Memórias da Revolução: 5 de Abril de 1974

O «Jornal de Notícias» do dia 5 de Abril de 1974 referia que os preparativos para o funeral de Georges Pompidou estavam a decorrer e que, no dia seguinte, na Catedral de Notre Dame, esperavam-se os principais líderes mundiais. Um deles seria o senhor Presidente do Conselho, Dr. Marcello Caetano. Entretanto, ainda o corpo do falecido estava quente e já tinham surgido cinco candidatos ao Palácio do Eliseu.
A caminho de Inglaterra estava Paulo de Carvalho, para representar Portugal no Eurofestival da Canção com o seu «E Depois do Adeus». Uma música à qual estava reservado um destino bem mais importante alguns dias mais tarde.
Faltam 20 dias para a Revolução.

Métodos revolucionários 1

Nestes tempos que não são perfeitos, mas em que pelo menos temos a certeza de alguém estar sempre pior que nós…
Nestes tempos que não são propriamente inspiradores, mas em que pelo menos temos a garantia de estar a um pequeno passo de quem está um bocadinho melhor… e isso já chega!
Nestes tempos modernos, onde se vive no sossego de uma sociedade democrática, no conforto de políticas centristas e moderadas, que asseguram a nossa liberdade…e zelam pela tolerância.
Nestes tempos que nos embalam na certeza máxima de que “o mundo é assim” como nós… umas vezes bem, outras pior…e que enquanto soubermos estar em sociedade e percebermos que a liberdade de uns começa onde acaba a dos outros… tudo terá ordem e sentido.
E faz muito sentido!
Faz tanto sentido que as pessoas modernas se esqueceram de serem elas próprias a determinarem onde começa e acaba a sua liberdade e deixaram a definição desses limites para alguém mais competente.
Houve tempos nas sociedades ocidentais que quem decidia os limites da liberdade era a igreja.
Houve tempos que foram os políticos, os parlamentos, as constituições e as ditaduras.
Nestes tempos são as democracias, os media, as multinacionais, as crises, os défices, os trusts, os offshores, as especulações imobiliárias, as taxas de juro, o euribor, o euro, o FMI, a OPEP, a NATO, a ONU, o G8, as ONGês e toda uma infinidade de siglas, nomenclaturas, desígnios e designações que a todos os minutos, nos confundem e nos convencem…que quem decide não somos nós! (mas que todavia continuamos livres!!!)
Quero então propor um simples teste à nossa suposta liberdade… Um teste à nossa competência de decidir onde começa e onde acaba esta liberdade, assumindo nós próprios, pela primeira vez, o risco de importunar a liberdade de alguém!
Um teste que não exige tempo ou dinheiro…
É muito simples: cuspir no chão.
Cuspir no chão é um manifesto claro da nossa expressão individual.
Ninguém cospe da mesma forma, nem tão pouco existem duas bisgas iguais! (Posso admitir que exista quem não ache a bisga, ela própria, assim muito atraente, mas para todos os efeitos nesta sociedade tolerante, gostos não se discutem.)
Cuspir no chão é um simbolismo da nossa liberdade de expressão. Se eu estiver descontente com o governo, cuspo na porta da assembleia, se me irritar com um polícia cuspo na rua. Sempre com a vantagem de muito dificilmente ser preso ou multado por isso [1], e sempre expressando de forma muito inequívoca os meus sentimentos… de uma forma rápida e directa, bem à imagem da nossa fastsociety.
Cuspir no chão não carece de uma fantástica justificação pseudo-intelectual, que tanto elitiza as famigeradas mentes revolucionárias, e as isola no seu discurso…tão inalcançável quanto essas revoluções.
Cuspir no chão é um processo pedagógico, que nos liberta dos processos de auto-censura que construímos em prejuízo da nossa liberdade desde o dia em que nascemos.
Cuspir no chão testa a nossa responsabilidade individual, na medida que nos obriga a saber viver com os olhares e possíveis comentários de desaprovação, das pessoas que assistirão a esse acto e muito possivelmente não o compreenderão. Nesta circunstância resta-nos duas hipóteses: a primeira é explicar o porquê deste acto, e esperar que o interlocutor encontre espaço na sua mente tolerante para ouvir uma explicação que ele não concebe à partida; a segunda é bem mais simples, e resume-se a dirigir um sorriso simpático, acrescentando: “- Não era para si!”. Garanto que a segunda resulta melhor!
Entenda-se que toda a pressão social que esta atitude acarreta, obriga o cuspidor a não recorrer à bisga de uma forma gratuita. Mais, eu diria que a banalização da bisga é muito pouco provável, tendo em conta que nas sociedades modernas ninguém gasta saliva assim ao desbarato. [2]
A melhor parte é que, cuspir no chão não tem custos, e muito dificilmente existirá alguém que não tenha capacidade para o fazer.
Ainda assim acreditem-me:
– Há quem passe a vida toda sem nunca mandar uma cuspidela!

Nota: Lembrei-me que eventualmente a ASAE, poderá levantar questões quanto ao cumprimento dos parâmetros de higiene…Por via das dúvidas o melhor é lavar bem os dentes, e nunca sair de casa sem o comprovativo relativo à inspecção oral…Não vá o diabo tecê-las!
Nota 2: O actual governo já manifestou o seu agrado, por se recorrer a métodos revolucionários não poluentes… dizem que isto dá um empurrãozinho à venda de painéis solares.

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A infelicidade de Vieira

O paladino da verdade desportiva (não falo de Rui Santos, falo do outro) quebrou o silêncio e veio dizer, ontem, que a absolvição de Pinto da Costa foi “infeliz”. Que Luís Filipe Vieira era um génio de gestão desportiva já sabíamos pelos inúmeros títulos conquistados, agora ficamos a conhecer a sua profunda capacidade de jurista.

