Turmas CEF: O testemunho de um professor enxovalhado

Hoje sofri bullying dos alunos. Já participei tudo e vou queixar-me ao meu advogado e ao Estado português. Nem imaginam como me impressionou, logo a seguir à minha aula, ver um colega completamente desesperado com as lágrimas nos olhos, pois ele nem a chamada consegue fazer. O director tem de actuar forte e feio.
A mim, ao fim de mais de 20 anos de carreira, deram-me este mimo: «O professor é uma merda e vir às suas aulas é uma merda»… Arrotaram e deram pus… Colocaram phones, levaram bola, bateram nas carteiras e cantaram… não sei como me segurei. Algumas vezes, penso que vou fazer uma asneira e arrepender-me para o resto da vida… nem me conheço… fiquei calmo, calmo, mas duma calma doentia…
O meu advogado disse-me isto: se alguma vez eles lhe levantarem a mão para si, não responda. Saia e faça queixa, mas não se atire a eles… eu acho que me ia dando uma coisa hoje! Um vagabundo a dizer-me aquilo é surrealista…
Estou doido da cabeça – pior … Pela manhã, pela minha janela, outra turma… um tipo penso que tentou passar ou vender tabaco ou droga… Eu disse ao vagabundo «Senta-te já». Respondeu-me «Cale-se» e pediu dinheiro … para comprar lá fora.
O director esteve na sala, chamei-o, mas isto já não vai com directores… A certa altura, quando ele ia a sair, há um malcriadão que lhe diz, nem sei se ele se apercebeu ou fez de conta, «feche a porta por causa das correntes de ar»…
Perante isto não tenho mais nada a comentar, a dizer, simplesmente que não tenho saúde para isto. É uma relação de provocação contínua nos CEF’s [Cursos de Educação e Formação]. Impossível, a nossa profissão… esta não foi ensinada nem no estágio, nem na experiência, nem na faculdade… isto passa já para a secção de delinquência e psicologia.

(Enviado por um professor devidamente identificado que solicita o anonimato)

Comments

  1. manuel.ferreira says:

    COOPERAÇÃO DO FUTURO===NOVIDADES URGENTES…Um grupo de 54 Professores de uma Escola Secundaria Publica constituíram uma empresa cooperativa , e assinaram um contrato com o ESTADO — a Escola passou a ser deles e o Estado paga uma Mensalidade por cada Aluno…igual ao valor do Colégio Privado que funciona na mesma Freguesia…( 260 euros/mês )…O ESTADO FEZ UM GRANDE NEGÓCIO…poupou cerca de 42% dos custos daquela Escola, em comparação com o ano anterior…SE A MODA PEGA EM PORTUGAL…

    • raquel says:

      Querem colocar militares nas escolas a vigiar exames e alterar o calendário escolar de forma a que os alunos tenham apenas um mês de férias!!! Ponham é os militares na escola a lidar com estes meninos durante o mês de julho (pelo menos) e talvez o nível de delinquência baixe no futuro!!

    • Maria Alice Monteiro says:

      Tenho muita pena dos professores, dos auxiliares de educação, são eles a garantia da educação que muitos alunos têm, porque em casa não a têm, a maioria dos pais hoje não sabem educar, só sabem reclamar pelos direitos dos seus filhos, que leis são estas hoje, todos têm direitos, e os deveres onde estão?, os profissionais de educação é só calar, calar e obedecer, deixar que os enxovalhem, se retribuírem com alguma palavra menos própria são enxovalhados pelos pais e alunos, despedidos se se passam da cabeça, têm as suas obrigações, e os outros não as têm?, as leis têm que mudar, não sei como, é difícil, as leis já vêm da europa, mas está a correr muito mal, a educação tem que vir de casa, os pais já são revoltados já não se respeitam, e o filhos dobram essa revolta e essa falta de respeito, coragem têm que ter esses profissionais, tanta falta fazem á sociedade, sem eles os bons, que vai ser dos nossos netos, os jovens não têm mão nestes delinquentes. Um bem haja a todos os corajosos educadores sejam pais ou professores, sim que os á muito bons.


  2. Este relato, de muitos possíveis, vai de encontro à minha rebelde teoria de que o Estado prefere ter professores dopados pelo medo e terror do que alunos cidadãos competentes e capazes.
    Sai mais barato e os morangos com açucar ficam mai’ lindos na fotografia que um prato de sopa.

    E um par de estalos no focinho. No meu tempo era assim e funcionava. Havia até alguma vergonha em faltar ao respeito.


  3. Não me choca o texto, fui professor alguns anos (há cerca de 2 décadas) deu para perceber que este seria um dos frutos do sistema de educação: à falta de educação vinda de casa contrapunha-se a humilhação dos professores, à agressão dos alunos contrapunha-se o recuo dos professores, aos maus resultados contrapunha-se a culpa dos professores, etc. e tudo para democratizar o ensino e integrar estudantes que deveriam estar era num reformatório e fortalecer os pais desestruturados perante um poder fracoque queria os votos deles e filosofias políticas que sempre destruiram a autoridade e respeito dos professores.


