Critérios de incorrecção

Este ano o GAVE (entidade responsável pelos exames nacionais) trocou as reuniões onde os professores correctores recebiam verbalmente indicações extra e aferiam critérios de correcção por documentos confidenciais com onde essas mesmas instruções foram transmitidas.

Não fora a capacidade do Paulo Guinote em furar estes esquemas e teriam ficado mesmo confidenciais, para espanto de muitos, incluindo o bom senso e as regras mínimas de transparência administrativa.

Ao contrário de muitos sou acérrimo defensor de que estas instruções devem ser transmitidas por escrito, sem com isso evitar as reuniões de aferição, que são chatas mas úteis.

É que em 2007 fui corrector da prova de História A, e na altura muita falta me fez um documento dessa natureza onde se afirmasse preto no branco que designar o Estado Novo como um regime totalitário ou fascista era considerado um erro científico grave, e como tal fortemente penalizado. Bem tentei denunciar, mas não tinha provas. Talvez ficássemos a saber quem foi a besta científica grave que inventou tal critério, no ano em que a média desse exame ficou abaixo de 10 valores, só tendo havido piores resultados a Física e a Geometria Descritiva.

Comments

  1. mario tenreiro says:

    Esta coisa dos professores é daquelas coisas que deixam enjoado qualquer pai ou até mesmo enobrecido.

    Enjoado porque estas alminhas fazem tudo, menos…ensinar. Dos novos professores importa saber se conhecem o conteúdo do seu ensino e isto porque já andaram nas carteiras com esta gente…a não-ensinar. Em primeiro lugar, importa dizer a esta gente que são FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS e assim nada há de “confidencial” a não ser que lei formal assim o diga. Ora, vigora para as suas actuações desta gentinha o Código de Procedimento Administrativo, diploma que existe para dez milhões desde 1991…É ler. E é claro. E deixar os estados de alma na cozinha, de onde muitos não deviam ter saído, ou no psiquiatra, onde muitos deveriam ir.
    Em segundo lugar, num ensino de jeito, sem relatórios -isa, -osa, -nila, ou coisa-para-ninguém-perceber, requer-se clareza e concretização. Obviamente que há sempre um lado de subjectividade quanto mais não seja na eleição dos critérios. Mas que diabo! Aquela gente da 5-10 está a mais, dão bitaite a mais, …é como o problema do creme de leite: 6 ou 8 ovos para 250 ml de leite? Não deviam ter saído do local onde ficou o seu adn …

    Enobrecido. Sabe-se que os pais que dão matérias aos filhos, seja na História, seja na Matemática, ou no Inglês…reconhecem o seu ensino ao ver as notas que (eles nunca tiveram) os seus infantes tiram. E exemplo disso vê-se nas faculdades. Dar sandálias, …para poder andar na areia do nosso ensino…e saber que o sol não é para todos, é para quem o encontrar…

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