Da raiva em estado puro e da luta em estado de crisálida

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem“.  O poema de Brecht acordou desta vez em Londres. O desemprego, a miséria, a destruição do estado social pela direita no poder, um assassinato cometido pela polícia como motor de ignição, eis as margens deste rio de chamas. No meio uma mulher confronta os jovens: a lutarem que lutem por uma causa.

Nem ela sabe como é muito mais perigosa para Cameron que todos os motins espontâneos. Mesmo assim, a aflição é tão grande que no Insurgente adivinha-se o fim do socialismo: o humor britânico no seu melhor.

Se querem uma boa análise dos factos, procurem no Ladrão de Bicicletas.

Adenda: acabo de constatar um caso evidente de plágio (parcial, mas plágio é plágio) entre o que aqui escrevi e o que a Gui tinha escrito aqui. Na impossibilidade de provar que ela tinha adivinhado o que eu ia escrever, ficam as minhas desculpas, ou coisa que o valha.

Comments

  1. José Freitas says:

    Será que esta alienação da juventude pela sociedade em que vivemos e tal não poderia manifestar-se de forma mais, sei lá, civilizada? Os coitados dos deserdados, vítimas de uma política de direita sem preocupações sociais não poderão protestar sem destruír o roubar o que é dos outros?
    Um polícia assassinou, de forma bárbara, por certo, um cidadão, e a resposta é incendiar, destruir, pilhar, melhor roubar? É uma reacção às desigualdades, às injustiças? Digam isso a quem viu as casas e negócios queimados e a quem pode ter perdido o emprego graças à ‘revolta’ dos ‘desgraçados’.

  2. José Freitas says:

    Também não disse que o era, João. Tenho é dúvidas que seja o início de qualquer coisa, como apontas na utilização da palavra “crisálida”. Poderia ter sido um protesto mas num instante passou a vandalismo em estado puro. E o vandalismo não tem ideologia.

  3. José Freitas says:

    Eu sei que sim. Os gajos que estão a destruir Londres também fizeram o mesmo. Primeiro quiseram fazer um protesto real, depois desejaram destruir e roubar.
    Uma mensagem de ‘convocatória’ para a coisa é esclarecedora:
    http://www.guardian.co.uk/uk/blog/2011/aug/08/london-riots-day-two-roundup

  4. Artur says:

    Porque é que fico com a sensação que a “esquerda” regozija quando estas situações acontecem? Será das chamas, das sirenes da Polícia, dos rebentamentos, dos bastões, dos escudos, das pedradas, do sangue, dos choros e dos gritos, etc Excitação sexual? Catarse de antigos traumas?
    Porque serve a ” luta revolucionária”? Porque se espera que depois do caos venha a nascer uma estrela?


    • Artur, ninguém se regozija quando explode um motim que não é uma luta mas um mero acto de raiva. Eu pelo menos não o fiz. Isto não é uma luta revolucionária: é um misto de revolta com consumismo. E sobre isso o vídeo é bem explícito.
      Convém é apontar o dedo a quem fez destes jovens gente sem princípios mas com desemprego, sem horizontes, sem destino. E este também é o preço que a direita tinha de pagar porque cortou nos apoios sociais, coisas tão simples como os clubes para jovens que encerrou: não querem pagar as almofadas sociais, sujeitam-se a levar na cara sem almofadas pelo meio.

      • Artur says:

        Sempre focado nas causas sociais, politicas ou económicas; e quanto ao livre-arbitrio, não é este que em ultima instância é responsável pela maioria das nossas acções? Não escolhemos nem os pais, nem a raça, nem o bairro nem as condições económicas em que nascemos. Mas temos a liberdade para escolher o nosso comportamento.


        • Sou muito céptico quanto ao livre-arbítrio Artur. Quando se tem fome a liberdade de escolher o nosso comportamento fica um bocado diminuída.

          Nota: não estou a dizer que estes ingleses têm fome, atenção. Parece-me sim que lhes meteram na cabeça fome de plasmas e consolas de jogos.

          • Artur says:

            Os milhões de humanos que passam fome todos os dias, MAS que não deixam de se comportar com “humanidade”, provam que o livre-arbitrio é o factor mais importante.


          • Somos diferentes. Eu suporto bem um dia sem comer.Mas não me responsabilizo pelos meus actos se me meterem muito ruído por perto…


  5. João José – como diria o nosso amigo e inefável N C-B – tomei a liberdade fazer ‘link’ aqui:
    http://solossemensaio.blogspot.com/2011/08/comentadores-politicos-e-crise.html
    Um abraço amigo,
    CF

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