Na falta de auto-estradas ou troços do TGV, o Governo demissionário tem-se desdobrado em entregas de diplomas como se de inaugurações se tratassem. Como é hábito, quem está na Oposição chama isto de oportunismo. Um dia que a agulha mude, trocam-se as vozes nos mesmos discursos.
O Programa Novas Oportunidades até tem aspectos importantes e virtuosos. Entre outros, a aproximação de gerações mais velhas às novas tecnologias, desde a informática às redes sociais. Diversas pessoas, com mais de sessenta anos de idade, descobriram as maravilhas da Internet graças àquele Programa, e disso fizeram um aliado de combate à solidão.
Infelizmente, a ideia corrente que fica é que não tardou que as Novas Oportunidades fossem instrumentalizadas para embelezar a estatística das nossas habilitações literárias, para mais rapidamente subirmos no ranking da OCDE.
Acontece que há muito que a exigência e o mérito capitularam.
Convenhamos que em matéria de ensino, de habilitações, de qualificações – e outros termos tão em voga no discurso político -, há muito que se baixou a fasquia. Veja-se o caso das empresas a quem se encomenda teses de mestrado, doutoramento e afins, como já há muito foi noticiado.
Veja-se, também, trabalhos de casa que os nossos petizes são mandados fazer, que se resumem a pesquisas no Google com consequente “copia e cola”.
Parece evidente que convivemos com o plágio, com a lógica do “copianço”, o famoso desenrascanço, que revela parte de nós enquanto povo: o primado da esperteza sobre a inteligência. Ou seja, o nacional “chico-espertismo”.
(Artigo publicado no semanário Famalicense “Opinião Pública“)






Totalmente de acordo!