Aventar e Cervantes

aventar e dom quixote

Há dias e dias. Mudam os nomes, como muda também o nosso humor conforme a vida se vai desenrolando. Hoje, a nossa vida, dava para escrever outro Dom Quijote (Dom Quixote, em língua lusa). Cervantes não se limita a narrar, emite juízos de valor, condena a sociedade do seu tempo, vira as classes sociais do avesso, tenta ser justo e

 

criar justiça, desdenha dos servos com o intuito de os salvar e nomeia para seu assistente, Juiz de Paz, um camponês, por nome Sancho Panza, que não conhecia a letra nem por ser redonda. Sancho, imaginamos como e porquê, sabe gerir as relações desencontradas entre pessoas da mesma ou de diferente hierarquia, conquistando a admiração do povo. Sancho Panza era, o que hoje em dia é, o Aventar. Todos se lhe confidenciam e faziam o recomendado. Era, praticamente, a autobiografia do autor: Miguel de Cervantes Saavedra [a] (Alcalá de Henares, 29 de Setembro de 1547Madrid, 22 de Abril de 1616[1]), foi romancista, dramaturgo e poeta castelhano. A sua obra-prima, Dom Quixote, muitas vezes considerado o primeiro moderno[2], é um clássico da literatura ocidental e é regularmente considerado um dos melhores romances já escritos[3]. A sua influência sobre a língua castelhana tem sido tão grande que o castelhano é frequentemente chamado de La lengua de Cervantes (A língua de Cervantes)[4] (nota: guardo os números por serem hiperligações que orientam para outras informações). Dom Quixote bate-se pelo amor e pela sua donzela, tomando conta da sua virgindade, preciosa na sua época, e sabe lutar mantendo a paz no entendimento do outro. Era um senhor, um cavaleiro. Um cavaleiro é, na acepção mais básica da palavra, uma pessoa que monta a cavalo, mas o termo encerra uma grande variedade de sentidos, já que o facto de montar a cavalo teve, historicamente, significados muito diferentes. Para os gregos e romanos ser cavaleiro implicava prestígio social e económico.

Na Grécia Antiga, hippeis, literalmente “cavalaria”, constituía a segunda mais alta entre as quatro classes sociais de Atenas e era constituída pelos homens que podiam comprar e manter um cavalo de guerra, estando ao serviço da polis. A hippeis é comparável aos equestres romanos e aos cavaleiros medievais. Nos finais do Século XV o título de Cavaleiro foi concedido aos civis como homenagem ou recompensa por serviços públicos e privados. Este título é reconhecido em vários países sendo a sua atribuição uma honra conferida geralmente pelo monarca. Tanto homens como mulheres, foram ao longo dos tempos e em reconhecimento de notável mérito pessoal, condecorados com o título de cavaleiro. O título Sir usado como prefixo ao nome é usado após as iniciais da ordem de cavalaria.

Entre nós, actualmente, cavaleiro é quem sabe comportar-se com simpatia e louvor, como parentes, vizinhos e amigos, com conhecidos e desconhecidos. Se não formos capazes dessa interacção, a nossa vida é um desnecessário sofrimento, insuportável de viver.   

Miguel de Cervantes resgatou-nos das tristezas da vida. Embora já não esteja por cá para nos apoiar, a sua palavra escrita substitui-o e leva-nos a aceitar os dissabores da vida, tão frequentes nestes dias, por sermos um país falido, pobre e caro, que até um cêntimo acaba por ser parte de um tesouro que cuidamos com carinho.

Mas, se do autor ficaram apenas os seus livros, um novo conjunto de cavaleiros surgiu, que areja as suas tristezas ao vento, libertando as nossas tristezas e os mal entendidos e incentivam os debates entre pessoas que apenas se conhecem pela letra escrita.

Ventilar, farejar, agitar ou mover no ar. Arremessar pedras, etc.. Sugerir, expôr, proferir, aventar uma opinião, é o que me mantém dentro deste grupo.

Ainda bem que existe o Aventar: Ficamos aliviados, como eu hoje neste dia e data…

Comments

  1. Prof.Doutor Raúl Iturra says:

    Escrevi este texto por causa de Dom Quixote, quem sabgia bater-se por honra e luvor. AQpós ter sido conviado pelo criados do Blogue, agradeci e desdee esse dia não tenho deixado de contribuir. Teho recebido críticas dura e criticas simpâticas. Apenas lembro as simpâticas, uma honra e louvor para mim. Comento no texto que Cervates já não está connosco, mas está o Aventar que, como dom Quixote, sabe dizer e pemite desabafar. Ainda be que este blogue existe e peite arjar as nossas alegrias e tristezas. Há debate puro e duro, outros fogem das opiniões, mas há os que persistemj am aventar as suas ideias. Viva Aventar e os seus autores. Não é graxa, É um desabafo sobre o acolhimeto dos meus textos, por bem ou por mal.

  2. rsantos says:

    É por estas e por outras que adoro este blog. É raro o caso de escrita online em que encontra uma escrita pensada, fundamentada e cuidada. Força Avatar

  3. Prof.Doutor Raúl Iturra says:

    agtradeço o comentário: levanta a alma e o espírito quando se quer dizer bem e somos mal entendidos

  4. jorge fliscorno says:

    Interessante analogia. Gostei.