A liberdade de pensar – Uma história

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Uma história

 A partir do Século XVI, começou a aparecer no Continente europeu uma forma de entender a vida, denominada liberdade de pensar. Quem começara com estas ideias, foi René Descartes- (La Haye en Touraine, 31 de Março de 1596Estocolmo, 11 de Fevereiro de 1650),  filósofo, físico e matemático francês. Foi corrigido por outros filósofos, mas persistiu, batendo com a teologia, ciência que imperava na forma de pensar ao longo desses tempos. Especialmente entre as crianças que deviam ser instruídas nas formas de pensar costumeiras, religiosas, para o seu bom comportamento conforme as crenças que professavam. A Igreja Católica, tinha sido reformada com as ideias de Martinho Lutero, Jean Calvin e John Knox, As crianças eram as mais cuidadas para aprenderem a doutrina que professavam, que incluía a catequeses.

A liberdade de pensar, era e é ensinada durante a infância, no ritual da catequese. Os mais novos pensavam como os adultos, imitando o seu comportamento ritual da mais-valia, úteis à sociedade, especialmente se a vocação dos mais novos era a de governar o país.

Na vida rural ensinava-se em Missões. Sabiam teologia, que aterrorizavam aos pequenos com metáforas e parábolas.

O Padre Jacinto e o velho Padre Mariano. O primeiro, ensinava com alegria. Mariano dava-se o prazer de usar o medo para as crianças souberem do dia-a-dia da vida e o que podia acontecer após o falecimento. O Com justa razão. Mariano costumava dizer, com um crucifixo velho a antigo nas mãos, que era a imagem de um martírio, estas benditas palavras

   “…por cima o céu aberto, por baixo, o inferno aberto também. Entre o céu e o inferno, nós, pendente de uma cruz….arriba, o céu aberto, por baixo….”, Gritava e gemia o querido Padre Mariano, no seu fervor ardente de querer salvar almas para irem ao Céu. Com sacrifício: nem tomava banho nem mudava de sotaina. O seu colega, elegante, lindo e perfumado, andava connosco (acólitos) nos verões para ajudar nas suas homilias, entre camponeses que ouviam por respeito a patrão e família, mas nada entendiam. Mariano já deve estar no céu, de acordo com a sua doutrina, e Jacinto, muito velho ou no inferno, por andar atrás dos púberes católicos no que hoje designaríamos de sodomia, se o rapaz fosse púbere, ou pedofilia, se em idade de catequese ou confissão. Dois factos que me causaram horror, até o dia de hoje, luto com a palavra escrita para evitar esta felonia e passarem a ser factos que sempre aconteceram, mas foram convertidas em crime que merece prisão,  e julgamento com detenção.  Pela idade de Mariano, já velho, e as criminalidades de Jacinto, as Missões acabaram com eles, foram substituídas pelos sacerdotes dos Sagrados Corações, proprietários e docentes do colégio da nossa família.

Analisei estes factos da mina história pessoal com as teorias de Freud, Alice Miller e Melanie Klein , definindo-os como falta de maturidade e crescimento emotivo em adultos castos. Como hoje, os santos varões não consideravam falta estas actividades eróticas: eram masculinos e a castidade estava proibida apenas com mulher…Jacinto fê-lo, e ficou condenado como tantos Salesianos, Maristas ou civis em Portugal, que tomam conta de internatos e dos pupilos que ai moram e dormem… com eles… Um conjunto de mentiras que fez dos Iturra pessoas sem fé, livres e socialistas.

Esta a minha análise da liberdade de pensar é por causa dos que hoje, no nosso país, houve eleições legislativas. Há os que anunciam os seus programas, há os que, certos de ganhar, não divulgam o que todos sabemos: o aumento de impostos, que nos tornará a vida num pesadelo mais duro que as missões. Como Mariano e Jacinto, Sócrates e Passos Coelho pecam descaradamente com a população. Passo Coelho prega homilias de impostos para as dívidas que não conseguimos pagar. Muita catequese na infância, para confrontar dívidas de todos da vida adulta. Pensa que sabe aliciar a população para mais um sacrifício. Como Mariano, já conferiu a felonia financeira lusa, a tempo e horas para a sua pretensão de o nosso (próximo) primeiro-ministro. Nós, calados.

Sempre calados, se os comportamentos missionários para salvar almas e país aterrorizam as pessoas em prol de uma divindade ; eram os tempos de não ofender e de não acusar as pessoas das suas felonias. Contraditoriamente, eram os tempos em que não se falava, mas escrevia-se com liberdade e de forma inteligente, herança deixada por alguns, como Niccolò di Bernardo dei Machiavelli (3 de Maio de 1469 – 21 de Junho de 1527), René Descartes (La Haye en Touraine, 31 de Março de 1596Estocolmo, 11 de Fevereiro de 1650), filósofo, físico e matemático francês. Durante a Idade Moderna também era conhecido por seu nome latino Renatus Cartesius. Ambos, como Michelangelo e Júlio II, sabiam o que era a liberdade de palavra e usavam-na nos livros que escreviam, como em O Príncipe, de Machiavelli, ou a escultura O Moisés, de Buonarrotti em procura da igualdade. Michalangelo, terminada a obra, disse-lhe: levanta-te e fala… A liberdade de palavra é desconhecida. Machiavelli aconselha o seu príncipe que, para governar, é necessário saber falar (não à Mariano) com a verdade. O Príncipe De Médici ou Júlio II, é um Sócrates que diz o que pensa: pedir dinheiro emprestado para a nossa sobrevivência, enquanto Santos honra o seu nome, escondendo-se como os coelhos nas troikas do saber pensar e pagar o devido.

Na comunicação social, nomeadamente na escrita, como em outras instituições, a liberdade de palavra perdeu-se tal como Moisés… calou-se até o dia de hoje, tal como eu devo fazer. Posso pensar…

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