Portugal: Prozac ou Viagra?

O País, na lógica de ciclos e contra-ciclos da vida colectiva, está a sofrer de uma patologia grave. Grave e difusa. Os especialistas da cura, principais líderes políticos do regime, discordam, entre si, dos métodos e meios terapêuticos a aplicar. Andam em quente disputa pelo mérito de quem tem a milagrosa receita.

Sócrates, o terapeuta dotado da capacidade de tranquilizar um País vergastado pela crise nacional de que é um dos protagonistas, acusa de leviandade a concorrência. Se o povo o acompanhar – quer ele que se acredite – os portugueses, a sua economia, os mercados e os investidores, no conjunto, todos se quedarão calmos e entregues a noites de profundo descanso. Sem a preocupação de intervenção financeira externa, acentue-se. Sócrates, representa, deste modo, o papel do ‘Prozac’, uma vez que estamos todos perturbados e a necessitar de recuperar a saúde mental. Com tranquilidade…

Do outro lado, Pedro Passos Coelho teme que não existam terapias eficazes em território nacional, promovendo, se necessário, a ajuda do FMI para reerguer a nação. E, de facto, porque de um problema de erigir se trata, temos o Coelho a desempenhar o papel do Viagra.

Portanto, nós, portugueses, estamos submetidos à vacilação na escolha entre dois tipos de adjuvantes: um para o “sono tranquilo”, outro para a “erecção induzida”. Para facilitar as nossas vidinhas, existem  figuras superiores,  conselheiros a ter em conta: o primeiro magistrado da nação é adepto do ‘Viagra’ sob designação dissimulada; Mário Soares e Freitas do Amaral, ambos em fases etárias de quem sabe do que fala, não hesitam em optar pela substância farmacológica de cuja experiência – garantem – extraíram bons resultados.

Em obediência à corrente mais forte, venha então o FMI! Com tal fármaco, haverá sempre gente que se levanta e outra que ficará prostrada. Paciência! No fim, saberemos se serão os primeiros ou os segundos a formar o grupo mais numeroso – redutora contagem estatística? No meio de isto tudo, o que somos nós para além de números?

Comments

  1. Sim, de facto, entre Prozac e Viagra nem sei com qual nos safamos…

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