    • Sem dúvida….o sistema nacional é muito permissivo…Durante o tempo que fui professor (39 anos e meio) não fui propriamente um tipo autoritário…Mas há alunos que deveriam estar fora do sistema regular…


  4. É triste ler textos destes e saber que são apenas uma gota no oceano da realidade.
    A falta de educação e disciplina abunda. Começa em casa, passa pela rua, segue pelos orgãos noticiosos que espalham as notícias como brasas sem a correspondente crítica, dá um salto até à escola e de vez em quando vai até à polícia.
    A falta de segurança nas escolas é latente. Quer alunos, quer professores estão à mercê da lei do mais forte.
    O estado, ou seja, todos nós, olhamos para o lado e fazemos de conta que não é nada connosco.
    Está na hora dos professores saírem à rua e reclamarem contra este estado de coisas, este sim, é um protesto válido e pode ser que chame a atenção dos políticos.

    • Emília serra says:

      O problema é que os sindicatos passaram frequentemente a mensagem que as lutas dos professores se deviam apenas aos cortes de salários,ao aumento da carga horária e ao congelamento das carreiras.Ora,foi fácil à maquiavélica Maria de Lurdes e restantes comparsas políticos e comentadores(incluindo Miguel S.Tavares,Emídio Rangel,etc) do mesmo baixo calibre, aproveitarem-se disso para dizer que os professores eram uns inúteis que ganhavam muito e não queriam trabalhar.Fragilizados por uma imagem pública destas,extenuados física e psicologicamente,perseguidos pelo sistema, com a ameaça do desemprego a pairar sobre as suas cabeças,os professores baixaram os braços e transformaram-se nuns fantoches nas mãos do ministério, dos pais e dos alunos! Pobre classe transformada em “Agnus Dei” para remissão dos erros dos incompetentes e dos corruptos…pobre sociedade que vai pagar um preço tão elevado pelo que está a fazer….

    • Alfredo says:

      Concordo com tudo menos com o último parágrafo, que deveria ser: …este, é mais um protesto valido…
      Porque razões para protestos é que n faltam. E a soviedade o q faz? Nada, assobia para o lado e diz que num querem trabalhar. Mais uma vez vemos aqui a sociedade a querer desresponsabilizar-se. E entao de quem é a culpa?
      De todos nós, pais, que não sabemos/queremos/podemos educar os filhos e os mandamos para a escola sem este requisito. Ter filhos não é só fazê-los e depois passar a redponsabilidade para a sociedade e o estado.
      Os professores n são super homens.

  5. Alexandre Pinto says:

    Imaginem o cenário com a obrigatoriedade de frequentar a escola até aos 18 anos/12.º ano…

    Os alunos são os menos culpados, afinal só estão na escola, porque a isso são obrigados.

    • Luís Nata says:

      Os alunos são os menos culpados?… Nos CEF não são miúdos. São alunos com dezasseis no mínimo e daí para cima. Têm idade para saber o que fazem. São culpados e não são pouco. Claro que o sistema instituído e o desrespeito que os governos sucessivos têm tido pelos professores e a sua desautorização, para além da desresponsabilização ou incompetência educacional dos pais, não podem ser ignorados….

  6. Carlos Mendes says:

    Este é um dos problemas mais graves com que estamos confrontados. Estes “estudantes” não podem continuar inimputáveis. Não podemos “avançar” para a escolaridade obrigatória até ao 12º sem resolver, minimamente, este problema. Não podemos manter no sistema de ensino normal aqueles que deveriam estar num reformatório (entenda-se a trabalhar e não internados em instituições).
    Por outro lado, é necessário denunciar escolas como esta, onde anda gente incompetente a fazer de conta que é director ou que desempenha outros cargos de responsabilidade, auferindo vencimentos imerecidos sem proveito para ninguém, a não ser para eles próprios.


  7. Foi por estas razões que não coloquei a minha filha numa escola pública. Dir-me-ão que nem todos podem (o que é verdade) e que estou a criar uma alienada que pensa que todos vivem sem grandes dificuldades (faço tudo para que isso não aconteça). A falta de educação é transversal à sociedade … talvez. Mas na maioria do ensino privado existe uma coisa que se chama respeito pelos mais velhos. Docentes e não docentes. Um empregado é um “superior” quanto mais não seja pelo facto de ser mais velho.
    Um amigo com um filho matriculado numa escola pública em Aldoar ouviu da professora dizer duas coisas:
    1. Este ano apanhas dos mais velhos, mas faz parte do crescimento. Para o ano bates tu nos mais novos!!!
    2. É proibido trazer cigarros e navalhas para a escola!! [O miúdo tem 10 anos – 5º ano].

    O pai em pânico foi matriculá-lo num externato.
    Há 40 anos atrás a escola era pública, dos mais humildes aos mais afortunados. Agora em algumas zonas, é um salve-se quem puder.
    Fiz toda a minha escolaridade em escolas públicas desde o 5º ano e só lamento que uma minoria de selvagens impeça a maioria de trabalhar normalmente.

    • Célia Figueira says:

      Não concordo consigo apenas num aspeto: o desrespeito também já chegou em força às escolas privadas, bem como a manipulação dos encarregados de educação, que não permitem que o seu filho/a seja devidamente responsabilizado pelos seus atos de desrespeito aos docentes (e aos colegas da turma, porque quando há indisciplina numa sala de aula, ninguém aprende o que deve aprender!) só porque está a pagar uma mensalidade choruda. O estatuto do aluno tem de ser revisto JÁ! Os alunos e os encarregados de educação que desrespeitam a escola, os professores, os funcionários, os seus colegas, têm de ser severamente punidos!


