A Google trocou o “do no evil” por “do money”?

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Depois do “Do no evil!” estará a Google a entrar numa nova fase? Andará o dinheiro, a tentação do poder e do controlo a subir à cabeça dos senhores que fizeram o maior sucesso empresarial do mundo dos últimos dez anos? Esqueceu a Google o poderoso contribuiu – suportado na neutralidade da internet – que os utilizadores dos seus serviços tiveram para ser o colosso que é hoje?

Pensará que o pedestal onde foi colocada não lhe pode ser retirado um dia, quando o “do no evil” estiver morto e enterrado?

Pensará que apenas por ser uma proposta Google, o mundo vai levantar-se num clamor e aplaudir? Acharão mesmo que o futuro da internet ou de uma qualquer rede mais ou menos parecida passa pela criação de divisões entre os ricos e os pobres? Acreditam realmente que uma melhor internet e uma melhor distribuição de dados passa por criar uma divisão entre quem paga e não paga?

Admito que já há algum tempo esperava algo deste género. O poder e a capacidade de influência proporcionada pela Internet, o mais democrático de todos os meios de comunicação, representa uma forte ameaça para quem deseja controlar os fluxos informativos. Controlando a velocidade e a disponibilização desses fluxos, à custa da força do dinheiro, pode-se tentar anular, eliminar ou fazer passar sem significado aquilo que interessa esconder.

Em causa está ainda a lealdade para com os consumidores pagantes. O acesso à internet é pago. Logo, porque é que haveremos de pagar para aceder a conteúdos que nos são entregues de forma condicionada e não totalmente livres?

O fim da neutralidade da internet, seja qual for o meio, terrestre ou sem fios, será um perigoso rombo na qualidade da democracia e do acesso à informação. Mais do que dividir o mundo da internet através da velocidade a que são difundidos os conteúdos de quem pode ou não pagar, está em causa a própria qualidade da distribuição e, em último caso, a sua própria produção.

Comments


  1. Já agora a fonte original:

    A joint policy proposal for an open Internet

    E a resposta muito ponderada da EFF:

    A Review of Verizon and Google’s Net Neutrality Proposal

    Parece-me que este é um bom exemplo do que não deve ser tratado por uma empresa, ie, o objectivo final da empresa é sempre o lucro – e isso é perfeitamente legítimo mas nem sempre está alinhado com os melhores interesses da sociedade – pelo menos no curto prazo.

  2. carlos fonseca says:

    Caro Zé, é a velha técnica: primeiro há que incutir o hábito massivamente e, uma vez alcançado o 1.º objectivo, há que facturar e cobrar.


  3. A Google tem andado em mudanças profundas desde há um bom par de anos. Umas interessantes, outras nem tanto. Uma que me desagrada particularmente diz respeito à actual mania do motor de pesquisa da Google devolver os resultados daquilo que eles acham que eu quero procurar, em vez de procurar aquilo que digito. É certo que por vezes o adivinhanço deles bate certo mas e se eu quiser procurar, por exemplo, esta string:

    “operator *”

    Mesmo com as aspas, a primeira página não devolve um *único* resultado com a string que procuro.

    Fantástico.

    Este é apenas um detalhe. Bem mais importante é o assunto aqui abordado. Mas a tendência de se ter passado a ignorar a vontade do utilizador está lá.

    No caso presente, creio que realmente é uma questão de tempo até que o controlo (estatal, empresarial, político, económico, ou outro) se instale na net. Há demasiado em jogo, desde o dinheiro até ao poder. Uma mistura demasiado explosiva para que quem possa controlar não o tente fazer. Já houve várias tentativas mas os fantasmas da censura ainda assustaram o suficiente para que isto morresse. Mas chegará um dia em que algo acontecerá que servirá de justificação para acabar com a net como agora a conhecemos. Veja-se o Patriot Act que veio depois do 9/11…


  4. Coisa sem nexo. Existem muitos motores de busca, e fiz uma lista com alguns deles.

    Quem quiser, é utilizar. Até podem colocar como pagina principal, mas duvido. Devem estar já mto “presos”.

    http://nonioficial.paginas.sapo.pt/inicio.htm

    Pelo menos é a minha.

  5. Nightwish says:

    E isto é surpresa para alguém porque? No mínimo, o facto de não quererem ligar pevide às leis de privacidade, nem à privacidade em si, devia dizer muita coisa.


  6. P/ Pg Inicial, não se está a falar de motores de busca.

    Está-se a falar de neutralidade da rede e do modo como a Google alterou a sua política e relação a isso.


  7. Caro Nightwish, a questão da privacidade na internet é uma questão complexa (e grave) mas a primeira grande responsabilidade cabe aos utilizadores. E a Google nem é das piores neste domínio.
    A grande questão está mesmo na mudança de estratégia da Google no domínio da neutralidade.
    Caro Pg Inicial, a Google é muito mais do que o mais relevante motor de busca: tem quase tudo o que de mais importante é necessário na vida digital de cada um de nós. E, sim, viciou-nos. Afinal, é quase tudo gratuito. E quem não gosta de coisas grátis.

  8. Nightwish says:

    Eu gosto, principalmente com o AdBlock.
    Não é a primeira vez que o Google mostra a sua raça, também houve os negócios de censura com a China.
    Um gajo que diz isto (http://gawker.com/5419271/google-ceo-secrets-are-for-filthy-people) é um filho da puta, não há volta a dar.

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