Dia de reflexão. Por quem votar

É o mais pesado dia antes das eleições legislativas, esse de por quem votar e qual é o meu partido.

Qual o meu partido, é claro para mim desde que me lembro, o socialista fundado por Marx: Socialismo refere-se a qualquer uma das várias teorias de organização económica advogando a propriedade pública ou colectiva e administração dos meios de produção e distribuição de bens e de uma sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades/meios para todos os indivíduos com um método mais igualitário de compensação. O socialismo moderno surgiu no final do século XVIII tendo origem na classe intelectual e nos movimentos políticos da classe trabalhadora que criticavam os efeitos da industrialização e da sociedade sobre a propriedade privada. Karl Marx afirmava que o socialismo seria alcançado através da luta de classes e de uma revolução do proletariado, tornando-se a fase de transição do capitalismo para o comunismo[2][3].

Tenho guardado as referências do texto para orientar ao leitor na sua leitura e porque são hiperligações para outros textos que ajudam a esclarecer dúvidas de como e por quem votar.

  1. Newman, Michael. (2005) Socialism: A Very Short Introduction, Oxford University Press, ISBN 0-19-280431-6
  2. a b Marx, Karl, Communist Manifesto, Penguin (2002)
  3. Marx, Karl, Critique of the Gotha Program

A maioria dos socialistas possuem a opinião de que o capitalismo concentra injustamente o poder e a riqueza entre um pequeno segmento da sociedade que controla o capital e deriva a sua riqueza através da exploração, criando uma sociedade desigual, que não oferece oportunidades iguais para todos a fim de maximizar suas potencialidades[4] Socialism, (2009), in Encyclopædia Britannica. Retrieved October 14, 2009, from Encyclopædia Britannica Online: http://www.britannica.com/EBchecked/topic/551569/socialism

Ao longo de vários ensaios, tenho proporcionado várias dicas para saber como e por quem votar, a quem entregar o nosso direito a soberania. Bem sei que somos adultos e temos as nossas ideias e ideologias sobre como e por quem devemos votar. Essa ideologia é renhida dentro de nós. Bem sabemos que sou socialista científico, que pertenço ao partido fundado por Marx e Engels, apesar do conceito socialismo ter sido cunhado pelo jovem administrador de fábricas de algodão em Manchester e na Escócia, em 1835. Como antes Saint- Simon tinha criado na França, o que passou a ser denominado o socialismo utópico. Era proprietário de indústrias, partilhando com os que partilhava com os operários os lucros das vendas do seu produto. Claude-Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon, (Paris, 17 de Outubro de 1760 — Paris, 19 de Maio de 1825), foi um filósofo e economista francês, um dos fundadores do socialismo moderno e teórico do socialismo utópico, como todos sabemos e tenho explicitado em outros textos.

Paralelamente às propostas do socialismo utópico, surgiu o socialismo científico, cujos teóricos propunham compreender a realidade e transformá-la mediante a análise dos mecanismos económicos e sociais do capitalismo, constituindo, assim, uma proposta revolucionária do proletariado[10] Daí se origina o termo “científico”, uma vez que seus teóricos se baseavam numa análise histórica e filosófica da sociedade, e não apenas nos ideais de justiça social[13]

O maior teórico dessa corrente foi o filósofo e economista alemão Karl Marx, que contou com a contribuição do compatriota Friedrich Engels em muitas de suas obras[10] No Manifesto Comunista (1848), Marx e Engels esboçaram as proposições do socialismo científico, que seriam definidas de forma completa em O Capital, obra mais conhecida de Marx, que causaria uma verdadeira revolução na economia e nas ciências sociais[10] Entre os princípios expostos na obra, destacam-se uma interpretação socioeconómica da história, conhecida como materialismo histórico, os conceitos de luta de classes, de mais-valia e de socialista[10]. Conceitos todos usados por mim para entender e explicar a vida social.

