Memórias da Revolução: 12 de Abril de 1974

Em 1974, o dia 12 de Abril calhou numa Sexta-Feira Santa. Os espanhóis invadem Portugal em busca de um fim-de-semana mais alargado.
Alguns padres combonianos foram ontem expulsos de Moçambique. Não se sabe para onde vão.
A União dos Sindicatos Ferroviários, lê-se em todos os matutinos de Lisboa e Porto, deslocou-se ontem ao gabinete do ministro do Ultramar, Baltazar Rebelo de Sousa, para lhe manifestar o seu reconhecimento pelos benefícios resultantes de alterações ao acordo colectivo de trabalho (ACT) introduzidas por este ministro quando era titular das Corporações e Segurança Social. O líder da União, Olímpio da Conceição Pereira, não se queda, porém, pelos agradecimentos sindicais. Aproveita para deixar dito que o Governo “pode contar sempre com os dirigentes corporativos dos verdadeiros ferroviários” na sua política ultramarina.
O sindicalismo, realmente, não era o que é hoje. Quer dizer, a UGT é a reencarnação exacta do velho sindicalismo do Estado Novo.