Rui Tavares, devolve-me o voto pá

No dia das últimas eleições europeias fui votar propositadamente perto das 19h – deu-me para achar que a essa hora o Miguel Portas estaria mais que eleito, e fazia questão em votar mesmo na Marisa Matias.

Umas horas depois descobri que tinha votado no Rui Tavares, o que pesem diferenças ideológicas muito me alegrou. Um historiador é um historiador, e a minha costela libertária não é amputável.

Serve este intróito disparatado para dizer ao Rui Tavares que sou muito ecologista, desde 1973 e com episódios de militância, mas não votei nem queria votar nos Verdes. Nada de especial contra a social-democracia de inspiração pacifista germânica, mas não é o meu voto. Lamentei a seu tempo que em Portugal essa corrente não tenha sido criada, e posteriormente tenha sido sequestrada, até tenho uma micro-culpa no cartório de que já me tentei penitenciar, e chega. Se alguém quiser ir a correr atrás do prejuízo e fundar um Partido Verde pode contar com a minha assinatura, não com o meu voto.

Temos assim, Rui Tavares, que me gamaste o voto. E para quem conheça minimamente Cohn-Bendit, que tem tanto de distraído como de desbocado, é claro que já tinhas pensado nisso muito antes da desculpa que agora arranjaste, favor que de resto deverias agradecer ao Francisco Louçã. Já me tinham ido à carteira, à conta bancária, aos bolsos, ao voto é a primeira vez, e não gostei.

Comments

  1. elisa says:

    muito bom João. Já eu tinha escrito no FB ‘demita-se criatura’ e dê lugar ao próximo. é que ele, mesmo independente, foi eleito pelo BE e se já não tem confiança no BE então que ponha o lugar (ou o osso, conforme lhe queiram chamar e nem chamo eu para aqui o trem de cozinha inteiro) à disposição. Obviamente, também me gamou o voto.


  2. Nem mais, já somos três que se sentem aldrabados e, sobretudo, gamados pelo Rui Tavares!
    E depois há quem se admire que a abstenção cresça.

    Saúde e Fraternidade

    • armindo silveira says:

      Já somos quatro que se sentem aldrabados. São também atitudes destas que descredibilizam a politica e os políticos.


  3. sugestão: criar um grupo no facebook com o título deste post

  4. Jonny Reed says:

    Não custa assim tanto, quem se chega à frente?

  5. nuno says:

    Meu Caro João José, temos que convir que o teu voto no Rui Tavares foi um voto inadvertido, pois tu ias mesmo – e muitíssimo bem (e sabes perfeitamente como aplaudo essa decisão) – votar na Marisa Matias, escolhendo para esse efeito a hora de depositar o voto na urna.
    Um abraço,
    Nuno


    • É o problema do sucesso Nuno: acho que ninguém acreditava na eleição do RT. Aliás as eleições nem deviam ter resultados, porque maus ou bons só dão chatices…

    • Rodrigo Costa says:

      Caro Nuno,

      Posso deduzir que está a falar de um voto de conveniência?…

      Se sim, por que não há-de o Rui Tavares ter as suas conveniências?

      Nota: Não voto, não tenho nada a ver com isso; quero-me longe dessas brincadeiras, mas não deixo de estar atento às incoerências. Por que é que só os outros é que têm que ser impolutos e corentes?
      As pessoas já deveriam saber que temos, apenas, como destinos seguros, a morte e a incoerência.


      • Caro Rodrigo,
        Não, não estou a deduzir nada (muito menos sobre incoerências e conveniências). Apenas não resisti a notar ao meu amigo João José que, a partir do que ele escreveu, a legitimidade para exigir o voto de volta ao Rui Tavares é relativa. Uma vez que, pondo as coisas nesses termos (de relação estreita entre o voto de um eleitor e o eleito), ele ia mesmo (e muito bem) votar na Marisa Matias.


        • Bem Nuno, tive o cuidado de escrever “Serve este intróito disparatado”, porque a estória embora real me serve apenas como metáfora. A rigor, e deixo isso aqui bem claro, votei num partido e num programa (com quem muitas vezes não concordo, um, e que não subscrevo totalmente, o outro), e o que me chateia mesmo não é o RT ter entrado em colisão com esse programa, acima de tudo prezo os homens livres, mas ter mudado de partido, traduzindo do PE para a AR.
          Durante o seu mandato fez coisas de que gostei e outras nem por isso (e nem estou a falar do episódio Líbia, onde a intervenção da Nato, na urgência, evitou um massacre), é para serem independentes que se metem independentes numa lista.
          Mudar para um grupo parlamentar de que já se tinha aproximado há pelo menos dois meses é um disparate imenso. Não apenas por uma questão de lealdade a quem o elegeu, mas também porque se colocou (a ele e não só) numa posição indefensável.


          • A Nato evitou uma tragédia na Líbia???!!! Foram os EEUU quem a provocou para sacar o petróleo e agora a Nato evitou-a???!!

Trackbacks


  1. […] Rui Tavares foi eleito para o parlamento europeu com o meu voto. Pouco depois decidiu libertar-se da canga partidária, e mudou de grupo parlamentar. Com os meios […]


  2. […] partido do Rui Tavares, o cavalheiro que me roubou o europeu voto de há cinco anos, parece que terá de discutir com o Ministério Público, para onde a Comissão Nacional de […]

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.