Em Nome da Filha (a minha):

 

Desde 30 de Abril de 2011 fui um pai um pouco ausente. Confesso. Aceitei um desafio e a ele me dediquei de corpo e alma. Por causa dele ficou a perder, por estes dias, a minha filha. E a minha família.

 

Não estive a seguir nenhum messias. Pedro Passos Coelho, bem pelo contrário, é um homem simples, um de nós. Alguém que acredita ser possível mudar Portugal e dotado da consciência, algo tão raro nos dias que correm, de não ser possível concretizar essa mudança sem o esforço de todos, sem cortar com um passado, não apenas socialista (embora agravado pelo egoísmo daqueles que hoje nos lideram), que entende que tudo se resolve empurrando os problemas com a barriga e transformando em receita de hoje a dívida que outros vão herdar no futuro.

 

Alguém que acredita que a solução dos problemas não pode ser realizada sem (nem contra) mas com os respectivos agentes – na Educação, na Justiça, na Função Pública, na Saúde – e que todos terão de sacrificar um pouco de seu em prol do comum. Alguém que sabe que não existe qualquer solução milagrosa apenas muito trabalho e esforço para salvar Portugal e, sobretudo, para salvar os portugueses desta situação terrível que estamos a viver enquanto país, enquanto comunidade.

A questão é muito simples: temos de mudar, Portugal tem de mudar. Acabou o tempo de plantar uma rotunda luxuosa em cada cruzamento, um pavilhão em cada freguesia, uma empresa municipal em cada esquina. Terminou, de uma vez por todas, o tempo de lançar Parcerias Público Privadas em que o privado fica com a carne e o público com os ossos, de criar Institutos e Fundações Públicas por tudo e por nada.

 

Aliás, temos mesmo de mudar, quanto mais não seja porque acabou o dinheiro. O dinheiro fácil e barato. Quem conhece Pedro Passos Coelho, quem o ouviu, por exemplo, em Braga, em Viana, em Gaia, no Porto, na Maia, em Penafiel, em Amarante, em Paços de Ferreira e em tantas outras terras deste nosso Portugal, sabe bem que ele quer proceder a essa mudança e que para a concretizar vai escolher os melhores entre os melhores.

 

Para o fazer, precisa de uma ampla maioria. Uma maioria que lhe permita completar o trabalho que tem de ser feito sem entraves, sem desculpas mesmo que chamando, como é seu desejo, todos para colaborar, independentemente de serem ou não serem do PSD. Se queremos que ele o faça sem desculpas, não podemos cair no erro de permitir a existência de potenciais pretextos. Por isso, a necessidade de uma ampla maioria. A que permita, a todo o momento, que o caminho da mudança a trilhar não possa ser minado por factores externos.

 

Por acreditar, por estar perfeitamente convicto que Pedro Passos Coelho é o homem certo, no momento certo, para esta empreitada hercúlea, dediquei-me de corpo e alma, dentro das minhas possibilidades, oferecendo aquilo que tenho de mais valioso, o meu trabalho. O meu contributo, após este dia histórico no meu Porto, está terminado. Por isso fui, por estes dias, um pai ausente.

 

Um dia, espero sinceramente, quando a minha filha for mais velha e ler este meu escrito, que perceba. Nessa altura, ela saberá que, independentemente do que vier a acontecer, a ausência do pai teve um motivo. Não o fiz pelo pai ou pela mãe. Bem ou mal, as nossas vidas estão, minimamente, tranquilas. Não.

 

Fiz o que tinha de ser feito. Por ela. Em nome da (minha) filha.

Comments

  1. José Freitas says:

    Se fosse um sentimental teria chorado. O que me vale é que tenho um coração duro como pedra.


  2. Olha, a estação de Ermesinde!

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