    • Na Escola Pública os Professores são enxovalhados por alunos, sou professora numa escola pública e fiz parte da Direcção de um Agrupamento de Escolas e dp do Mega Agrupamento, vi coisas que nunca imaginei ver nesses CEFs pq era frequente chamarem a Direcção à sala de aula. Contudo nunca vi nenhum professor fazer o que fizeram ao meu sobrinho num colégio de Lisboa, o Colégio Moderno. É um bom aluno, educado e sossegado, está no terceiro ano de escolaridade, a professora, minha colega de profissão mas não de educação, quando o meu sobrinho se chegou junto à secretária para a Sra corrigir o trabalho que tinha feito pegou num elástico atou em cima o cabelo da criança e disse para toda a turma: ” Vejam lá meninos não parece mesmo um Yorkshire? ” o que dizer a isto?
      Eu que pensava já ter visto tudo agora deparo – me com esta situação. Estou furiosa e digo mais era uma queixa para o Ministério bem feita.

  8. Bruno says:

    Como porfessor apenas digo: Quem não está para a escola que sai, a bem ou a mal, para que quem quer lá estar possa aprender. A burrice de governos deu nisto: qualquer burro, ao abrigo da marginalização social, tem que estar na escola, que é um coitadinho e há que inseri-lo. No meu tempo, quando um funcionário ia ao executivo da escola, vinha com a cara a ferver e nem bufafa. Agora? É a rebaldaria autêntica. Pena que uns poucos energúmenos atormentem e destabilizem o funcionamento normal de uma escola. Não fiquem chocados com a palavras “mansas”.


    • Fico chocada é com a correção do texto!! Acho lamentável…

  9. Konigvs says:

    Há mais de quinze anos que deixei de estudar e não sei ao certo o que se passa nas escolas hoje em dia. Há tristes exemplos como o que aqui foi relatado – casos sempre muito mais mediáticos como o célebre “dá-me o telemóvel já” que as televisões passaram e passaram até à exaustão, mas também são conhecidos bons exemplos, com muito menor relevância claro porque diz-se que as boas notícias não vendem.
    Muita coisa mudou desde que fui para a primária. Nessa altura os pais avisavam logo “se te portas mal e o teu professor te der umas reguadas, chegas a casa e ainda comes mais”!!
    Hoje em dia é do género “se o teu professor te levantar a voz diz-me logo que eu vou lá e fodo-lhe a boca”!
    É lógico que tudo começa em casa, e hoje em dia a grande generalidade dos papás não sabe educar. Os pais são escravos dos pequenos ditadores e como não se estão para se chatear compram-nos com mimos e mais mimos, e nunca lhes sabem dizer que não, comportamento esse que depois se vai virar contra eles, mas isso já é outra história.
    Apesar disso, compete à escola encontrar formas de resolver estes problemas, e depois claro, tudo depende também da personalidade do professor.
    Lembro-me sempre de uma frase que vi no filme “Um polícia no jardim escola”, em que a detetive Phoebe O’Hara diz a John Kimble (Schwarzenegger) que vai ter de substituí-la como professor infiltrado na escola porque ela adoeceu, e diz-lhe o seguinte “se mostras medo eles comem-te vivo”. E com este tipo de alunos complicados tem que se ser muito firme senão acaba-se por entrar numa espiral sem retorno. Mas isto é retórica, imagino que seja muito mais complicado na prática, não imagino sequer o que será levantar todos os dias para ir trabalhar e saber que se tem essa situação para enfrentar todos os dias…Surgem as desmotivações, as depressões…é complicado.

  10. madalena says:

    tudo isso é fruto da “ciência e dos especialistas” , das teorias pedagógicas , psicológicas e tretalógicas… muitas barbaridades se fizeram em nome de deus , mas as que se fazem em nome da “ciência ” não lhes ficam atrás.

  11. José Ramos says:

    aí está !!!!!!!!!!!!!Fui professor durant 35 anos !!!!!!!!!!!!!Pedi a rescisão do ensino «Público !» PorqUê? Estava a ficar louco , demente , envergonhado , chocado , doente , impotente , humilhado , vexado , aviltado , e explorado pelo Estado !EU SEI O QUE É SER PROFESSOR NO NOSSO ENSINO PÚBLICO !Uma acintisa e vil forma de ser explorado , humilhado e desautorizado por fedelhos covardes , e com laivos de má educação , provocação constante e perseguição a todo o momento !Estou depauperado , na ruína física , psicológica e financeira , contudo , trabalho na agricultura ppara ganhar cinco tostões para não morrer à fome !


    • Eu também saí, a minha dignidade e saúde obrigaram-me a abandonar uma carreira que trilhei 35 anos até ao topo e uma situação estável (dentro do que agora essa palavra alcança, claro). Saí, e reconquistei a minha auto-estima e paz de espírito! estou a lutar por construir um futuro novo, mas estou feliz.

  12. Mauro Rodrigues says:

    Eu acho que mais vale expulsar os alunos que se portam mal na sala de aula do que mantê-los e aguentar a humilhação e “rezar” que aprendam alguma coisa. Então mas a sala de aula é para aprender ou não ?

    • Eunice says:

      ” expulsar da sala de aula” é fácil dizer, o problema surge quando dizem ” não saio”.


