Vá pró cavaco que o parta!

O Presidente da República, e candidato à reeleição, esteve ontem particularmente inspirado para  comunicar com o povo.

Ao repetir corriqueiro auto-elogio, advertiu em tom messiânico: “é preciso escolher o candidato mais preparado…” – e quem é ele, quem é? Cavaco Silva, nem mais. 

Depois de intensa e prolongada reflexão, confessou ao jeito de humilde crente: “espero que as promessas às vítimas do mau tempo em Tomar, Ferreira do Zêzere e Sertã sejam cumpridas…” – e quem mostra assim ser um homem de fé, quem é? Cavaco Silva, obviamente.

Por fim, a comunicação social desafiou-o a falar da ‘revisão das leis laborais”, mas o PR argumentou que esse tema estava fora da agenda política; e do alto da sua cátedra, proclamou: “é essencial encontrar um rumo da produtividade e da competitividade da economia” – quem é capaz de ser o português mais visionário, quem é? Cavaco Silva, quem havia de ser!?

Agora um pouco mais a sério, digo: eu que, desde os dez anos de governação cavaquista, tenho remado contra o rumo que o País tomou – também sob o comando de Guterres, Barroso e Sócrates, saliente-se – sinto-me desiludido face à perspectiva de novo mandato presidencial carregado de cinzentismo e da decadência induzida por incapazes.

Ressalvo que, ao usar o termo cinzentismo, nem sequer sou original. Com efeito, então no “Independente”, já Paulo Portas, sim esse mesmo, o do CDS, o aplicava para definir a prestação pública de Cavaco –  sei que Portas agora pensa o inverso, mas como se sabe é um homem muito dado a essas inflexões. 

A vida dos portugueses está, pois, condenada a fatalidades. E o cinzentismo cavaquista é mais uma. Que posso fazer? Desabafar, apenas desabafar, gritando bem alto: “Vá pró cavaco que o parta!”.

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