Títulos de Programas de TV – Ídolos ou Epifenómenos?

Na luta pelas audiências, as estações de TV recorrem ao uso de títulos altissonantes para baptizar programas cuja finalidade é captar a adesão de milhões de telespectadores. ‘Ídolos’ foi um dos casos recentes.

Em minha opinião, considere-se embora os esforços das máquinas de mediatização, na música ligeira, como em outras áreas de expressão artística, os verdadeiros ‘Ídolos’ não se fabricam através de métodos artificiais e fórmulas de resultados instantâneos, tipo mousse ‘Alsa’. O estatuto inicia-se sobre qualidades inatas e adquire dimensão universal ao longo de prolongadas carreiras, carregadas de esforço. O talento, reafirmado de forma constante, consolida, portanto, esse estatuto. Assim sucedeu com Amália Rodrigues, Louis Amstrong, Edit Piaf, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Bruce Sprinsteen, Beatles e tantos outros que, em diferentes épocas, granjearam níveis de popularidade à escala mundial.

Há, de facto, confusão, diria propositada, de interesses relativamente aos projectos de programas televisivos. Os objectivos cruciais são captar audiências e facturar publicidade. Acessoriamente, o método é, em alguns casos, o recurso a jovens protagonistas de epifenómenos, cuja carreira, e apenas a qualidade desta, os poderá ou não catapultar para a condição de ídolos. Até na música pimba, que detesto, os trajectos de quem atinge sucesso se sujeitam a esta regra – há públicos para todos os géneros.

Uma explicação: tive este ‘post’ retido desde há algum tempo, por incapacidade técnica, minha, de o publicar. Julgo, todavia, que mantém a actualidade. Um amigo meu de ‘Red River’ – red no mesmo sentido de ‘red wine’ – deu-me a ajuda preciosa de que carecia, permitindo-me, assim, evidenciar a distância entre a interpretação de Summertime de Gershwin por Ella Fitzgerald e aquela que foi protagonizada pelos finalistas de ‘Ídolos’. Teria que haver sempre considerável distância, mas sem fífias.

Comments

  1. ricardo says:

    Nem mais e nem é preciso comparar com uma diva, outro exemplo de outra musica que também foi interpretada nos idolos:

  2. Carlos Fonseca says:

    Senhor comentador Ricardo, quanto ao recurso à diva, é regra do ‘Aventar’ pautar-se por normas e práticas de elevada qualidade.

  3. Ricardo says:

    Caro Carlos Fonseca
    Não era para levar a mal. Concordei com o post, só queria reforçar a ideia. Enfim fui mal interpretado…

  4. Carlos Fonseca says:

    A minha resposta era suposta ser irónica. Não levei a mal e até fiquei sensibilizado com o comentário.
    Há dias que não se pode sair de casa ou entrar em campo…

  5. ricardo says:

    Ao C.F.
    Bem haja
    Bom domingo

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