Os erros de casting da ala direita do BE

Quando um movimento político como o Bloco de Esquerda nasce de três pequenas organizações espera-se que cresça com a adesão de independentes (tanto no sentido em que não são filiados nelas, ou muito simplesmente porque nem no BE se filiam).

Doze anos depois constata-se que esses independentes foram sistematicamente recrutados por uma das pequenas organizações originais, e com brilhantes resultados à vista: José Sá Fernandes,  Joana Amaral Dias,  a senhora que preside ao município de Salvaterra de Magos e agora Rui Tavares são casos de sucesso evidente.

Note-se que nunca tive nada contra esse alargar à direita, mas muito contra todos os entraves possíveis e imaginários sempre colocados quando se pretendeu fazer o mesmo à esquerda.

No caso de Rui Tavares, que agora fica como deputado independente por outro grupo parlamentar que não o do BE, não me pronunciando sobre um conflito que ainda não entendi (não li os artigos que promoviam Daniel Oliveira a um dos quatro fundadores do BE, embora a confirmar-se que ali era referida a fonte é óbvio que competia a Rui Tavares exigir publicamente a reposição das suas palavras), é caso para dizer que já chega. Mas duvido muito, a menos que a ala direita do BE se decida a ir a votos, coisa em que acredito tanto como no pai natal.

Comments

  1. Chegou o momento de implosão do BE, onde a sua real faceta de um aglomerado de víboras dentro de um saco, resolveram finalmente pôr a língua de fora e morder o rabo umas às outras. O projecto bloquista nos actuais moldes em que está constituído, revela que fracassou… fracassou porque, tal como toda a esquerda sofre uma crise de identidade e de reposicionamento ideológico, em que o seu discurso encontra-se refém a teses políticas que estão em contraponto com a realidade. Para além disso, não consegue captar as dinâmicas contestatárias que se têm desenvolvido na sociedade, que aspiram a novas soluções para além do espectro político existente.

    • Hernâni, tomar a realidade à medida dos nossos desejos faz bem ao ego. Infelizmente para o ego não resulta em mais nada de palpável. O BE não implodiu, e suponho que só lhe farão falta os que lá ficarem.
      No meu caso concreto, continuando as coisas assim, até me apetece voltar…

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