Qual incoerência, precisam de tradutor?

“Sabemos que no dia em que estamos a discutir não tem qualquer utilidade prática a apresentação de uma moção de censura”, disse Louçã. Que acrescentou: “Apresentaremos sempre alternativas e não nos pronunciaremos sobre moções de censura que não existem ou sobre intenções vagas de apresentação por este ou aquele partido.”

Disse Francisco Louçã no dia 5, e anda meio mundo a disparar que o anúncio hoje feito da apresentação de uma moção de censura entra em contradição com esta frase. Quando o Bloco volta a ser de Esquerda, sinto-me na obrigação de explicar aos não falantes da língua portuguesa que:

– “no dia em que estamos a discutir“, significa, antes da tomada de posse do PR. Coisas da constituição. A moção foi anunciada precisamente para o primeiro dia em que pode ser útil.

– “apresentaremos sempre alternativas“, quer dizer faremos sempre o que hoje foi feito, apresentar uma alternativa perante ameaças difusas.

Estou um bocado céptico quanto ao sucesso da moção, um bocado muito grande. Para já serviu para chatear os estalinistazinhos de serviço, o que já não é mau. Duvido que o comité central vá atrás das crianças, e claro que saberá honrar um partido que para todos os efeitos é de esquerda.

Se tiver sucesso existe o risco de o Bloco sofrer um efeito PRD. Mas em política os riscos correm-se, e quem correu o muito maior, e óbvio, risco de apoiar Alegre, faz muito bem ao tirar o tapete à sua ala direita (e neste vídeo isso está escrito). Agora o futuro de Sócrates está nas mãos de Passos Coelho. No mínimo, se votar uma moção com pressupostos anti-capitalistas para o apear, ficará demonstrado como o poder tem um magnetismo tão forte que se podem mandar  às urtigas os princípios. E isso nas urnas também se paga.

Comments


  1. Há sempre uns idiotas úteis a defender o indefensável que ainda por cima se arvoam em inteligentes capazes de traduzir (será de trostkiano para português?)o que toda a gente percebeu de forma a não parecer o que a toda a gente pareceu.

    Ora, um líder partidário com mania de inquisidor de costumes fica abespinhado com a ‘trepa’ eleitoral que os portugueses, tugas que precisam de tradução, certamente lhe deu nas urnas e perante o desafio de uns Estalinistas que, no canto de um resultado menos mau gozavam com o pobre Trotkista e ameaçavam quase com a língua de fora em tomar a iniciativa de correr com os novos amigos do Louçã. O Chico que não é parvo (nunca fez estágios de borla nem estudou para ser escravo) diz prontamente que uma moção de censura seria uma ajuda à direita! (coisa de somenos que o ora Grande Educador Cardoso esqueceu de referir) mas uma semana depois deixa de o ser para ser… ah pois coerente.

    Afinal segundo aqui o Educador (não confundir com a profissão do individuo que não tem nada a ver) Cardoso o ‘porreiro, pá’ do Louçã, com este golpe de mestre (só podia não é? é nisto e nos PPRs) entalou de toda a maneira e feitio o Paços Coelho.

    Segundo ainda autor da nova cartilha interpretativa (deve ter sido escrita no México) do grande pensamento do amigo Lev o Louçã fazer o contrário do que tinha dito não é incoerência mas o PSD votar a favor da moção do BE já é um pecado (cá está de volta a vocação inquisidora do Louça e dos seus apaniguados) em termos de princípios.

    Como dizia o outro (e não não foi o Davidóvitch nem o Vissarionovitch) a coerência é uma meretriz.


  2. Em declarações à agência Lusa depois de um encontro com alunos da escola secundária Fernão Mendes Pinto, no Pragal, Almada, Francisco Louçã adiantou apenas, a este respeito, que o BE “não quer a política de direita deste Governo e não quer outras políticas de direita que prejudiquem o essencial da democracia social”.

    Assim mesmo, sem tradução nem sequer com meia explicação!


  3. Convém ler tido Carlos Alberto:

    O líder do Bloco de Esquerda disse hoje que «há muitas razões para censurar o Governo», mas não confirmou se a hipótese de uma moção de censura foi discutida pelo partido.
    Depois de um encontro com alunos da escola secundária Fernão Mendes Pinto, no Pragal, Almada, Francisco Louçã adiantou apenas, a este respeito, que o BE «não quer a política de direita deste Governo e não quer outras políticas de direita que prejudiquem o essencial da democracia social».

    «Queremos, pelo contrário, que haja uma alternativa de esquerda. A esquerda precisa de ser capaz de uma resposta, de um combate político em todos os planos. E é aí que o BE vai estar situado», disse.

    Questionado sobre a hipótese concreta de apoio a uma moção de censura ao Governo, o líder do BE referiu que «quando houver decisões, o partido apresentá-las-á».

    http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=11212


    • “… e não quer outras politicas de direita” Será que se estava a referir ao PCP? Ou andamos a tentar encontrar formalismos para não criticar a falta de coerência do BE?


      • Não, andamos a tresler o que foi dito, para lançar o fumo da coerência. Ou estava à espera que uma moção de censura fosse anunciada à Lusa à saída de uma escola?
        A direita está em estado de aflição, o governo em pânico, mas tenham calma, isto é uma mera questão parlamentar.
        O governo vai cair primeiro na rua, que onde acabam os líderes da Internacional Socialista ultimamente.


  4. Não tinha conseguido encontrar esta do cubano, perdão do puro, ups do Pureza:

    Em declarações ao PÚBLICO, José Manuel Pureza, líder parlamentar do BE, garante que a sua bancada não está disposta a dar a mão ao PSD e CDS. “Não nos colocamos na posição de facilitar a vida à direita portuguesa”, afirmou, lembrando que o que poderia significar uma moção de censura aprovada. “Derrubar este Governo para introduzir a revisão constitucional do PSD não é aceitável”.

    Outro que se estaria a referir ao PCP ou então aos Verdes quicá ao MRPP!!!!


    • O Pureza cubano? ó Carlos Alberto, o Pureza é o meu deputado, em quem com muito gosto votei, mas é um rapaz muito católico para cubanismos.

      • Albano Coelho says:

        Hehe, lá isso é verdade. Demasiado católico para o meu gosto. Apesar diso é um bom rapaz.


      • Reconheço que já escrevi coisas com mais piada que esta mas cubano tinha a ver com puros (e com aquela mania de pureza intelectual) e não com politica. Digamos que foi uma piada falhada, quase tão falhada como a sua escolha de deputados.

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