Votos e presentes de Natal

sócrates e cavacoA hipocrisia  é um lugar geométrico – ou geográfico, Ricardo? – de convergência dos políticos, ornamentado  de demagogia e de cínicos sentimentos. Recado para lá, recado para cá, a controvérsia, ao longo do ano, é mero instrumento ficcional da chamada política activa, ou da “realpolitik”. A despeito de quererem mostrar-se diferentes, a verdade é que pensam e agem com iguais propósitos de fustigar a malta: manter o poder e exercer influência sobre as nossas vidas – passo a passo, mais dificultadas.

O Natal, uma efeméride gradualmente diminuída de sentido estritamente religioso, é o tempo de ‘votos e presentes a terceiros, companheiros ou adversários’; para os políticos, é ainda a época certa para erodir polémicas. Deixando no ar, todavia, o móbil do interesse comum que os move: manter e desfrutar os benefícios do poder.

Sócrates e o seu governo garantiram, de viva voz, a Cavaco “a fidelidade dos valores da lealdade e da cooperação institucional”. O PR, refractário a emoções, ripostou que “2011 não será um ano nada fácil”.

É oportuno, questionar: “Nada fácil para quem”? Sempre para os mesmos, os cidadãos em geral, consideramos nós. Porque para políticos e banqueiros, que vivem a crise sem sofrer efeitos críticos, acabam sempre salvaguardados. Segundo Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas, dois terços da ajuda anticrise foram para o sector bancário. Sejamos claros a reagir: A arraia miúda que se lixe! É o usual nesta nossa vidinha democrática.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.