A eterna paralelidade dos sacanas

Um quarto da actividade económica em Portugal é paralela. Paralela em economês é o eufemismo para gajos que fogem aos impostos, mas usufruem dos impostos. Tipos porreiraços que não alcançando o supremo usufruto da parceria público-privada (desde a Lusoponte ao colégio sustentado por todos nós) roubam ao estado não pagando ao estado, mas utilizando os serviços que o estado nos presta a todos (da saúde à estrada). A versão mais esperta do chico, desde o pequeno biscateiro ao grande Dias Loureiro.

Tipos a quem roubar não tira o sono, porque na sua moral muito sua não gamam nada, desenrascam-se como diria o velho Soares, Mário.

Canalhitas, portanto. Que contam com o teu vá lá, que se lixe, quando não lhes exiges a factura (e menos pagas).

Um quarto da economia de um país em crise dava para mandar a crise passear para a sua mãe alemã num instante. Num mundo onde o offshore é lei, confesso o meu relativo desinteresse pelo biscateiro. Hoje, dia Dia Internacional contra a Corrupção, prometo que  a partir de 1 de Janeiro não me esquecerei de vós, pequenos e enormes trapaceiros: por cada cêntimo que me vai ser roubado não me esquecerei do Manel, do António, da Constância, de cada um dos que nos roubam (que o estado também é nosso), e me fazem ser roubado.

Ir-vos ao focinho seria um prazer. Na impossibilidade de o fazer, sois muitos e maiores que eu,  alguma coisa se há-de arranjar.

Comments

  1. Dario Silva says:

    Nada como um apelo sincero ao total pagamento de impostos.
    Afinal, as reformas deluxe de quem está reformado mas a trabalhar têm que ser pagas por alguém.
    Assim como as mordomias dos senhores ilustres deputados em-primeira-classe e os carros dos senhores governadores civis (servem para quê, mesmo?)

    E os juros do dinheiro emprestado para construir estádios vazios? Alguém tem que os pagar…
    E as Novas Oportunidades de língua inglesa ministradas obrigatoriamente a quem mal fala português? – alguém tem que as pagar.
    E os Cagalhães grátis? – alguém tem que os pagar!
    E as scut? – alguém tem que as pagar!
    E os lucros parlamentarmente garantidos à EDP? – alguém tem que os pagar…
    E a educação pré-primária “grátis”? alguém tem que as pagar, as mensalidades + os impostos.

    etc…


    • Dario, o mau uso dos dinheiros públicos é um problema do cidadão enquanto eleitor.
      Pagam-se impostos e escolhe-se quem o gere.
      Tenho uma forte intuição de que quem foge dos impostos vota nos que esbanjam os dinheiros públicos. Os outros também, mas esse é o preço da democracia.


  2. Estou com tudo o que dizes J.J.C. E como tu, gostaria de lhes enfiar um balde de mijo pela cabeça abaixo quando eles saiem da igreja de braço dado com as suas marias, depois de agradecer a deus o pão deles de cada dia, que é o pão dos portugueses que não têm pão. Mas à falta de mijo, como dizes e bem, alguma coisa se há-de arranjar.

  3. Ricardo Gomes says:

    Pois…O País não é mau o Povo é que é uma merda. Vamos ensinar os nossos filhos porque desta (nossa) geração já nada de bom se pode esperar.
    A culpa é nossa Porra!! tenham a coragem de dizer à canalha que podemos MUDAR se tivermos Coragem.

    • Dario Silva says:

      Mudar?
      Virtualmente impossível: há já muito boa gente a viver à custa da boa gente.
      Nem uma guerra atómica nos safa: os maus safam-se sempre.


  4. Sem querer desculpar ninguém, é de dos livros que a fuga ao fisco dispara quando a carga fiscal passa do razoável.

    Mas no nosso caso, a situação é bem mais crónica e já vem de há muito. Em Portugal praticamente só paga impostos quem trabalha por conta de outrem.

    Ora eu já passo cerca de 6 meses a trabalhar para pagar os meus impostos. Seis! Até há pouco eram 5 mas agora já deve ter aumentado. Pois eu vacilarei se ao me apresentarem a conta me disserem que sem factura será mais barato. Outros que paguem as excepções açorianas e afins.

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