A Cultura em África

Nossa Senhora das Águas da Barragem

Nossa Senhora das Águas da Barragem

(ou a Ministra da Incoerência)

“A Cultura é um elemento indispensável para o desenvolvimento das capacidades intelectuais e para a qualidade de vida, factor de cidadania e instrumento fulcral para a compreensão e conhecimento crítico da realidade.”

É assim a Cultura. Eu ainda sou do tempo em que a cultura em Portugal era uma coisa autêntica, das pessoas e dos sítios, ancestral. Depois criaram-lhe uma Secretaria de Estado da mesma cultura. Mais tarde, a Cultura passou a ser um ministério, o Ministério da Cultura. E eu a pensar que a Cultura seria sempre um insuspeito ministério, o dos artistas, sempre lá seu mundo de artistas, alheado das vagabundices terrenas, sublime, espiritual, etérea, cultural, a Cultura…

Foi-me preciso acordar na África Negra para descobrir uma Cultura que financia (via RTP) as touradas, que diz, à tarde, que o vale do Côa não é património de Foz Côa ou de Portugal, Foz Côa é Património da Humanidade!!!! (colocar ênfase lisboeta na leitura, pf) quando, de manhã, a mesma “Cultura” diz que a classificação do vale do Tua como monumento nacional não impedirá a construção de uma barragem que, ooops, apagará o vale em vias de classificação cultural…

Feneceu uma talentosa Ministra da Cultura. Ganhámos, ao menos, uma Mercenária by EDP. Vergonha…

Comments


  1. Sempre tive consideração e uma certa admiração por esta Senhora quando andava lá pela Antena 2. Hoje, tal como o Dario, por razões várias, penso que não passa de uma agente do PS para o que der e vier, nem que seja para ir destruindo paulatinamente a cultura.


  2. Antes de mais obrigado pelos esclarecimentos. Pensava que cultura eram as batatas ali do meu quintal, mas vejo que afinal são águas estagnadas passando por turbinas, libertando metano, e fazendo voar pequenos pedaços de madeira cresotada, restos da recordação de um local classificado como património de interesse nacional.
    (ler com música do Go(n)zo e com umas águias, digo, abutres, a esvoaçar).

    E viva a cultura!…dos nabos e nabiças!

  3. graça dias says:

    é ministra da EDP, e accionista da sociedade anónima Socrates Portugal, SA.

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  1. […] ter sido travada para a Humanidade poder usufruir das gravuras rupestres, dizia aos jornalistas que a classificação da linha e vale do Tua como património não era impeditivo da construção da barragem do […]


  2. […] sido travada para a Humanidade poder usufruir das gravuras rupestres, dizia aos jornalistas que a classificação da linha e vale do Tua como património não era impeditivo da construção da barragem do […]


  3. […] uns tempos, uma ministra-da-cultura de um país africano, Gabriela Canavilhas de seu nome, vinha a terreiro promover a construção de uma barragem; por […]

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