O PSD merece credibilidade?

Li atentamente o post de Carlos Fonseca, quase ficando entusiasmado, o PSD irá organizar em Março próximo os Estados Gerais, liderados por António Carrapatoso, coadjuvado pelo historiador Rui Ramos, pessoas que me merecem total e absoluto respeito, com as quais me identifico largamente, afinal também defendo uma redução do asfixiante peso do Estado na nossa sociedade, sem a qual o país continuará a definhar, como afirma o Compromisso Portugqal. Mas a memória é uma coisa tramada, já preparado para voltar a votar PSD nas próximas legislativas, não o faço desde 2002, acabo de me lembrar que na altura fui às urnas com um entusiasmo semelhante ao do adolescente que está prestes a concretizar a sua primeira experiência sexual. Confiante, à época lá fui eu depositar na urna o meu voto que haveria de contribuir para nomear um cherne primeiro-ministro de Portugal, exultando com a vitória na noite das eleições, certo que iria ver os meus impostos diminuírem, porque o PSD é um partido que respeita os seus compromissos eleitorais, e haviam prometido aos eleitores levar a cabo um choque fiscal, que diminuiria o saque sobre o contribuinte luso, mais brutal do que o que pende sobre uma prostituta ao serviço de um proxeneta da camorra napolitana, tenho aliás hoje em dia mais confiança na honestidade de quem me aborda na rua para tentar vender um artigo roubado ou contrafeito, do que na repartição de finanças.

Mas voltemos à memória, o choque fiscal que haveria de reduzir impostos, deixou os portugueses que tiveram a infelicidade de acreditar no PSD em estado de choque, o IVA subiu de 17 para 19 por cento, porque então faltou ao PSD coragem política para enfrentar as ruas e reformar o Estado. Passados menos de dois anos, o cherne haveria de conseguir um lugar ao sol na cinzenta Bruxelas, escusa de contar com o meu voto mais alguma vez, seja para eleger um Presidente da República ou colectividade do bairro, não voto em cobardes. O Estado continuou a crescer, porque o PSD, tal como o PS, tem nas suas fileiras inúmeros boys, tralha sem competência que nunca fez nada na vida, excepto viver à sombra dos partidos, começaram nas jotas e agora são assessores, adjuntos e demais inúteis que parasitam a administração.

Tal como na história de Pedro e o lobo, não posso continuar eternamente a acreditar nas promessas de quem sistematicamente falta à palavra, faz agora um ano, que o actual grupo parlamentar do PSD, eu diria que é mais um grupo para lamentar, após ter revogado uma série de medidas fiscais, voltou com a palavra atrás. Já no presente consulado, Passos Coelho apareceu a pedir desculpas aos portugueses, enquanto viabilizava o PEC e posteriormente o O.E., em nome do superior interesse de alguns barões do partido, contribuir para a renovação do contrato de aluguer do Palácio de Belém ao casal Silva por mais 5 anos. Voltarei a acreditar no PSD, quando contribuírem efectivamente para reduzir o Estado, mas primeiro quero vê-los em acção, depois eventualmente poderão voltar a ter o meu voto, não passo mais cheques em branco a quem não honra compromissos.

Comments


  1. Eles têm vergonha de ser de direita… e isto porque acham (com alguma razão, diga-se) que a Comunicação Social portuguesa está pejada de esquerdistas e que um partido Liberal nunca teria hipótese de ganhar eleições.

  2. António de Almeida says:

    Eles não se podem assumir de Direita, porque muitos não o são, ali convivem Liberais e Conservadores, sociais-democratas, um verdadeiro saco de gatos…

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