Cepticismos

Se o novo Airbus A380 lhes caísse na sopa, haveria dois tipos de cépticos a dividirem a incredulidade entre si: os que fechariam os olhos para poderem afirmar não haver evidências e os que jurariam não existirem provas científicas a suportar a tese de que um Airbus pode cair num prato de sopa, especialmente no seu.

Ironias à parte, vem isto a propósito das mil e uma discussões acerca das alterações climáticas surgidas agora, em torno da Cimeira do Clima.

O problema é que as questões ambientais ultrapassam largamente as ( graves ) mudanças do clima.

A palavra-chave para discutir hoje o ambiente é sustentabilidade e as perguntas a que todos ( cépticos incluídos ) têm que responder são, por exemplo: O crescimento demográfico é sustentável? Os níveis actuais de consumo de bens e produtos nos países desenvolvidos são sustentáveis quando os chamados “países emergentes” atingirem outros patamares de riqueza? A ideia de desenvolvimento económico constante é sustentável? O crescimento económico baseado no aumento infinito do consumo é sustentável? A livre circulação de produtos – a ponto de uma mera refeição ser composta, muitas vezes, por alimentos provenientes dos cinco continentes – é sustentável?

A lista de perguntas poderia multiplicar-se. Mas é em relação às respostas que eu, nestes casos, sou céptico.

Copenhagen Diary: COP15 UN Climate Change Summit

Comments

  1. isac says:

    As respostas a todas essas perguntas é NÃO! E precisamente por causa disso é que não há solução para este problema, porque vivemos numa ECONOMIA DE MERCADO que pura e simplesmente bloqueia perante estas perguntas. Continuo a dizer que o maior inimigo do equilíbrio ambiental é a própria economia tal como existe e que ninguém quer alterar.

  2. madalena says:

    claro que não.é sustentável. nem desejável , até. o que interessa solucionar são as questões que põe e já há pessoas que estão a tentar. decrescimento sustentável é o conceito a reter.
    crescer , crescer , crescer !!! até á lua , não ?

  3. Luis Moreira says:

    Crescer não signica “haver mais, mas melhor” e é para aí que devemos caminhar. O exemplo das energias é claro. O que pergunto a mim mesmo é se este caminho não tem mesmo que passar por estas fases, até se encontrar melhores soluções.


  4. Luis , haver melhor significa produzir bens mais duradouros e não com obsolência programada , logo produzir menos , logo decrescer. manter o ciclo produção / consumo / moda/ desperdicio actual para manter empregos e fazer crescer o pib e essas coisas é de loucos.
    antes havia aquelas guerras terríveis que destruiam pessoas , casas e bens. e depois , toca de reconstruir. agora há que pensar noutras teorias…
    o truque do aquecimento global para transformar a produção e obrigar ao investimento não me parece correcto.

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