Singapura

Rui Bebiano/Facebook

O título deste post parece o de um thriller, mas refiro-me, é claro, ao lugar da cimeira EUA-Coreia do Norte sobre desnuclearização. O dispositivo cénico é medonho e pesado, mais concebido para amedrontar que para pacificar. Os resultados serão coincidentes: uma floresta de enganos que servirá a ambos os líderes para limpar um pouco da má imagem internacional que oferecem, enquanto realinham peões na sua pequena guerra fria. A generalidade dos média colabora no logro ao espalhar uma equívoca mensagem de esperança e de mudança a propósito do acontecimento. A ocorrer, ela será mais aparente que real e traduzirá mais um equilíbrio da força bruta militar que a construção de um ambiente de colaboração e entendimento no interesse dos povos da região. Não é preciso ser-se adivinho para escrever isto.

Foto: Saul Loeb/AFP

 

Não percebo nada disto!

Da cimeira do dia 26 resultaram dois documentos, já traduzidos para português, os documentos são:

Se lermos estas magras 17 páginas (fraco resultado para uma maratona de 10 horas), vamos descobrir que, em relação à Grécia, se pretende diminuir a dívida grega para 120% do PIB até 2020. Para isso contam com uma cessação de pagamentos parcial de 50% da dívida detida por investidores privados.

Este é um default muito interessante na medida em que não vai despoletar os contratos de CDS. Na minha perspectiva isto deveria aumentar o risco de emprestar a estas economias – se eu faço um seguro para me proteger do risco e depois em face do desastre sou persuadido a não accionar o seguro, tenho de me sentir exposto à intempérie.

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A filha do ministro

Carolina Amado e Barack ObamaCarolina Amado, filha do ministro dos Negócios Estrangeiros, posou para uma foto com Barak Obama. Inesperado? Parece que sim. Mas mais surpreendente para mim foi ela fazer parte da comitiva de recepção.

Parece que a esposa do ministro o costuma acompanhar e desta vez não podia, tendo por isso ido a filha. Mas parece que a esposa de Obama também o costuma acompanhar e não estava lá. Nem as filhas dele. Nem, aliás, as esposas nem as filhas nem os filhos dos restantes membros da comitiva de recepção.

Portanto, inesperado para mim foi ver a filha do ministro lá. Aliás, ela nem constava do protocolo, o que aponta para uma frágil explicação sobre a indisponibilidade da esposa do ministro.

O poder da NATO

As redes sociais são um espaço de liberdade de comunicação? A contra-cimeira da NATO é uma manifestação legalmente convocada, e autorizada. Mas dá direito a isto.

perfil da Esquerda AntiCapitalista (Madrid) no facebook foi cancelado depois do partido ter publicado uma convocatória para a participação na Contra-Cimeira da NATO em Lisboa, que decorre este mês na capital portuguesa.

Ionline

Se começam a apagar os perfis de quem apoia esta contra-cimeira vai haver uma boa limpeza no Facebook.

E entretanto na capital vai haver tolerância de ponto. Deve ser para aumentar a produtividade.

Cepticismos

Se o novo Airbus A380 lhes caísse na sopa, haveria dois tipos de cépticos a dividirem a incredulidade entre si: os que fechariam os olhos para poderem afirmar não haver evidências e os que jurariam não existirem provas científicas a suportar a tese de que um Airbus pode cair num prato de sopa, especialmente no seu.

Ironias à parte, vem isto a propósito das mil e uma discussões acerca das alterações climáticas surgidas agora, em torno da Cimeira do Clima.

O problema é que as questões ambientais ultrapassam largamente as ( graves ) mudanças do clima.

A palavra-chave para discutir hoje o ambiente é sustentabilidade e as perguntas a que todos ( cépticos incluídos ) têm que responder são, por exemplo: O crescimento demográfico é sustentável? Os níveis actuais de consumo de bens e produtos nos países desenvolvidos são sustentáveis quando os chamados “países emergentes” atingirem outros patamares de riqueza? A ideia de desenvolvimento económico constante é sustentável? O crescimento económico baseado no aumento infinito do consumo é sustentável? A livre circulação de produtos – a ponto de uma mera refeição ser composta, muitas vezes, por alimentos provenientes dos cinco continentes – é sustentável?

A lista de perguntas poderia multiplicar-se. Mas é em relação às respostas que eu, nestes casos, sou céptico.

Copenhagen Diary: COP15 UN Climate Change Summit

O planeta é igual para todos – mas é mais igual para uns que para outros

A hipocrisia como arma para salvar o planeta?

Assim parece, agora que estalou o primeiro escândalo que ameaça comprometer ( ainda mais ) o sucesso da Cimeira de Copenhaga.

COP15: A Haitian delegation during second-day session at the Bella center in Copenhagen 

Gustavo Dudamel, um maestro que veio do calor

 

 

esgotado

Concerto extraordinário da Temporada Gulbenkian de Música 2009 / 2010

Gustavo Dudamel dirige a Orquestra Juvenil Ibero-Americana na estreia mundial desta nova orquestra.

 

***

Foi assim (esgotado) ontem, na Gulbenkian, a estreia mundial do novo projecto de Gustavo Dudamel, o maestro que todos disputam, pairando muito acima dos políticos.

 

 

 

Essa coisa chamada protocolo

 

 

Esta imagem pode ou não dizer muito. Conforme a vossa disposição para a interpretar. Eis a minha, em síntese: O Canadiano parece mostrar-se distraído, olha de forma inocente e descontraída. Parece mesmo mais preocupado com a gravata e com os botões do casaco. E provavelmente está. A jovem senhora do protocolo quer recolher o papel com a indicação da localização do representante do Canadá e ele mantém-no preso debaixo do pé.

 

Perante isto, o estado-unidense mantém o olhar  no horizonte. Aquilo que se passa ali não parece ser nada com ele. Olhar firme, embora algo desconfiado, como a testa e o sobrolho parecem destacar. Posse de Estado, sem mais.

 

Já os dois europeus, francês e italiano, estão entretidos. O momento parece diverti-los, embora ao francês se deva atribuir um maior grau de boa disposição e ao italiano uma acentuada cobiça.

Nenhum deles mexeu uma palha para ajudar.

Hoje vão morrer de fome 17 mil crianças

Na edição de hoje do Diário IOL, conta-se que na abertura da Cimeira da FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon “lembrou que há mil milhões de pessoas com fome no planeta e que a produção de alimentos terá de aumentar para fazer face a estas carências e ainda ao aumento de população que se regista.”

 

Como já é habitual quando se fala nestas questões, o ambiente parece ser de desencanto e cepticismo quanto à intenção dos países mais ricos em dar resposta a esta catástrofe que condena à morte anualmente 36 milhões de pessoas, das quais seis milhões são crianças.

 

Do grupo de países que compõem o G8, esses que são os mais industrializados e economicamente mais desenvolvidos do planeta, faltaram à Cimeira os EUA, o Japão, a Alemanha, o Reino Unido, a França, o Canadá e a Rússia. Isto é, apenas compareceu o chefe de governo italiano, Silvio Berlusconi, e suspeita-se que apenas porque era o anfitrião.

As ausências, digo eu, são reveladoras da importância que atribuem ao tema.