A juíza que absolveu os arguidos do “caso do envelope”, Pinto da Costa, Augusto Duarte e António Araújo, considerou que ficaram por provar os crimes de corrupção desportiva de que estavam acusados. Não deixou de dar um “puxão de orelhas” à equipa de Maria José Morgado por ter retirado o caso de onde estava: do arquivamento. De facto, sustentar um processo em declarações de uma testemunha com a credibilidade de Carolina Salgado parece um disparate, tal como jurar a pés juntos que George W. Bush é um santo. Se bem me lembro, a mesma equipa, ou outra do género, não atribuiu credibilidade à mesma personagem num caso em que a própria assumiu ter ordenado uma agressão. Para um caso não é credível, para outro já é. Como neste último caso se tratava de tramar Pinto da Costa, alto lá que a senhora até foi abençoada pelo Papa. Bom, em rigor, pelos dois.

O presidente do Benfica ficou “infeliz”. Garante que não nega a lei, nem quem a faz, “mas alguém não anda a cumprir o seu dever, seja porque não sabe, não pode ou não quer”. Quem? Não diz, mas desconfio que estará a falar da juíza do Tribunal de Gaia. Vieira no seu melhor estilo, sempre com meias palavras.

Luís Filipe Vieira tem direito à sua opinião e todos os meios para a emitir. Até demais. É o que dá ser presidente do Benfica. Custa-me estar constantemente a ouvir o senhor falar em verdade desportiva quando ainda não deu uma palavrinha que fosse (nem mesmo o seu famoso ‘hummm’) sobre o roubo de catedral da final da Taça da Liga. Continuo à espera.

Já agora, sr. Vieira, em nome da verdade desportiva, quantos jogos de castigo deve apanhar o Di Maria por ter simulado uma grande penalidade no jogo com o Braga?

Criação (Liberal) de riqueza

Com um abraço cúmplice ao BLASFÉMIAS. 😉

Salgueiro Maia morreu há 17 anos

«Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu a paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite

Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício

Aquele que foi Fiel à palavra dada e à ideia tida
Como antes dele mas também por ele
Pessoa disse.»

Sophia de Mello Breyner

A 3 de Abril de 1992, após quatro operações cirúrgicas e vários anos de sofrimento, morria Salgueiro Maia. Ao funeral, realizado em Castelo de Vide ao som da «Grândola», como era seu desejo, ocorreram as mais altas instâncias, passadas e presentes, da governação. Confirmando o que alguém disse nesse exacto momento: «Mesmo depois de morrer, o Maia continua a servir sem se servir.»
O maior dos heróis de Abril.
Foi há 17 anos.

Ter o cinema mais próximo de nós

Sem grandes surpresas, a produtora cinematográfica DreamWorks anunciou que todas as suas animações futuras vão utilizar a tecnologia 3-D, tal como já acontece com “Monstros vs. Aliens”, recem chegado às salas nacionais.

Os filmes em 3-D não são recentes, tendo as experiências com esta tecnologia começado na década de 50 do século passado. Nos últimos anos o 3-D conheceu avanços tecnológicos mas os óculos especiais, com as ‘lentes’ vermelha e azul, ainda são necessários.

A grande questão é que o 3-D é visto como uma forma das grandes produtoras combaterem a pirataria e levarem pessoas às salas. Sem grandes capacidades imaginativas para ultrapassar os desafios colocados pelas fórmulas piratas de distribuição de filmes, através da Internet, os estúdios tentam encontrar o seu caminho.

O “Panda do Kung Fu 2” e “Shrek Goes Fourth” serão alguns dos próximos exemplos de animações que nos vão chegar em três dimensões.A opção feita para “Monstros vs. Aliens” deu resultados positivos nos EUA, com 43,5 milhões de euros arrecadados nas bilheteiras só no primeiro fim-de-semana, o mais importante de todos no sistema de distribuição norte-americano.

A Pixar/Disney também anunciou que oito dos seus próximos nove filmes, a estrear até 2012, serão feitos em 3-D. O Festival de Cinema de Cannes vai, pela primeira vez em mais de 60 anos, abrir com uma película de animação, “Up”, também feita em 3-D.

Até 2012 deverão estrear 45 filmes deste tipo, mas nem todos serão animações, como a próxima longa-metragem de Tim Burton, “Alice no país das maravilhas”, a nova ficção de James Cameron, realizador de “Titanic”, e o próximo de Steven Spielberg.

Jeffrey Katzenberg, produtor da DreamWorks, disse, recentemente, à revista Vanity Fair que os filmes em 3-D representam “a terceira revolução no cinema” e admite que, no futuro, todos os filmes sejam feitos em 3-D. Diz que se as histórias forem boas o público aceitará pagar mais para ver as fitas com imagens em três dimensões.

Aqui está outro problema. As boas histórias, e, já agora, originais, estão cada vez mais longe de Hollywood. São cada vez menos os bons argumentos e cada vez é também menor a vontade de arriscar por parte dos grandes estúdios. Daí a opção por sequelas, mesmo de filme que não renderam assim tanto dinheiro, e por remakes. Por isso, não será de espantar que alguns êxitos de outros tempos possam ser recuperados em versões 3-D. Por isso, não será difícil de prever que, um dia, Freddy Kruger terá as suas garras muito mais próximas de nós, que a serra eléctrica texana nos faça desviar dos salpicos de sangue ou que o beijo de Scarlett Johansson nos seja destinado.