Mas, não é apenas o socialismo a ideologia que interessa para estas eleições. Ouvia as notícias e fiquei surpreendido como o hipotético ganhador das eleições, Pedro Passos Coelho, já debatia com Paulo Portas quais seriam os ministérios que partilhariam num suposto governo de coligação PSD-CDS-PP. As eleições ainda não ocorreram, não se sabe quem vai ganhar e já estão a cantar vitória. Bem proibido está que, a partir desta meia-noite, a campanha para as eleições legislativas acabam. Pelo menos, é o que manda a lei. Que esta seja cumprida, é outro assunto. Tenho votado no Chile, na Escócia, em Inglaterra, em Portugal e em todos esses países sempre há colaboradores que à porta das urnas, ainda tentam convencer sufragistas a votar por eles.

Agora, sem o povo se ter manifestado, já andarem a distribuir os cargos, parece-me uma atitude anti-democrática e autoritária.

O Partido Social Democrata (PPD/PSD)[2] é um partido político português, fundado em 6 de Maio de 1974, por Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota sob o nome Partido Popular Democrático (PPD). Foi legalizado em Janeiro de 1975. Sozinho ou em coligação, o PSD tem formado diversos governos da III República Portuguesa. O Partido Social Democrata é um partido não confessional[11], ou seja, tem carácter laico. O laicismo é uma doutrina política e social que defende e promove a separação do Estado das igrejas e comunidades religiosas, assim como a neutralidade do Estado em matéria religiosa. Assim o PSD opõe-se simultaneamente ao ateísmo de Estado e à teocracia ou teodemocracia. Apesar disto reconhece a matriz essencialmente católica e humanista cristã do povo Português[11].

Para além da laicidade, o PSD preconiza o regime republicano como forma de governo: forma de governo na qual um representante, normalmente chamado presidente, é escolhido pelos cidadãos para ser o chefe de país. A forma de eleição é normalmente realizada por voto livre e secreto, em intervalos regulares, variando conforme o país. Assim entre a facção social-democrata do PSD (como na população portuguesa em termos estatísticos) o catolicismo é maioritário, apesar da social-democracia europeia continental e Nórdico-Germânica estar ligada, principalmente, aos cristãos protestantes[12], principalmente sobre a forma de socialismo cristão ou semelhante[13]. O S.P.D. alemão, por exemplo, é eleitoralmente forte junto à população alemã de confissão luterana (e protestante em geral) e nas regiões norte e leste da Alemanha[14].

Em Portugal é diferente. Na teima de ganhar eleições, este PSD que canta vitórias antecipadas e se declara laico, é, de facto, católico romano, como é possível que aconteça num país que tem como centro turístico o santuário de Fátima e as reiteradas visitas do Papa Wojtila, hoje declarado Beato, quer dizer, está ao pé da divindade. Apesar de se declarar um partido não confessional, os antecedentes históricos indicam que foi refundado a seguir à Revolução do 25 de Abril e que está interessado na Concordata entre o Estado do Vaticano e a nossa República, convénio que dá direitos à Igreja Romana para tratar de assuntos laicos.

O PSD, na contemporaneidade, de natureza social-democrata e com carácter não confessional, fundado por alguns republicanos «históricos», que advoga o republicanismo e a laicidade do Estado, continua, contudo, filiado, a nível internacional, em estruturas partidárias com carácter cristão, liberal e conservador, visto que a verdadeira identidade do PSD opõe-se às concepções políticas propugnadas pelo liberalismo clássico e pelo conservadorismo: os princípios fundamentais do PSD, quer no plano programático, quer ao nível das políticas concretas, só o tornam verdadeiro PSD quando é fiel à sua matriz política. Eis o motivo que permite alianças com partidos confessionais, como a Democracia Cristã, denominada por nós CDS-PP. O CDS – Partido Popular (CDS-PP)[5][6] é um partido político português inspirado pela democracia cristã e é aberto também a conservadores e liberais clássicos. Fundado em 19 de Julho 1974 por Diogo Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa, Basílio Horta, Vítor Sá Machado, Valentim Xavier Pintado, João Morais Leitão e João Porto.[7]

O CDS integrou governos, sempre em coligação: com o PS de Mário Soares; com o PSD e o PPM, constituindo a Aliança Democrática; e novamente com o PSD após as eleições legislativas de 2002.

