Jogos sórdidos na blogosfera

 

A teoria de retirar aos pais os filhos obesos, em casos de alegada negligência daqueles, foi anunciada este fim-de-semana pela imprensa.  A autoria é atribuída a um núcleo de “especialistas” do Reino Unido. Sustentam que a medida deveria aplicar-se a pais que sistematicamente ignorem a assistência medicamente recomendada a filhos obesos, destinando-se a proteger as crianças de riscos patológicos graves.

A medida em si é, no mínimo, discutível, como qualquer outra que perturbe a relação entre pais e filhos. Porém, não é esta a questão central do meu texto. O que me traz aqui é a surpresa de, no mesmo blogue e sobre idêntico tema, em ‘posts’ consecutivos, João Miranda escrever: “O título reflecte apenas a opinião de alguns ‘especialistas’; e logo de seguida LR usar o título “O totalitarismo passa por aqui”, acrescentando que “a imaginação socialista, visando a acumulação de poderes (e de despesa pública) não tem limites” – o restante do texto, usando o abominável chavão ‘populaça’, nem merece ser transcrito.

Sou oponente de Sócrates e vários textos publicados no ‘Aventar’ o testemunham. Portanto, sem o estatuto de apoiante do actual governo, sinto ainda assim o dever de, em primeiro lugar, recusar a inquinação da verdade quanto à autoria da ideia – recorde-se, é oriunda do Reino Unido, governado neste momento por uma coligação de conservadores e liberais, que também não sei se a aprova. Sei, isso sim, que o ‘post’ de LR chega ao ponto de acenar o fantasma do totalitarismo socialista, um argumento tão ridículo quanto desonesto. Imagine-se onde podem chegar os jogos sórdidos na blogosfera!?

De totalitarismo real e opressivo, sofreu toda a ‘populaça’ da minha geração décadas a fio. Sempre exercido pela direita, então assumida e agora envergonhada. Tenho de reclamar: “Oh gente não chega catalogar no vago, digam ao que vêm!”.

Comments

  1. Nightwish says:

    Alguém que ainda leia essa gentalha e se surpreenda com a sua falta de humanismo… deve andar pouco atento.

  2. carlos fonseca says:

    Fzem dos outros parvos. No mínimo.


  3. “recorde-se, é oriunda do Reino Unido, governado neste momento por uma coligação de conservadores e liberais, que também não sei se a aprova.”

    Se é oriunda de onde diz, mais uma razao para desconfiar. É país, campeao de tirar filhos a pais, e agora mães, e casais.
    Essas leis não são de agora, e tem décadas. Apenas se trata da continuação delas. A origem delas, é o feminismo radical, que se “infiltra” em mtos partidos.

    Pois tal como no poder paternal, se luta imenso para os manter.

  4. carlos fonseca says:

    Para Lógica Sentida: o vosso comentário é destituído de qualquer sentido, em face do tema central do ‘post’.


  5. ???
    A sua resposta, é distituida de qlq sentido, pois fala da Inglaterra, e eu esclareci que várias leis (do género) tem sido feitas durante as ultimas décadas na Inglaterra. O que leva que quer conserv, quer labours, tenham as aprovado. Alias, o voto na Inglaterra, não tem a disciplina de cá, e mtas dessas leis, são aprovadas por votos quer de labours, quer de cons, quer de libs.

    Apontei ainda , a razão, porque essas leis (não obrigatóriamente esta) são aprovadas, e foram na Inglaterra que vc fala- porque são de origem feminista radical – com o sem especialistas – e as feministas radicais, fica a saber, estao em todos os partidos.
    É uma ideologia , que se infiltra dentro de partidos e outras ideologias.

    Mas, mesmo que ache que não tem “sentido”, alguns leitores poderao achar que tem, poderao achar importante, e interessante ou útil.
    De certeza, volto a frisar, que não foram especialistas que disseram que as crianças , praticamente ou de todo, não precisam do pai.
    A origem de tal teoria e prática, é feminista.
    Feminista
    Feminista
    Com o apoio de machistas, que acham também, que criança é coisa de mulher.
    Nisso e noutras coisas, feministas e machistas são iguais.