  13. Fui professor 36 anos e ainda assim me considero… talvez porque sempre adorei ser professor, não sei!?
    Uma coisa sei!
    Os gaiatos não são burros e sabem muito bem que nada lhes vai acontecer pois o exemplo vem de cima… já nem falo de alguns encarregados de educação (não são todos, nem a maioria… graças a Deus), mas sim de quem nos tem governado e continuamos a deixar que o faça.
    Vejam os exemplos de gente que não estudou, não trabalhou e manda em tudo e todos, ganha o dinheiro que quer e está-se borrifando para a lei (os nomes são conhecidos).
    Os alunos sabem isso, sentem isso e optam pelo mais fácil, ou seja, jogam com as regras que estes despodurados fabricaram a bem de eleições que, num ciclo vicioso, lhes permitem voltar a exercer, mantendo a porcaria que vêm continuando a fazer. Com educação deficiente e consequentemente sem capacidades de defesa, estes jovens salafrários de escola, não tendo família ou amigos que os suportem em empresas grandes ou na via política, quando batem de frente com a vida, na maioria dos casos, tem duas hipóteses: marginalidade ou empregos dos 500 euros.
    Digam lá a quem poderá servir isto… talvez aos grandes investidores que suportam governos e consequentemente aos governos suportados!? Portanto, a ser assim, estão como querem.
    Dados relativos a professores, alunos ou pais com problemas, desde que não interfiram com eleições… são perfeitamente expurgáveis para quem manda.
    Como remate e já que não se espera nenhuma revolução séria (se é que as há…) talvez seja melhor começarmos a educar descendentes para lerem e entenderem as leis, observarem o comportamento dos malandros, servindo-se de tal para singrarem a sério na vida, porque isto de estudar, trabalhar e ser sério, não está decididamente na moda e dificilmente enriquecerá alguém.
    Imaginem só as aulas giras e interessantes que tais matérias não davam!?
    Pergunto-me se isto serão coisas dos tempos que correm… ou terá sido sempre assim!? Não sei ao certo!?


  14. Eu só não percebo o anonimato. Estas situações deviam ter rostos.

    • Alfredo says:

      Eu quase q apostava q a Rosalina não é professora e isso faz compreender o seu comentário. Mas infelizmente, tt pelas intituições como mesmo pelo proprio bulying, percebe se q se queira resguardar. Mas isso n signigics q seja mentira, porque casos desse género não faltam, infelizmente.


      • Ainda bem que não apostou, Alfredo. Perdia. Sou professora.

        • Alfredo says:

          Pena q naesteja com essa turma e esses alunos…


          • Que comentário tão desagradável, Alfredo!
            Provavelmente, por essas e por outras reações semelhantes à sua é que há turmas como essas.
            Enfim.

          • Alfredo says:

            Enfim…
            Essa deixa era munha.
            por comentarios como os seus é q alunos como esses sentem rodo o apoio para fazerem bulying.
            Afinal o problema esta no anonimato e nao no bulying. Certissimo…
            Ta td dito!


          • É “rodo” é…

            Repare, releia o que escreveu até agora dirigido a mim.
            E, se for capaz, reflita: Quem está a ser aqui violento com as palavras? Quem se esconde atrás de um nome apenas?

            Eu tenho em todos os comentários o meu nome e o meu rosto.

          • Alfredo says:

            Ah agora isto é violência, boa! Consigo esta troca de palavras é violencia, com o outro bulying nao é nada, a unica coisa q a incomodou foi n se mostrar e ser anonimo.
            tenha dó, para nao dizer outra coisa.


          • Claro que é violência e se não percebe é porque eu tenho, de facto, razão quando escrevo em cima que é por gente como o Alfredo a fazer comentários como faz que ao longo dos tempos se “criam” turmas como aquelas que são descritas no poste.

            Se os comentários escritos são assim, imagine-se a atitude presencial.

            E veja lá se percebe o que eu quis dizer com “Eu só não percebo o anonimato. Estas situações deviam ter rostos.” Porque parece que não percebeu.

            Não percebo o anonimato porque considero que uma das formas de lutar contra este estado de “coisas” é denunciar. E denunciar implica dar a cara. Assumir: “Eu vi.”; “Eu estive lá.”; “Aconteceu-me.”

            Porque se isso não acontece, as pessoas a quem acontece vão andar a vida toda com medo que aconteça.

            Por isso não percebo o anonimato.

            E, já agora, a troca de palavras consigo é violenta, sim. O Alfredo não respeita a minha opinião. Tem estado a ser agressivo na forma como me responde e ainda por cima dá, no mínimo, erros ortográficos.

            Por acaso é professor?

          • Alfredo says:

            Eu escrebo cumo eu qiser. I se não intender pruvlema seu.
            Alias eu precevo q num intenda, ja qe td exta descussao é sovre uma situassao q pelus bistos num consegue intender. Como eu num tou pra fazer um dezenho, ficamos por qui.
            Pace vem.


          • Portanto, além de não respeitar a opinião dos outros, goza!

            Meu caro, neste caso, quem termina a conversa consigo sou eu.
            Aliás, já lhe dei “tempo” a mais.

            Peço desculpa aos restantes.
            Com licença.

    • Maria Clara Ferreira says:

      De certeza que não sabe como as coisas funcionam! Eu fui professora durante quarenta anos e, felizmente, sempre consegui lidar com casos de indisciplina. No entanto, nem todos temos perfis semelhantes… e não posso esquecer a energia que é precisa para, muitas vezes, se conseguir controlar algumas situações! Além disso, até a idade do professor tem influência no modo como é respeitado… E repare: alguém que se sente em dificuldades vai mostrar aos alunos isso mesmo? Aqui, não há cobardia no anonimato, mas apenas cautela! Sejamos humanos! Durante a minha vida profissional, assisti a episódios inacreditáveis e o processo de ensino / aprendizagem não pode estar à mercê da boa ou má educação. As regras básicas de convivência têm de ser uma aquisição feita na família.


      • Não concordo consigo, Maria Clara Ferreira.