O Partido é membro da União Internacional Democrata[8] e do Partido Popular Europeu. O CDS-PP tem algumas organizações autónomas que perfilham os seus ideais políticos. Entre elas, a Juventude Popular e a Federação dos Trabalhadores Democratas-Cristãos (FTDC).

Bem como há os partidos não confessionais e que lutam pelo povo, como o Bloco de Esquerda e a CDU: O Partido Comunista Português (PCP), é um partido político de esquerda. É um partido comunista marxista-leninista e a sua organização é baseada no centralismo democrático. O partido considera-se também patriótico e internacionalista[3]

É um dos partidos políticos mais antigos e com mais história que ainda hoje existe e continua activo. Tem deputados na Assembleia da República e no Parlamento Europeu, onde integra o grupo Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde. Carlos Carvalhas substituiu o líder histórico Álvaro Cunhal em 1992. O actual líder é Jerónimo de Sousa.

Sei que esta história é bem conhecida por todos. Mas a grande massa do povo muda com extrema facilidade, conforme vire o vento. Especialmente nestas eleições realizadas dentro de um pais em dívida e que muda de ideias todos os dias. Quem começou por querer defender-se das dívidas, foi o nosso Primeiro-ministro Socialista, carregando a mão sobre o povo, elevando os impostos, reduzindo os salários… O que está mais do que prometido pelo pretenso triunfador, que, ontem falava com Portas para dividir os Ministérios, e hoje Passos Coelho anuncia que não quer depender da Democracia Cristã e que, na certeza de ganhar por maioria absoluta, como líder do PSD, orienta o seu partido para a solidão do governo.

O nosso País está engasgado e já não se sabe por quem votar. Esse por quem votar que intitula o meu ensaio nasce das mudanças que acontecem todos os dias. A minha única certeza é por quem vou votar eu. Primeiro, sei que vou votar, a abstenção é um delito contra nós próprios; a seguir, sei que vou citar pelo líder do PS, por não ser ele que nos levou à ruína, ciente como estou da provocação de quem se pensa triunfador, ter provocado uma crise política que derrubou o nosso Primeiro-ministro, que começou por estar empatado pelo provocador da crise em 36% das intenções de votos, enquanto hoje a diferença é de 48% para o esperançado Passos Coelho e os seus apoiantes, e 19% para o líder do PS, o actual Primeiro-ministro.

As ideias são sinistras e mudam não apenas de dia a dia, bem como de hora em hora.

Apenas sei da minha certeza. O pessoal de casa muda e quer não votar. Nada a fazer…As urnas vão dar o veredicto, que pode ser mais uma caixa de Pandora….

Raúl Iturra

Comments

  1. Paulo Martins says:

    Um pouco extenso, mas sem dúvida excelente!
    Gostei de ler e aprender.

  2. joaquim santos silva says:

    gostei deste e de todos os seus artigos.
    sei desde sempre em quem voto e , confesso, que me faz alguma confusão, isto de votar porque se gosta, ou não, de determinado candidato: sempre votei na ideologia,nos valores que acredito e pratico, naquilo que são os ideais do partido.

  3. Manuel Oliveira says:

    extraordinária reflexão… está de parabéns!
    contudo, discordo na totalidade a sua conclusão… não reflecte a lógica de ideias expostas inicialmente… tece largos elogios a Marx e Engel e irá votar num partido que por base não defende essas ideologias…
    cumprimentos

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