A Culpa é Minha, Devo Estar a Ver Muito Mal a Coisa

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OS ALUNOS DO ENSINO BÁSICO E DO ENSINO SECUNDÁRIO REALIZAM DIA DE “LUTA NACIONAL”
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Devo começar por dizer que nada me move contra a juventude Portuguesa, e muito menos contra os estudantes em geral, e então se forem dos mais novos, tenho por eles um carinho muito especial, uma vez que dos meus filhos, um ainda está no ensino básico e outro acabou de sair do secundário. Tenho ainda dois sobrinhos no ensino secundário. Devo ainda acrescentar que entendo que todas as pessoas têm o direito a manifestarem as suas opiniões e o seu descontentamento.

Nesta primeira quinta-feira de Fevereiro, os putos de seis, sete, dez, doze, dezasseis anos etc., que frequentam as escolas básicas e secundárias de Portugal, estão em luta.

Cheios da sua (deles) razão, os miúdos e miúdas querem um estatuto de aluno “inclusivo”, seja lá o que isso quer dizer, e querem mais investimento nos estabelecimentos de ensino. Têm nesses pontos a minha total solidariedade. Se se não reivindica, o governo que nos tem desgovernado, e os que o antecederam em nada foram diferentes, nada fazem, assumindo que tudo está bem e de perfeita saúde.

Mas não se ficam por aqui, embora o devessem, pois que já seria bastante para poderem protestar e estar em luta. Os meninos e as meninas das escolas do ensino básico e do ensino secundário querem também o fim dos exames nacionais, e já agora também o desaparecimento da figura dos directores, exigindo ainda a “efectiva aplicação da educação sexual nas escolas”. Aqui, já não entendo a posição destes jovens. Fim da avaliação nacional porquê? Fim da figura da autoridade porquê? Efectiva aplicação da educação sexual nas escolas porquê? Sem avaliação e sem autoridade não se vai a lado algum, e quase não há professor algum capacitado verdadeiramente para ministrar educação sexual, pelo que a sua implementação é o que se vê e seria um total e completo desastre.

Não são pecos a pedir, nem tão pouco a reivindicar ou a exigir. Os putos pensam que sabem bem o que querem, tendo nascido já com todas estas capacidades de luta. A juventude é assim, eu sei, mas esta, só se mostra desta forma por falta de orientação, sempre necessária na formação de qualquer jovem. E os pais e encarregados de educação, de uma maneira geral, deixaram já há bastantes anos de orientar ou de o querer fazer (dá realmente muito trabalho e cerceia a liberdade de cada um), desligando-se da boa formação dos seus educandos.

E já agora, com um pouco de sarcasmo, não poderiam também, na delegação nacional de associações que promove esta luta, incluir os alunos dos infantários?

E se a gente lhes ralhasse? E umas puxadelas de orelhas, e umas sapatadas no rabo, não?

Ai se o ridículo matasse, ou aleijasse, ou se pelo menos se notasse à primeira vista!

Realmente eu devo estar a ver muito mal a coisa.

Comments

  1. carla romualdo says:

    Eu fico muito tranquila por ver que, apesar da anestesia de tantos adultos, os jovens saem à rua e manifestam-se por causas em que eu posso ou não acreditar.
    Quanto ao tema da educação sexual, já foi uma das minhas reivindicações quando andava no secundário e não me parece que tenha mudado nada. Se um professor de Filosofia ensina Psicologia e o Francês ensina Jornalismo (aconteceu quando eu estava no secundário), porque não pode qualquer professor, seja de que matéria for, mas que pelo menos não seja paternalista, dar educação sexual? Não seria isso melhor do que aprender com os Morangos com Açúcar?

  2. Meu caro José

    Fui dirigente associativo no ensino secundário (posteriormente no superior) há já quase 20 anos e muitas das reivindicaçoes que os jovens hoje fazem nao sao de hoje. Nao conheço em pormenor o sistema de avaliaçao corrente nos dias de hoje mas a figura do director escolar de uma direcçao unipessoal ao contrário de conselhos escolares e pedagógicos fortes e actuantes apenas afunila a escola em funçao de uma visao unidireccional. Ora a gestao da coisa publica, especialmente a este nivel, no meu entender deve assumir o espelho de um ideal de sociedade que todos, creio, queremos: mais livre, mais democratica, mais participada e participativa. Logo, e estou consciente do que se perde em eficácia imediata, o fomento da participaçao de alunos nas decisoes da escola “formalmente”, com direito de lei nao é apenas um modelo de gestao, mas tb um modelo de cidadania . E é na escola, nas universidades, mas tb deveria ser noutros sitios e instituiçoes publicas que este modelo de sociedade participativa e opinativa e critica e interventiva devia ser fomentada…

    Quanto à Educaçao Sexual, nao há condiçoes? que se criem! façam formaçao junto dos professores para que estes gradualmente estejam preparados…nao é assim tao dificil, nem tao ridiculo e parece-me lógico.

  3. Ricardo Santos Pinto says:

    Concordo com quase tudo o que os alunos defendem, nomeadamente a questão do Director e da Educação Sexual.

  4. maria monteiro says:

    o mais importante foi os jovens terem vindo para a rua de dia e não apenas nas noites de sexta, sábado e domingo. Claro que têm um longo caminho a desbravar em termos de palavras de ordem, exigências… que a luta deles nos faça estar a seu lado

    • Ricardo Santos Pinto says:

      O problema deles é a falta de organização. Se se mobilizassem a sério, tinhamos aí luta.

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