unigénita – unigénito

unigénita-unigénito

Bem sei que este é um dos dias da semana denominada Santa. Bem sei que são dias pensados como para meditar. Como bem sei também que se comemora a morte de um ser humano, definido pelos livros sagrados de várias confissões cristãs, como o Redentor do mundo. Porém, uma pessoa que entregara o seu corpo e vida pelos pecados do mundo.

Tenho definido o conceito pecado em vários livros e textos, dizendo que é faltar o respeito, o carinho, a simpatia e fazer mal a outras pessoas. Quem queira saber, pode procurar nos ensaios que tenho escrito neste blogue e nos livros da minha autoria, especialmente Portugal e Europa, ASA, Porto, 1991; ou 1991, 1ª edição, Escher, 2001 2ª edição, Fim de Século: A religião como teoria da reprodução social. Apenas lembro

estes textos apesar de haver mais, por mencionar um facto que me preocupa um facto me preocupa. Sobre o pecado, já está todo referido. Mas esse conceito de unigénita/unigénito de onde e que parece a ideia?

Há vários tipos de pessoa unigénita: Único gerado por seus pais, filho único, e o que mais me interessa elucidar essa terceira alternativa: filho Unigénito de Deus:  Jesus Cristo. Porque não uma unigénita, filha única de Deus, que salva aos seres humanos dos seus pecados? Será a História que percorre o mundo e evolui do patrarqueado ao matraqueado e a igualdade dos sexos? Porque deve ser um homem o venerado e que salva ao mundo das suas tristezas e morre por essa salvação? Entre os muçulmanos, é um homem que no século VI salva ao mundo, Mohamed, ou Momes ou Mohamud. É sempre um homem. Testerona ou objectivo de engendrar descendentes que, se a mulher for unigénita, o mundo iria acabando. Bem sabemos que temos, nestes séculos XX e XXI, fertilização artificial, mas na época de salvar ao mundo, apenas havia guerras, matanças, rijas, desencontros, inimigos. Era capaz a mulher de salvar o mundo?

Penso que sim, não apenas por ter descendentes femininas, bem como parece-me mal essa primazia do homem sobre a mulher. E Joana de Arco, Século XIII, ou a mãe do Salvado, no primeiro século da nossa era, hoje em dia venerada mais do que o seu filho. Maria é unigénita na intercessão entre a divindade, o seu filho, e o pai dele, a divindade omnipotente o divindade pai. A divindade pai, o seu filho e a necessidade de uma terceira que dava a vida aos outros e inteligência ao mundo, o criado no século II da nossa era, o Concílio de Nicea I, que precisa essa terceira pessoa na divindade para que saiba governar, especialmente em Nicea II, século VIII, época em que o mundo cristão divide-se entre ortodoxos romanos e bizantinos.

No entanto, no entanto..a mãe do Salvador é a mais venerada , intermediaria entre a divindade única, formada por três pessoas, e as centenas das nossas senhoras, que cada país tem a sua para serem salvos do fogo eterno, ou do purgatório criado no século XVI, mo interminável concílio de Trento, em Roma.

Posso, porém, queixar-me se há mais unigénitas que primogénito? Ou será porque a minha descendência é feminina, especialmente a mais nova, essa May Malen que eu adoro, e amava mais se for a Unigénita salvadora do mundo.

É para elas e para todas as outras fêmeas da minha família, não apenas o texto, bem como esse anseio de serem as nossas benfeitoras.

Este denominado Sábado Santo de 2011, dia 23 de Abril, apenas consigo pensar nas nossas unigénitas, que, de certeza, terão sempre e cuidado de nós, másculos incapazes de salvar ao mundo e pedimos á mãe do dito salvador, esse único homem da história, apaparicado por tantas mulheres, as nossas unigénitas, que faz ao mundo chorar pelos seus sofrimentos da Sesta Feira, e as unigénitas consolam quer a ele, quer aos homens do mundo que tremem: não vejam eles a ser unigénitos, como não se cansa de dizer a padrada essa que abusa de menores.

Pode haver unigénitas, que tomam conta de mim, mas os descendentes do unigénito, fazem–mal pela sua falta de vergonha de não serem unigénitos, procurando outros unigénitos que lhe dão erótico prazer…

É a minha meditação de Sábado Santo, ao reparar que não há salvadores, há pedófilos que morrem na cruz da vergonha e as punições que papas não pedófilos, infligem em eles

Ave-maria, Unigénitas! Especialmente as nossas…

Raúl Iturra