Um conto tradicional: a Educação é um terreno agrícola

Escolas. Directores lançam metas até 2015, mas avisam que não vão cumpri-las

 

A terra a quem não a trabalha

Era uma vez um senhor que tinha muitos terrenos. Esse senhor era conhecido por Zé, Zé Povinho para os inimigos. Como os terrenos eram muitos, o senhor Zé resolveu pedir ao engenheiro José Platão que tratasse deles. O engenheiro era um homem bem vestido e, como, por vezes, punha um ar sisudo, o senhor Zé Povinho acreditou que era um homem sério. O José Platão lá começou, então, a tratar dos terrenos. Como eram muitos, pediu a ajuda de outros amigos que também não percebiam nada de agricultura. Na Quinta da Educação, trabalhavam, há vários anos, dois caseiros que conheciam muito bem a propriedade: a Joaquina Docente e o Serafim Funcionário.

José Platão pediu, primeiro, ajuda a uma bruxa que era má e, depois, a uma fada que parecia boa. O problema era que aquela Quinta só podia dar bons frutos se as coisas fossem feitas com calma, porque os bons produtos agrícolas precisam do tempo certo, como explicaram a Joaquina e o Serafim. O José Platão queria morangos todo o ano e não queria gastar muito dinheiro. O que era preciso era que o Zé Povinho acreditasse que a terra estava a dar morangos.

A bruxa má e a fada boa disseram à Joaquina Docente e ao Serafim Funcionário que era preciso fazer uma estufa para produzir morangos todo o ano e depressa. Joaquina e Serafim avisaram que era uma pena aquela pressa toda, com uma terra tão boa, que podia dar produtos diferentes todo o ano, que era preciso ter paciência. A bruxa e a fada não quiseram saber e disseram que tinham lido um estudo que dizia que os morangos de estufa é que eram bons. A Joaquina e o Serafim ainda pediram para ler o estudo, mas foi-lhes dito que eles só estavam ali para obedecer.

Como se isso não bastasse, a bruxa e a fada ainda disseram que agora não havia dinheiro para o tractor e, portanto, tinham de usar só uma enxada os dois, até porque havia um outro estudo que dizia que os tractores deviam ser substituídos por uma enxada, e que, assim, se trabalhava muito melhor.

A Joaquina e o Serafim lá foram trabalhando, mas era uma dor de alma ver aquele terreno tão bom e tão desaproveitado. O que é certo é que, graças ao seu sacrifício, os morangos cresceram e o José Platão apareceu logo a mostrá-los ao Zé Povinho. Como este não estava muito atento, ficou com a ideia de que aqueles morangos eram bons. A verdade é que a Joaquina e o Serafim sabiam que os morangos não sabiam nem cheiravam a morangos e foram sempre avisando que as aparências enganam.

O José Platão não queria saber e até acabou por convencer o Zé Povinho de que os dois caseiros não queriam era trabalhar. Entretanto, a bruxa e a fada apareceram outra vez no terreno e disseram que tinham lido outro estudo que dizia que a enxada era de mais e que uma colher de sopa bastava. Até hoje, Joaquina e Serafim estão à espera que o Zé Povinho perceba que a Quinta está a ser desaproveitada. Entretanto, José Platão e os amigos têm uma boa vida, graças ao dinheiro que se tem poupado no tractor e na enxada. Até já há quem diga que a colher de sopa ainda será substituída por um palito.

Comments

  1. PORTUGAL SOLUÇÃO

    1.Ter um governo com dez ministérios e o 1º ministro dar pareceres quinzenais a Bruxelas
    2. Dispensar o presidente da república e também não dar cavaco aos partidários da monarquia
    3. Passar a 150 deputados e círculos uninominais
    4. Abolir metade das juntas de freguesias, fazer também uma revisão do número das câmaras municipais
    5. Dispensar os governadores civis e nem pensar em regionalização
    6. Fechar o BPP e o BPN
    7. Avançar com o TGV, mas não com o 2º aeroporto nem com mais uma ponte no Tejo
    8. Prender Mário Soares, José Sócrates, Armando Vara, Dias Loureiro, Valentim Loureiro, Isaltino Morais, entre outros, por danos financeiros e morais à sociedade
    9. Privatizar alguns elefantes do estado como a RTP
    10. Mudar o Hino

    ASSINADO: Manifestação 12 Março

  2. julia says:

    Caro Amigo:
    O seu post, para mim é genial, mas quem o saberá interpretar?…
    A casa dos meus avós, ainda sobrevive, embora com algumas “modernices” práticas.
    Ainda existe em toda ela, o “sobrado” e meu Deus, que cheiro maravilhoso nós usufruimos, vindo do andar inferior, quando vamos no tempo das colheitas:são os cheirinhos que todos hoje compram empacotados ou engarrafados…Eu distinguia o aroma, de várias qualidades de maçãs,etc.O Amigo, me entende…É como os frangos…deram-me um pinto e dois pacotes de “ração”,dizendo que quando acabasse essa alimentação, estava pronto a matar…
    Eu felizmente, ainda usufruo de alguns desses mimos, entre eles maçãs com bicho ou picadas dos pássaros…
    O campo e a sua sabedoria e os urbanos com a sua ignorância e ganância…
    Até amanhã! Até sempre!
    Júlia Príncipe

  3. Maria fernanda Oliveira says:

    Para o ano já iremos usar palito em vez de colher.A sua finalidade será palitar o ar que fica entre os dentes.
    os meus dentes são muito inteligentes.Com já previam o que lhes iria acontecer, começaram a cair porque, dentro em breve, já não vão ter serventia.

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