    Obrigado


  6. Sobre a ideoligazação deste assunto, escrevi no meu blog, e farei referencia ao seu.
    Obrigado

  7. carlos fonseca says:

    Para Lógica Sentida:
    1) A retirada de filhos obesos aos pais foi difundida, na imprensa, como medida proposta por “especialistas” do Reino Unido;
    2) Eu próprio a classifiquei como “medida, no mínimo, discutível, como qualquer outra que perturbe a relação entre pais e filhos”;
    3) Adverti que, apesar do controverso parecer de “especialistas” britânicos, o tema central do meu texto não era esse;
    4) De facto, o que denunciei foi a existência, no mesmo blog, de dois ‘posts’ consecutivos, mas desconjugados;
    5) O segundo dos ditos ‘posts’, entitulado “O totalitarismo passa por aqui”, adiantava: “a imaginação socialista, visando a acumulação de poderes (e de despesa pública) não tem limites”;
    6) Apesar de opositor de Sócrates e do seu governo, como declarei, achei – e continuo a achar – haver batota nessa afirmação, uma vez que o governo PS era estranho à teoria dos tais “especialistas” britânicos. Esta foi a matéria de facto para a minha crítica;
    7) E por que razão critiquei? Entendo que a ética e a verdade, mesmo na blogosfera, são paradigmas inalienáveis da vida democrática, devendo refutar-se a insinuação torpe e o recurso a descabelada acusação de totalitarismo – e, repito, é no juízo formulado sobre tal acusação que deve enquadrar-se qualquer comentário, sob pena de se tornar destituído de sentido.
    8) Quanto ao que refere sobre o feminismo e às prepotências que este possa impôr no sentido de prejudicar legítimos direitos paternos, foi assunto que nem abordei e sobre o qual não se pode intuir qualquer processo de intenção de ideias que nem sequer expendi.
    Creio que não podem restar dúvidas acerca das razões pelas quais afirmei que o seu primeiro comentário era “destituído de qualquer sentido”.
    Obrigado pela oportunidade concedida ao meu esclarecimento.


  8. Em relação à sua resposta, que agradeço, também respondi no meu blog, e acrescentei um link para o seu.
    Acrescento que o que disse, foi que compreendi o seu ponto de vista, e que se interessa mais por JM, e as partes ideológicas , que os assuntos que abordei.
    Por não os ter abordado, é que precisamente eu abordei. Pois o que fala, sinceramente, são assuntos laterais. O principal, como tirar os filhos, o feminismo, compreendo que tenha medo, ou que não lhe interesse. Mas a base do artigo (seja inglés ou não), é este. Os temas principais, SÃO AS CRIANÇAS
    OS PAIS.
    AS MÃES
    AMBOS
    E O FEMINISMO RADICIAL, QUE PELOS VISTOS, ESTÁ LONGE DE SABER O QUE TEM FEITO PELO MUNDO. e por cá
    Daí, precisamente, para dar sentido ao seu post, eu tenha falado do tema principal, e não do João Miranda. Ou de si.
    Um abraço, e inté


  9. Sei que o JM, também idelogiza, mas ao menos fala do assunto. Talvez por pressão minha , também. Ainda bem.
    Mas ao responder sobre ele, e sobre politica, e não falar do principal, é o mesmo que estar a falar da guerra no afeganistão, e só falar do bush e do obama – e não da guerra em si, das vitimas, etc.
    Sei que é normal em portugal, qual país lation, ideologizar tudo ou quase. Será que é isso que o JM quer ? Não sei, ehe, mas sei que faz o mesmo
    Adiantei mais, no meu blog


  10. Acho interessante que num pais com tantos problemas com educação, crianças, etc, não se ligue a que metade das crianças , pouco ou nada vejam o Pai.
    Será que não existe relação ?
    Será que o pai, é realmente desnecessário ?
    Ao dizer que sim, estão a abrir as portas, ideológicas, de razão, etc, para que a seguir sejam as mães.
    Mas podem continuar a falar de politica, etc.

    /desculpe lá, se fui directo de mais. Mas como ALCANÇAR e DESPERTAR AS PESSOAS, para este problema gravissimo, e pouco ou nada falado ‘

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