Isto não vai passar no telejornal

Um exemplo clássico de polícias infiltrados numa manifestação pacífica, com o objectivo de provocar situações de violência. Nada de novo, excepto o flagrante de a polícia ter ido resgatar os seus camaradas

via 5 Dias

Veja mais provas de quem começou com a violência em Barcelona. Descrição pormenorizada da armadilha. Aproveite enquanto é tempo: no twitter circulam informações que apontam para um boicote do youtube à divulgação destes vídeos. E entretanto temos a versão oficial a circular nos jornais. O costume.

Actualização: o vídeo que aqui coloquei foi apagado pelo youtube. Agora meto o que o substituí. Agradeço aos leitores que avisem na caixa de comentários se for novamente retirado. Começa o jogo do rato e do gato…

Comments


  1. João José Cardoso,
    dou de barato que houvesse «infiltrados» na manifestação. E até que fossem os que estão nesse filme.

    No entanto, o problema é que foi anunciado previamente que o objectivo era «cercar» o Parlamento catalão e impedi-lo de reunir. Ou seja, boicotar a democracia existente. A violência, nesse contexto, é apenas um bónus. Porque o erro maior já estava cometido: entrar numa acção que consistia em impedir um Parlamento democrático de reunir.

    Além disso, há actos sistemáticos de assédio e ameaças a eleitos em vários locais de Espanha, que não acredito que sejam todos devidos a «infiltrados» da polícia.

    Veja aqui:
    http://politica.elpais.com/politica/2011/06/14/actualidad/1308078702_339723.html

    Se a «democracia real» é andar a perseguir os eleitos na rua para os insultar, eu quero outra coisa…


    • Ricardo, o que se coloca desde início num movimento que se chama Democracia Real é por em causa a natureza deste tipo de democracia.

      Deixando de lado particularidades do estado vizinho (não reconheço nenhuma legitimidade ao seu chefe de estado, por exemplo), o repto grego de confrontar democracia com dividocracia faz todo o sentido. Como o faz questionar sistemas eleitorais que desculpando-se com a necessidade de governos estáveis subvertem o princípio da igualdade dos votos, com métodos de Hondt ou pior ainda com sistemas maioritários. Ou como tem todo o sentido perguntar que democracia temos quando até ao dia das eleições a comunicação social vendeu o peixe de ser a reestruturação da dívida uma coisa de irresponsáveis, e no dia seguinte responsáveis do partido vencedor assumem que dentro de um ano tal terá de ser feito.

      Não fazia parte dos meus projectos de vida ainda assistir a este confronto, mas uma crise da dimensão da de 1930 é bem capaz de mudar o regime (a bem dizer esta democracia é filha dessa década). Espero que mude para uma democracia mais representativa e participada, e não são estas manifes que me fazem temer por isso. Tal como não consigo ter pena nenhuma dos deputados gregos cercados no seu parlamento. Como de costume as algibeiras vazias despertam o cidadão para a consciência de que o sistema judicial não funciona, a partidocracia rotativista patrocina a corrupção, o poder real é cada vez mais o dos financeiros internacionais. Como nesta década o mundo comunicacional mudou, vamos ter muita violência nas ruas: escrevia-se em Atenas: o que gastais em gases lacrimogéneos não gastais no ensino público…

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