Os direitos humanos e o assassino do Chile

O Presidente Social Democrata Salvador Allende, discursa para o povo

O Presidente Social Democrata Salvador Allende, discursa para o povo

Sou Membro Activo da Amnistia Internacional e da Organização Human Rights Watch. Não paramos um minuto na defesa dos que estão encarcerados sem justa causa, dos executados sem motivo, dos assassinados sem razão. O trabalho é imenso, a crueldade no mundo é muito grande. Temos estendido o nosso afazer e cuidados à violência doméstica, largamente exercida para nossa infelicidade. Infelicidade, porque a violência doméstica separa famílias, cria seres humanos sem amor e ensina criminalidade pelo desamparo que sofrem as crianças. O sistema capitalista de governar o mundo, tem violentado as relações entre as pessoas: a interacção humana sã e amorosa acabou com a Revolução Industrial.

Essa Revolução que mudou as formas de ser das pessoas e transformou-as em angariadoras de lucro.

Revolução que não permitiu no Chile a gestão dos bens que o Governo Social Democrata confiscou aos que tinham demais, para redistribuir as riquezas entre a massa da população que apenas tinha a sua força de trabalho para sobreviver, força paga com um salário mínimo, que lhe permitia apenas comer pão e beber chá.

Quem fez justiça, foi sua Excelência, o Presidente do Chile, livremente eleito, Dr. Salvador Allende. Mas os manda-chuvas do Partido Republicano dos Estados Unidos, não queriam, diziam eles, um governo materialista histórico que sabia lutar pela justiça, e por lutar pela justiça, o despromovido Presidente dos Estados Unidos,

por nome Richard Nixon, e o Prémio Nobel da Paz Henry Kissinger, derrubaram-no, matando o justiceiro Presidente do Chile, usaram as Forças Armadas que bombardearam o Paço do governo, o Palácio de La Moneda, e mataram o Presidente e seus colaboradores. Estes primeiros, às 11 da manhã do dia 11 de Setembro de 1973; a seguir, durante dezanove anos, uma larga parte da população chilena.

 

O executor desta actividade era uma pessoa de infância pobre, súbdito dos seus colegas ricos no Colégio Francês da Aristocracia do Chile, educado ai pela falsa piedade dos Sacerdotes dos Sagrados Corações, onde toda a nossa família estudou. Tinha por alcunha O Burro, porque nada sabia, nem os números e menos ainda, a História do País, da qual fez parte, mais tarde, como um traidor de larga felonia. A sua família, inventava ele, era descendente de franceses, mas eu conheci-os durante os meus estudos do clã Picunche de Etnia Mapuche do Chile, na Cordilheira dos Andes (Chile): eram da vila de Chanco, fabricavam queijo que vendiam para sobreviver e andavam descalços por falta de dinheiro para roupa e calçado. A prova está em que ofereceu todas as terras de Pencahue, Municipalidade e Concelho dentro do qual estava essa vila rural.

La moneda em chamas

La moneda em chamas

A justiça sempre chega. O assassino de Chilenos e outros foi detido na Grã-bretanha, julgado e desaforado, a pedido do Juiz de alta instância, Baltazar Garzón. E o tormento para o Ditador começou, foi detido, no Chile foi julgado e no dia Internacional dos Direitos Humanos faleceu como réu de crimes contra a humanidade. Chile já o esqueceu, motivo pelo qual o seu nome não aparece nestas notas, apenas uma imagem, para que os que não saibam possam identificar o maior criminoso de seres humanos, o segundo, a seguir ao paranóico alemão que declarou guerra ao mundo, perdeu e, na sua cobardia, matou-se. Ainda bem que o do Chile não o fez e recebeu tratamento de prisão, foi declarado culpado e os Direitos Humanos festejaram o seu Dia Internacional de 2006, com o seu falecimento. Detidos estão, ainda, os seus familiares consanguíneos e despojados das riquezas que roubaram ao Povo do Chile. Sempre à justiça……

O assassino do Chile, ao começo dos seus crimes

O assassino do Chile, ao começo dos seus crimes

O assassino do Chile no início dos seus crimes

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Uma história terrível que esmagou todo um povo.Não deixa de ser irónico que o ditador tenha morrido neste dia.

  2. Adão Cruz says:

    Parabéns pelo post Raul Iturra.
    Mais uma vez a igreja por detrás de tudo isto, aliada aos sectores mais cruéis e reaccionários, bem como ao tenebroso imperialismo americano. O mal não está propriamente em esquecer pinochet que está feito em merda, para desconforto da merda. O mal está em esquecer quem é a igreja e tudo o que anda à volta dela nestes monstruosos crimes que ensanguentaram a América Latina. O mal está em dar um Nobel a kissinger, que é pior do que cagar em cima da honra e da dignidade de homens bons e de paz. O pior está em esquecer que há mários soares aos montes a abraçar toda a corja de kissingers.

  3. Raul Iturra says:

    Muito obrigado Luís, pelo comentário. Eu la estava e sei como é, impossível de esquecer!
    Quanto ao Adão Cruz, é verdade em parte. Eu não sou home de fé, mas sei que a Igreja Chilena, nas mãos do nosso amigo o Cardeal Silva Henríquz, fez o possível por acalmar os ánimos, mas nada consigiu. Foram os católicos demócata crostãos, que organizaram a golpada. Mas, a seguir, estavam arrepentidos e hoje apoiam aos socialistas, especialmente porque o promeiro Presidente deles, Eduardo Frei Montalva, foi assassinado durante uma operação de..apendoctomia. O seu filho, Presidente pós ditadura, reparou, como antes Patrício Aylwin, que estavam a complotar com um loco. Infelizmente, a minha família, espanhola mas afincada no Chile, apoiara também….eis porque tornei a Cambridge e durante 35 anos não vi ninguém. Sabem que sou materialista e escrevo os livros que escrevo. No seu sentimento de fé e boas maneiras, apenas a minha senhora mãe me apoiara e, trás ela, dama de companhia da Rainha da Espanha como todas as mulheres dessa família, o Estado esanhol É evidente que fui desherdado e esquecido….Obrigado por saber todo tão bem…

  4. maria monteiro says:

    sem exploração dos seres humanos por outros seres humanos nem duns países por outros… é na procura desse mundo mais justo que passa o meu romantismo sem grandes amores mas com muitas amizades
    abraço prof Raul
    maria

  5. Raul Iturra says:

    Querida Maria, de certeza não deve ser o seu nome real, mas, enfim, o seu comentário merece respeito. Não é da minha invenção, no entanto, se quiser pensar na estrutura da nossa sociedade, pode reparar que a nossa estrutura é os poucos que muito têm e os muitos que apenas têm a sua capacidade de trabalho e uma reforma pobre e triste no fim da sua vida. Não tenha medo, leia os livros de David McLellan, editados em português pela Europa América, para ver as análises feitas pelo sistema que nos governa, o capitalismo, essa organização que não tem Pátria nem Cidadania. Os Patriotas luso portugueses, após investir no petróleo de Irak, ou Iraque, como dizem na nossa terra, foram para Angola: os diamantes… e as indústrias aberta para uma população que consome imenso. Não lhe peço que leia Marx, é preciso saber muita economia e ciência política. Mas, se puder, repar-ia que o assassínio de quem falei o fez para ganhar capital e passar de um pobre estudante, que por acaso estudou no colégio mencionado no meu poste, o que criara em ele uma raiva contra os ricos, muitos deles forma mortos apenas para roubar as suas posses. É romântica, Maria, não vê a realidade. No entanto, a realidade empurra ao romantismo, por ser dura e pura…