Os nossos governantes

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Devia ter começado pela pergunta: quem nos governa, ou, por outras palavras, quem leva e conduz as redes do poder supremo dentro de um grupo social: o estado?

Há várias formas de impingir a lei ou os costumes entre os povos do mundo: por sucessão monárquica, na Europa; por sucessão real entre os oceânicos, como os Massim da Kiriwina, ou os Mapuche do Chile, comandados por um rei ou lonco, que na língua deles, mapudungum, se diz Toqui; ou por postos de chefia sem réplica no longínquo oriente como na China, no Tibete, no Paquistão, ou na Índia; ou por ditaduras no oriente próximo, como na Líbia, na Síria, no Iémen, ou no Egipto, entre outros. Dá a impressão de serem os europeus as pessoas mais civilizadas para governar, onde todo o mundo seria igual, anseio nascido antes da revolução francesa, que reclamou direitos de igualdade, como os direitos humanos, inspirados nas ideias veiculadas pelo texto de Thomas Jefferson quem, em 1776, redigiu a Acta da Independência, para se libertar da coroa britânica, texto copiado pelo Abade Sieyés quem incorporara a acta de igualdade dentro da primeira constituição francesa, após derrube e morte de Luís XVI, o derradeiro rei Bourbon.

Mas, estes dados podem ler-se em qualquer texto ou livro de estudos, romances, biografias ou autobiografias.

O problema não é saber como se governam os outros. O problema é saber quem nos governa a nós. Não foi casualidade a colocação da imagem do Presidente Obama, o Senhor do Mundo que governa os Senhores do Mundo, esses que permitem a intromissão dos norte-americanos nas suas terras. Os que manipulam armamentos, dinheiro, soldados e entram nos povos que estimam não estarem no sítio correcto. Não admito Ghadafi, longe de mim, admito, contudo, que sabe entender e quer defender a (sua) liberdade da Líbia, chacinando o povo a todo o custo, povo que é rebelde apenas em certos sítios, expondo assim os seus cidadãos à morte certa.

Enquanto a nós, quem nos orienta pelas ruas do roubo, desventura, falta de dinheiro, alça de preços? Bem tentou o PM José Sócrates defender a nossa economia com os famosos Programas de Estabilidade e Crescimento (PEC). Apresentou quatro programas, em alternativa a oposição ao governo nada apresentou, excepto hostilizar. Durante meses temos vivido a gastar menos e a poupar dentro do possível. Cansado já de tanta rebeldia, apresentou a sua demissão ao Presidente da República, quem pretende antecipar as eleições para a Câmara ou Assembleia Legislativa.

Após derrubar o governo de Sócrates o seu antigo aliado, Passos Coelho (PSD), no dia seguinte à demissão, anuncia que se ele for primeiro ministro aumentará os impostos, baixará os salários e ordenados, por outras palavras, um PEC de direita, como eram os do PM que ainda governa, continua a insistir que o povo será quem salvará a nossa economia, aceitando as restrições, cada dia mais altas. O Sonho de Babeuf de sermos todos iguais, difundido por Jefferson e Sieyés, acaba de falecer com dois candidatos a PM de Portugal, do mesmo corte e linha e, diria eu, ideologia. O materialismo histórico foi assassinado por Mário Soares nas suas épocas de governo.

Quem deve esfregar as mãos de contente, é um PR que teria um apoio maioritário com o PSD e o potencial PM Passos Coelho.

De uma coisa estou certo: o PS tornará a ganhar a corrida às legislativas, mas mesmo que assim não seja, PS e PSD governam de forma semelhante. Não é uma guerra económica, temos riqueza: é uma guerra política da qual não há governante que nos salve… Fica apenas a Nossa Senhora de Fátima para Portugal. Bem é sabido que não sou um homem de fé, mas tenho essa impressão dos milagres que nos salvem das hostilidades dos nossos representantes, que hostilizam e empobrecem a Nação.

Se fosse homem de fé diria: Deus nos valha, vão-se todos embora, pois nada sabem da arte de governar…

Raúl Iturra

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