Professores – avaliar como ? por quem ?

Daqui

Pretendendo que o anterior texto tenha mostrado que a avaliação é muito mais que uma classificação, que é um instrumento poderoso de gestão para alavancar a “performance” global das organizações, gostaria de abordar uma forma de implementação nas escolas.

Não podemos esquecer os principios, sem os quais, a avaliação não trará resultados : a) objectivos claros b) negociados e aceites por todos c) mensuráveis, d)com consequências na carreira e no vencimento, sem os quais não se consegue a coesão de grupo, o esforço na mesma direcção, e o entendimento claro do que o todo espera da acção individual.

Estamos numa Região Escolar que tem um conjunto de escolas com problemas comuns e problemas específicos. O ME tem uma visão global nacional e determina com cada uma das Direcções Regionais o que espera de cada uma delas, atento o ambiente social e económico, o historial e as diferenças e complementaridades em cada escola de cada região.

Pela escola, estarão o Director e uma “Comissão para a avaliação” que será constituída por professores mais antigos e mais reputados, ou por professores nomeados pelos próprios professores ou ainda que integrem o Conselho Pedagógico ou o Conselho Directivo.

Esta “Comissão” chamemos-lhe assim, por comodidade, por sua vez vai negociar com os “Directores de ano” ou com os “Directores de cadeira” assim a escola esteja organizada na horizontal ou na vertical. Estes, por sua vez, reunem-se com “os seus professores” e fazem o levantamento das condições necessárias para atingir determinados objectivos, estabelecem políticas de actuação partilhadas por todos, fixam metas e programas.

Estabelecidas e aceites os objectivos, as metas, as políticas e os programas vamos à sua valoração. Podemos estabelecer que 60% do total se refere à parte pedagógica da avaliação; 20% à parte da contribuição individual para o esforço comum; 20% à parte de formação profissional .

Um profissional consciente atinge 60%/70% do total da valoração; um profissional muito interessado atinge os 80%, daí para cima só alguns atingirão o escelente. Quem não atingir os 60% um ano que seja, não poderá atingir os patamares de médio alto e alto.

Estas notificações serão feitas no seio do “grupo de professores” chefiados pelo professor “director da cadeira” ou “director de ano” conforme os casos, que serão depois presentes à “Comissão de avaliação” para quem qualquer professor poderá recorrer se não estiver de acordo com a sua nota.

Ninguem conhece melhor os seus pares que os próprios professores, que trabalham lado a lado, sabem quem cumpre, quem se dedica, quem falta, quem se disponibiliza…

Vão ser os próprios professores a não quererem que todos possam progredir como se todos fossem iguais, a valorizar a preguiça, a falta de interesse. E serão eles que vão perceber primeiro quem deve ser reconhecido.

PS: Ainda há pouco tempo li numa revista um professor Francês, que visitou o nosso país, a descrever um processo muito parecido, na escola onde ensina. Sem dramas!