        E atenção que em momento algum da minha participação neste discussão dei a entender, sequer, que considerava o anonimato neste contexto uma questão de cobardia.

        Não penso nada disso.

        Não o percebo neste contexto.
        ———————————————–
        ———————————————–

        E agora, permitam-me uma palavra sobre a forma como tiram conclusões sobre terceiros de forma tão precipitada.

        O Alfredo considerou logo que eu não seria professora.
        A Maria Clara acha que não sei como as coisas funcionam.

        Quão enganada estão!
        Ambos.

        Sou professora há 26 anos. E sou professora sem cargos. Professora em sala de aula há 26 anos.

        Portanto, parece-me que já terei tido tempo de saber como é que as coisas funcionam.

        Tenho é, pelos vistos, uma opinião diferente de ambos.

        E, se calhar, deveriam, até porque serão, também, professores “aprender”, antes de mais, a respeitar isso.

        Seria um bom princípio. Digo eu, claro.

        Se não quiser respeitar esse princípio que me parece ser um daqueles que deve vir de casa, Maria Clara, continue a pensar que é uma questão de cobardia o facto das pessoas quererem ser anónimas quando nunca se disse isso. É uma opção sua.
        Tenha uma boa semana.

    • Braga says:

      Ia a senhora trabalhar para a escola sem anonimato depois de admitir tudo isto!…


  15. eu fui formadora e sempre me bati por uma seleção de formandas mais rigorosa… o problema é que quem os manda para as salas de formação está-se nas tintas, não são eles que as aturam… conheci formandas que eram miúdas espetaculares mas conheci outras que não interessavam a ninguém mesmo… e no que toca aos diretores, eles querem é saber de números para levarem os louros… e dinheiro! Muito teria a dizer em relação a este assunto até porque fui mandada embora sem nunca me terem visto a trabalhar, apenas porque pertencia a um dos raros núcleos de formadores que só validavam formandas que de facto, tinham adquirido as competências necessárias para exercer a profissão, mas o que eles queriam era que validássemos todas… mesmo aquelas que em final de curso nem sabiam o que era a coluna vertebral (num curso de estética).

  16. Manuerl Dias says:

    A triste situação do ensino e dos professores deve-se exclusivamente a estes. Fui professor 30 anos e testemunhei a submissão com que os colegas aceitavam todas as novidades que saíam dos crânios privilegiados do Ministério. Só medidas tendentes a responsabilizar o professor pelo insucesso dos alunos. O que levava a que bastasse dar notas positivas para se ser bom professor. Eu sempre defendi que devíamos obedecer mas protestar. Só consegui inimizades. Saí cedo enojado com tanta falta de caco. Por isso os professores estão a colher o que semearam. Não se façam vítimas inocentes.

  17. prius says:

    Em resposta ao tópico, situações destas são frequentes nos CEF e fora deles, há uns anos tive CEF com 20 alunos numa turma, TODOS altamente problemáticos que tornava quase impossível dar as 2 aulas semanais de 90 minutos cada uma!!!
    Tive que aguentar o ano inteiro, os cerca de 154 tempos letivos do curso/ano, na escola todos sabiam daquela pouca vergonha, 20 rapazes com um historial de crimes no Curriculum…só faltou eu próprio ser agredido fisicamente, tendo havido cerca de 70 participações disciplinares durante o ano devidamente fundamentadas e formalmente encaminhadas…
    RESULTADO disto tudo, no fim do ano fui penalizado na avaliação docente, alegadamente por ter feito demasiadas participações disciplinares!!!! EU FUI O PREJUDICADO, recorri da avaliação e seus fundamentos, marcou-se sessão de recurso em instâncias superiores para o mês de agosto (mês de férias) e, eu não consegui nenhum colega da turma em causa, para me ajudar nessa cruzada, precisamente por estarem de férias nesse mês!
    CONCLUSÃO: Aguenta que é serviço…

    .

  18. Maria João says:

    …mas o ensino é obrigatório até aos 18 anos….jovens delinquentes “à mistura” com jovens com deficiência intelectual… à mistura com a total ausência de autoridade por parte dos “docentes”, que eu prefiro dizer PROFESSORES, que na hierarquia da Escola Pública estão na “casta inferior”…. TUDO A Bem DO COMBATE AO INSUCESSO ESCOLAR… Fizessem grandes alterações aos conteúdos programáticos (menos extensos e adequados à realidade, como nos países desenvolvidos da Europa) e investissem na disciplina de Ciências PEDAGÓGICAS na formação de professores, ….e os pusessem no 1º LUGAR da “casta” nas Escolas…. e a DISCIPLINA nas suas mãos… e pusessem UM PROFESSOR qualificado para tal à frente dum agrupamento escolar, e NÃO um alpinista político …..pronto a saltar para a chefia da autarquia…. dessem ás crianças e jovens com Deficiência a oportunidade de aprender ao seu ritmo , em ESCOLAS APROPRIADAS , essas sim INCLUSAS, …..em vez do faz de conta em que se tornou o nosso país e as nossas escolas….e TALVEZ se desse volta a isto…. Sou médica, mas com MUITO ORGULHO sou filha de 2 GRANDES PROFESSORES!….

  19. Paulo Castro says:

    Este tipo de comportamento deve ser relatado aos pais, em primeira instância, mas logo de seguida à CPCJ da área da escola.

