção nocturna! Isso era mesmo ridículo! Mas a partir de agora é assim que eu o vejo e não é nada agradável. Não menos ridículo é ver uma pessoa admitir que cometeu crimes, mas garantir que está “inocente”! É uma situação tão idiota que nem se consegue fazer uma piada…

Luís Figo no FC do Porto!

A contratação de Luís Figo pelo FC do Porto, que a rádio acaba de anunciar, promete dar que falar no nosso pequenino futebol. Pelos valores envolvidos – o jornalista falou em 5 milhões de euros para o jogador por um ano de contrato. Um milhão de contos, na moeda antiga, é obra! Mas também pelo fim do propalado amor ao Sporting que o jogador sempre manifestou. Afinal, o final da carreira vai ser no Dragão.
O que se vai discutir mais, no entanto, vai ser o dinheiro. A verdade é que um clube português não tem capacidade para pagar aquilo que o FC do Porto vai pagar a Figo. Ainda por cima quando estamos a falar de um jogador em final de carreira e de um investimento que não terá qualquer hipótese de retorno directo. Será que Pinto da Costa perdeu a cabeça? Se calhar não, porque o dinheiro que o clube vai angariar em bilheteira, sobretudo lugares anuais, em publicidade, com possível renegociação de contratos, e no merchandising, sobretudo através da venda de camisolas, compensará os valores astronómicos que vai ter de pagar.
Quanto à importância futebolística desta contratação, já é mais discutível. É um jogador muito experiente, é certo, mas que dificilmente aguenta mais de meia hora. E quem sai para entrar Luís Figo? HulK? Certo mesmo é que, com tal investimento, o jogador não pode ficar no banco.
Por último, um portista bem humorado sorri perante a reacção dos sportinguistas. Mas não é nada a que não estejamos habituados. Enquanto júnior, estava no Sporting e assinou pelo Benfica. Já como sénior, no Sporting, assinou por duas equipas italianas ao mesmo tempo. Foi parar ao Barcelona, onde era idolatrado – o que não o impediu de sair para o Real Madrid em troca de mais um contrato milionário. Bem recentemente, disse que ia para a Arábia Saudita e roeu a corda no último momento.
E agora isto. A suprema traição e a suprema ironia – o maior dos símbolos do Sporting acaba a carreira no FC do Porto. Quem diria!

Internacionalista

No fundo do mar, jazem os outros os que lá ficaram
Em dias cinzentos, descanso eterno lá encontraram …

Xutos e Pontapés, “Homem do Leme”

Ao tomar conhecimento dos desastres que continuam a acontecer entre um mundo e outro, entre África e a Europa, fico sempre confundido.

Mas, que diabo, porque é que alguém (muita gente) tem que morrer apenas porque pretende ter acesso a uma vida melhor?

Não pode ser normal. Não pode ser natural que as divisões humanas continuem a impedir o que nem a natureza consegue  – há quem diga que África se separou da Europa.

Vamos “ler” o Mediterrâneo como um rio que separa duas partes da mesma cidade: porque é que os habitantes de um lado não podem passar para o outro? É que está visto que a água não é suficiente para demover os mais ou menos persistentes Seres HUMANOS, por sinal, tão portadores de direitos como qualquer um de nós.

Será que a civilização europeia iria correr assim tantos riscos?

A queda do muro de Berlim e a abolição de fronteiras na União europeia são dois marcos da cidadania europeia que devem ser continuados. Será que o investimento público de combate à crise não poderia ter duas pontes para a margem sul?