Comments


  1. Muito bem… Isto se partirmos do princípio que o Cristinano Ronaldo, o que marcou o golo é realmente o que merece o Excelente e que quem lhe enviou a bnola “directa” e ao milímetro para o local onde ele esava é apenas Bom… Logo, se o que mete o golo é que é excelente (diferente de escelente, como o meu caro escreveu, e cito: “daí para cima só alguns atingirão o escelente.”)… pois, estamos seguros que cada jogador procurará, naturalmente, fazer ele o golo e Cristiano Ronaldo (ou outro jogador que de futebol pouco percebo, diga-se!) NUNCA MAIS terá quem lhe tente colocar a bola para que a equipa faça os seus golos e consiga os objectivos… Este é o problema da avaliação que pretendem apr aa escola. É que somos humanos. E se apenas alguns professores podem chegar ao excelente porque têm alunos excelentes (e, digam o que disserem, isso vai contar rotundamente) ainda que o mérito esteja em grande medida nos alunos e suas famílias (basta que tenham alunos como a minha filha, com 20 valores nas frequências e nos exames a todas as disciplinas!) vai haver milhares de professores desmotivados, desiludidos, trabalhando sabendo que NUCNA poderão ver o seu trabalho e esforço reconhecido. De que servirá a um professor conseguir que a média da turma passe de 12 valores apra 15 valores se o que passou de média de 19 para 17 valores estará a ser sempre melhor classificado que o primeiro? Ora, meus caros, a escola é uma equipa. Se eu forneço os recursos que construo aos meus colegas (professores na mesma escola) que têm alunos melhores e mais estudiosos (que frequentam a biblioteca no lugar da discoteca, que buscam e pesquisam na internet informação complementar ao seu estudo quando outros preferem jogar no Tomb Raider, ou outros jogos, seja na Nintendo ou na Wi-ii, ou Playstation… ), que têm alunos cujos pais são mais empenhados (e de nível cultural superior, ou que sendo mais ricos, podem pagar ou pagam aulas extra a professores particulares) quando os pais dos meus alunos vivem do rendimento mínimo e mal sabem ler o jornal,…) etc. etc… eu estarei a cavar a minha sepultura. logo, tal como o jofgador de futebol, passafrei a guardar os meus recursos “milagrosos”, escondendo-os para que tenha mais possibilidades de chegar ao excelente… Assim, meus caros, se os que obtêm os melhores resultados são os professores que terão melhor classificação (deixemo-nos de falácias, na essência é o que se pretende!) e apenas para esses é que haverá a nota de EXCELENTE… Ora bolas! Lá se vai a teoria das equipas educativas. Porém, até agora, as escolas funcionavam como uma equipa, em que partilhava-se recursos, saberes, qualquer solução de problemas era partilhada, passaremos a uma escola egoísta que, ao contrário da cooperação que tanto se propaga na verborreia (entendida como “diarreia verbal” dos novos políticos armados pedagogos!), faz a apologia da competição… E competição desigual porque Os alunos não são Tijolos.
    Por isso, antes de qualquer projecto de avaliação entrar em vigor, há muito que mudar. Assim, exija-se que os paizinhos tenham o horário aleatório… Que os filhinhos dos ricos sejam obrigados a matricular-se nas eswcolas Públicas… Ou que tenham anualmente de fazer um exame para validação da nota em regime público. E, em temros de organização das turmas, seja obrigatória a distribuição aleatória dos alunos pelas turmas ano após ano. Que a cada professor toque o que a sorte lhe tocar… Reduzamos ao máximo as turmas de elite. E criemos um conjuntod e turmas onde o ensino seja insuportável porqu é isso que se pretende. Que todos sejam escolarizados entre a selva de alunos que desrespeitam tudo e todos e que impedem oa que querem aprender de o fazerem. Está instaurada a “liberdade para os libertinos” e a “ditadura para os respeitadores”.
    É que isto de os professores mais novos “levarem” com as aulas sempre da parte da tarde (quando os alunos rendem menos e estão, seguramente, mais cansados seja de jogar à bola ou de jogar no computador!), isto de os professores mais novos levarem com as turmas de alunos que sobram… e serem avaliados pelos resultados, é também uma INJUSTIÇA. Mas há mais. Nas escolas não há os mesmos recursos apra todos (basta ver que às vezes as salas de aula são diferentes e mais favoráveis à distracção dos alunos, seja pela disposição arquitectónica seja pela “vistas” panorâmicas que possam ter para o campo ou para a estrada, por exemplo!)… É que, meu caro, os professores trabalham como todos os cidadãos com obrigação de apresentar resultados. O problema está em medir esses resultados. Será em função dos objectivos (iguais para todos!) ou deverá ser em função dos progressos (diferentes conforme o nível socio-económico e cultural dos alunos e o investimento efectuado pelo Estado!). É que se todos temos os mesmos objectivos (como um trolha tem um número de tijolos para colocar num determinado muro) a verdade é que cada aluno é diferente (dependendo em muito da sua origem sócio-cultural e económica ) e os tijolos podem ser todos iguais. Serve isto para lhe dizer que, se na verdade podemos comparar os resultados do trabalho efectuado por dois trabalhadores que colocam tijolos quando lhes fornecemos material num estado equivalente (diga-se, medida, robustez, qualidade…) o mesmo não se pode fazer com os alunos a não ser que passemos a considerar que os alunos são tijolos. Mas nesse caso, meu caro, há que exigir aos governantes portugueses que têm contribuintes tal como outros países que levem o país apra a frente.,… há que pedir ao treinador do Setúbal que faça do seu clube vencer a taça de Portugal e o Campeonato da Liga (tal como o Porto porque ambos têm, o mesmo número de jogadores…). E se o mérito dos alunos na escola depende do professor, então nos clubes também depende dos treinadores. Logo, peçam por favor, a José Mourinho que venha treinar o Belenenses e que faça deste Clube Campeão Nacional. Ora bola… É que até ao momento ainda não se descobriu quem soubesse fazer “omoletas sem ovos!” mas aos professores tudo se exige. Por último perguntamos: Por que não pedem os paizinhos e estes novos pedagogos da avaliação que se centraram na panaceia da falsa necessidade de “avaliar os professores” que sempre foram avaliados… E este facto foi, finalmente, reconhecido pelo Ministério (que sempre mentiu sobre esta matéria enganando todos os portugueses!) ao exigir na fase de transiçao transição para a Nova Carreira, uma nota mínima de Satisfaz (o que pressupoe a existência de quem tenha tido nota inferior!) um mínimo inferior para a nova carreira!) (!) e deixam os alunos (e alguns governantes!) passar automaticamente e sem esforço. Paremos de problematizar o que NUNCA foi problerma. Avaliámos (no passado, veja-se o acento gráfico da palavra que escrevemos!) professores. Alguns ficaram sem progredir. Pois bem. Que os professores sempre foram avaliados está agora plasmado nas propostas do Governo. E contra factos não há argumentos, fico-me por aqui na certeza de que
    Não Calarei A Minha Voz… Até Que O Teclado Se Rompa ! porque Os alunos não são tijolos!

    • Luís Moreira says:

      Oh, meu caro, está então convencido que todos esses problemas são exclusivo da escola? está convencido que num hospital, numa fábrica, numa equipa de futebol ninguem é avaliado? está então convencido que o Ronaldo ganha muito mais que os outros porque não faz nada que os outros não façam? Ainda está convencido que todos os capitães chegam a general? olhe que não…

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