  20. Rui Gusmão says:

    São uma cambada de drogados… deviam era mandá-los para campos de trabalho no Alentejo e para outras zonas agrícolas a trabalhar de sol a sol, para darem valor aquilo que têm… muitos deles nem merecem o ar que respiram. Os Pais destes miúdos deviam pagar ao estado uma coima pela sua incompetência enquanto pais!
    Só à chapada nos pais e nos filhos!

  21. maria oliveira says:

    Conheço, vivo, tudo isso no meu dia-a-dia profissional. A última: “Você é uma vaca!” não foi tão grave como a ocorrida há cerca de tês meses, quando, na sala de aula, disse a um aluno para tirar o boné: ” Ó caralho, vai-te foder! Vai para o caralho (…).” (Quando abri a porta da sala para ele sair e lhe pus a mão nas costas): ” Saio porque eu quero. Se me tocas, parto-te toda (…)” Sabendo das respostas usuais, desencadeadoras de ainda maior desautoridade do professor, a tentação de nada fazer é grande… “O bom professor é aquele que é fixe, que nunca tem nada a dizer dos alunos,… Se o aluno reagiu assim, é porque alguma coisa fez o professor… O aluno, os pais, têm sempre razão!” Cada vez mais, sinto que ser professor é trabalhar num trapézio, mas… sem rede!


  22. Colega, estou solidária. È preciso ter uma saúde de ferro para ser professor com miúdos arrogantes e mal educados.A culpa foram os facilitismos demagógicos do passado,… que criaram uma cultura de super poder que foi parar ás mãos de quem não o soube ou sabe gerir.
    Qualquer dia ninguém vai querer ser professor, atendendo a determinados contextos.

  23. prius says:

    Para explicar melhor o cenário da turma do CEF de eletricidade que tive, os alunos tinham a minha disciplina CIDADANÍA E MUNDO ATUAL a partir do primeiro tempo da tarde, durante a hora do almoço tinham feito os habituais concursos, entre eles, de red bull… e vinham alterados para a aula… agora aguentá-los fechados numa sala de aula 90 minutos sem interrupção, muitas vezes com síndrome de abstinência, hiper-atividade etc… etc… é que foi dificil…, já para não falar nos roubos dentro de sala de aula, discussões entre eles e cenas violentas de pancadaria… com cadeiras pelo ar, eles caídos no corredor engalfinhados, até houve uma cadeira que voou e partiu uma janela… armas brancas acompanhavam-nos com polícia segura à porta da escola… até uma vez me mostraram uma BORBOLETA que vinha embrulhada num pano branco, era uma arma preta, supostamente verdadeira!!!!

    Eu próprio também acabei roubado dentro da sala, estava a ajudar nos trabalhos de grupo no fundo da sala e, os da frente, foram dentro da minha pasta, abriram a carteira de dinheiro que estava no fundo escondida e, às pressas tiraram 20 euros; dei conta no final da aula, quando estavam a sair, pois a pasta estava remexida e a carteira do dinheiro aberta…, fui a correr à direção dando conta do sucedido, o diretor tomou as medidas necessárias indo apanhar os meliantes/alunos à porta da escola, pedindo auxilio à polícia segura que os perseguiu e apanhou na pastelaria lanchando com o meu dinheiro… No dia seguinte às 8 da manhã estava o cabecilha do roubo à entrada da escola à minha espera, para deliberadamente me entregar um molhe de moedas, como sendo o troco do lanche do dia anterior!!!! Chamaram-se os pais, primeiro recusaram-se a aceitar que os filhos tinham roubado o Professor dentro da sala de aula, depois, confrontados com o testemunho lá aceitaram e pagaram-me diretamente os 20 euros, com a presença do diretor da escola! Eu já tinha para mim que, se tivesse sido agredido físicamente acabava-se esse suplício, teria posto atestado médico até final do ano, mas mantive-me firme e hirto até ao fim, outros colegas da turma tiveram que ser substituídos, especialmente colegas mulheres que chegaram a ser muito humilhadas, não se atreviam a sair da secretária, sempre de calças, sem nunca ser permitido mostrar os dentes a esses anormais!
    A escola sabia, a polícia sabia, o sindicato sabia, o ministério sabia, a comissão de proteção de menores sabia, alguém estava a ganhar dinheiro com isso, nós é que estivemos expostos a aturar esses meninos que não queria aprender nem estar na escola. Mais de 70% tiveram resultados negativos no final do ano, muitos deles, só colocavam o nome no cabeçalho das provas de avaliação, respostas zero!!!

    • António says:

      Até que enfim um professor com turmas normais como as que eu tenho por todas as escolas por onde leciono.
      Só se esqueceu de dizer que eles e elas se chamam uns aos outros por palavrões.

  24. carolina says:

    Este texto nao me choca nada para ser sincera, este cenario e o diario de quem frequenta uma escola. Na minha opiniao, mais que a falta de poder dos professores, falta a educaçao dos alunos. Nascida e criada numa pequena aldeia no meio da serra, ainda tive a sorte de nascer no tempo em que a escola era me mostrada como um sitio bom e no qual era suposto eu aprender e trabalhar. Sou do tempo em que a minha mae era a primeira pessoa a ir a escola dizer aos professores que estivessem a vontade para me dar umas surras caso o meu comportamento no fosse adequado. Hoje, frequento o 11° ano e vejo pais a irem as escolas ameaçarem professorea, onde e que isto ja se viu? Ao olhar para os exemplos dos meus irmaos, que sao bem mais velhos que eu, e ao olhar para aquilo que eu vejo diariamente, o ensino portugues so regrediu nos ultimos anos, e ao que parece, e para continuar assim. Tenho pena dos professores que passaram uma vida a trabalhar para agora aturar faltas de respeito de alguem que tem idade para ser filho deles. Este pais tem que mudar muito o ensino, tem que parar de fazer cortes e comecar a olhar para o que e a realidade das escolas.
    Sempre frequentei uma escola publica e tenciono continuar, so tenho pena de querer trabalhar e ser impedida por alguns colegas que, por serem obrigados a frequentar uma escola, decidem fazer dela um inferno, para eles e para os outros.
    Aos professores e funcionarioa desejo muita força e tambem paciencia, sei que vao precisar se ambos.

  25. Ricardo Santos Pinto says:

    Normalíssimo, este texto.
    É uma aula banal das turmas Vocacionais.

  26. Manuel says:

    Ora aí está o que o Crato e todos os outros ministros fizeram ao nosso sistema de ensino. Penso que ideal era mandar estes alunos para casa do Crato. O que estão à espera metem os todos na mesma turma e depois quem consegue trabalhar com estes tipos. Ainda vamos chegar ao tempo de termos seguranças dentro da sala para o professor suor dar a aula como já acontece na prisão. Como queremos ter alunos bem educados quando os pais não tem nenhuma educação nem vergonha. Pois continuem a lhes dar os subsídios e não exijam nada em troca. Esta gente devia ser penalizada à primeira que fizessem. Se tivessem subsídios ficavam sem eles e não punham o rabo na escola. Quem não o tivesse tinha de pagar a escola com multa ou com trabalho comunitário. Com isto só ia para a escola quem quiser aprender para não encomendar os outros que querem basta de malandros que estragam a vida aos outros.


  27. Assistentes Sociais nas escolas? Será urgente!? Talvez o caminho seja o sofrimento escolar e social e a perda cada vez mais do ensino na sala de aula, por não haver um Assistente Social que faça a mediação entre a família e a escola… Fica a dica aos (des)governantes…

  28. Nuno says:

    O melhor é fazer um vaya con dios de despedida a um aluno desse tipo, cortaram-lhe um dedo à Tarantino num beco escuro, sem deixar traços de DNA. E dizer lhe, depois do dedo cortado:
    “Diz aos teus colegas para se portarem como tu que eu tenho de aumentar a colecção lá em casa”
    Se calhar nem se ouviria um pio nas aulas dessa escola o resto do ano.


  29. Não concordo de forma alguma com as faltas de respeito dos alunos para com os professores. Este panorama, descrito através do testemunho deste professor é simplesmente abominável.

    Mas, no entanto, sinto-me na obrigação de recordar, que já houve tempos, em que foi precisamente o contrário.

    Há cerca de 40 anos (tenho 54 anos), havia professores que batiam nas crianças totalmente indefesas, pelas razões mais ridículas. Escudavam-se na ignorância dos pais, para exercer à vontade o terror na sala de aula, e era assim que muitas vezes conseguiam bons resultados. Os sentimentos de vergonha e de humilhação sentidos pelos alunos eram frequentes! Recordo-me de um dia em que me senti extremamente humilhada por ter sido eu a estrear uma régua. Não foi a dor nas minhas mãos que mais me doeu. Foi a vergonha. É que a régua era nova e andávamos todos na expectativa de quem seria o primeiro a levar com ela. Foi isso que me causou mais vergonha.

    E sabem porque essa violência foi exercida sobre mim? Porque a professora tinha saído da sala de aula para tratar de um assunto, mas deixou uma aluna para ver quem falava.
    Usava-se muito isto.
    Queria todos em silêncio, entretidos a fazer uma ficha de matemática. Em dado momento senti dificuldade num determinado exercício, e de uma forma espontânea, tal como são todas as crianças, espontâneas, virei-me para a colega de trás para lhe perguntar se já tinha feito o exercício, para assim poder ver onde tinha errado. Nesse mesmo instante o meu nome foi escrito no quadro preto, como tendo sido uma aluna que tinha falado.

    Repare-se nisto!

    Todas os outros, conscientes do castigo , menos crianças e espontâneos do que eu, pelos vistos, ou menos interessados a resolver os problemas de matemática, mantiveram-se em silêncio. Quando chegou a professora expliquei o que se tinha passado, mas ela nem me quis ouvir. Puxou da régua, pesada, consistente, e bateu-me com ela!

    Fazem ideia da devastação, do sofrimento, que me foi infligido??

    Fazem?

    Pois isto foi uma realidade.

    E continua, actualmente: Mas noutros moldes.

    Ainda há pouco tempo eu fui aluna.

    E o que percebi, meu Deus!!

    Era o meu filho a estudar e eu ao mesmo tempo. As coisas que eu fui percebendo!!

    Dizia o meu filho: Mãe, tenho uma professora que me anda a fazer mal. Ela não gosta de mim. Seja lá pelo que for não gosta de mim, e deixa transparecer esse sentimento para mim. Mãe, quando eu estou a apresentar um trabalho aos meus colegas elas intromete-se constantemente. Não me deixa dizer o que tenho para dizer. A minha intervenção fica reduzida a meia dúzia de frases.

    E eu dizia-lhe: Deixa lá que a mim também me tocou disso. Tenho uma professora que quando apresento uma dúvida manda os meus colegas explicarem-me!!

    E eles, que sabem tanto como eu, tentam tartamudear uma explicação que só serve para me confundir ainda mais.

    A professora que esteve sempre a olhar para mim, em vez de colmatar as explicações mal amanhadas dadas pelos meus colegas, diz-me:

    Percebeu??

    E eu para evitar coisas respondo que sim e penso: Decididamente não tenho professora nesta unidade curricular! Por isso, assim que tenho tempo vou estudar sozinha pela Internet.

    Um dia ela disse que gostava mais de alunos jovens porque se entendia melhor com eles. Pronto, estava explicada a animosidade contra mim. É que eu era a única aluna de 50 anos no meio de jovens cujas idades rondavam os vinte anos.

    Não aprendi nada com ela. Foi este o cunho que ela me imprimiu. Recordá-la-ei sempre aliada a este triste e pobre desempenho.

  30. Miguel says:

    Lamento um professor ter de passar por isto 🙁

  31. Zulmira Varela says:

    É vergonhoso ! Isso sempre aconteceu mas os Directores do Executivo deitavam o “lixo” para debaixo do tapete. Não queriam que a escola fosse mal vista . Esta porcaria dos rankings, torna essas pessoas com poder em verdadeiros salazares, ou pior!
    Hoje em dia já não há criancinhas ingénuas. Desde pequenos eles são autênticos diabinhos . Tenho vergonha de ser Professora aqui em Portugal!


  32. O respeito já não é o que era já não se pode dar um estalo na cara não se pode repreender pois vocês são logo acusados e com processos disciplinares a educação vem dos pais que os educao

  33. Beatriz G. says:

    Estive a ler tanto o testemunho como todos os comentários.
    Eu, que ainda sou aluna, acho que o principal problema está em casa e na educação que os jovens e crianças de hoje têm… Educar dá trabalho e é para isso que as escolas servem…
    Enquanto antes do 25 de abril estudar era uma regalia, sendo grande parte da população analfabeta e outra grande parte com o 4º ano, hoje em dia é uma obrigação, que chatice… A minha mãe, na casa dos 50 anos, foi a única de 10 irmãos que estudou até ao 12º ano. Os restantes fizeram a 4ª classe e foram trabalhar, com 10 e 11 anos, em fábricas, limpezas, serviços etc.
    Se antes as pessoas davam valor ao trabalho, à educação, à formação escolar, etc., hoje dão valor ao esforço mínimo e em chular o que se puder: subsídios de desemprego, RSI, casas gratuitas e por aí. E é com este tipo de pensamento que muitas crianças e jovens são e foram educadas nos últimos anos.
    Passou-se do 8 ao 80, de um período de dificuldades extremas ao facilitismo: antes, qualquer motivo servia para o professor dar umas reguadas e humilhar alunos, o ensino era feito sob medo e respeito mas os alunos efectivamente aprendiam; hoje os professores são obrigados a passar alunos ano após ano, chegando ao cúmulo de chegar ao 5º ano sem saber ler nem escrever… São obrigados a tal pelo Ministério da educação, pela escola, pela Comissão europeia – têm que haver determinados requisitos a cumprir.
    Concluindo, hoje sou aluna de ensino superior, onde também há momentos de uma total falta de respeito pelo professor em sala de aula, parecendo por vezes uma esplanada e não ensino de «adultos». Este tipo de comportamento tem muito a ver com a postura do professor e com a relevância da matéria dada, mas demonstra bem que, se em alunos do ensino superior existe este tipo de comportamento, o que esperar dos CEFs?

  34. Isabel says:

    Se os professores pudessem dar as tais ditas reguadas que eu tantos outros levámos, tenho a certeza que isto não era assim, mas infelizmente o governo português seguiu as paneleirices americanas, que agora tudo traumatizado as crianvinhas ou melhor os medonhas. Eu levei e so sofro de um traumatismo, EDUCAÇÃO!!!!! E os pais são outros que antes não podia nem levantar os olhos ao meu pai, hoje o pai é que não pode levantar os olhos aos filhos. Cambada de badabecos todos! Deiam educação e deixem dar e quem não sabe dar que aprenda! E a esses fedelhos que se julgam homens, era escola na prisão


  35. Infelizmente não houve nenhum aspecto neste texto que me deixasse surpresa. Não pelo facto dos relato ser absolutamente assustador, mas pelo facto de já ter ouvido desabafos semelhantes de professores meus que se vêm obrigados a lidar com indivíduos que deviam estar a receber outro tipo de acompanhamento, que não a escola normal.
    Acabei este ano o 12º segundo e preparo-me agora para a Universidade. No entanto, tenho noção de que nem todos os meus colegas têm/tiveram as mesma condições que eu: uma família presente e preocupada que me soube educar para o respeito e ambição, professores que sempre me acompanharam e prestaram o melhor serviço que puderam (claro, salvo algumas exceções), mas sobretudo estar inserida numa comunidade que me respeita enquanto pessoa e espera o melhor de mim. Sim, frequentei sempre a escola pública.
    Temos de ter aqui em consideração que os indivíduos que praticam estes atos ignóbeis, são pessoas que na sua generalidade tiveram tudo, menos as condições que eu tive, não querendo no entanto desculpá-los.
    A verdade é que muitos dos “alunos” destes famosos cursos CEF são provenientes de famílias, se é que as têm, completamente destruturadas, sem exemplos de trabalho árduo e respeito, que quando saem da escola não vão para a biblioteca estudar, mas provavelmente traficar droga ou vandalizar espaços públicos. Porquê? Porque estas pessoas são tidas à margem da sociedade toda a vida, e ao mesmo tempo são forçadas a viver como se fossem completamente normais, quando não são.
    Tenho uma pena enorme de ter professores a passar por isto, por estas humilhações degradantes, e quero deixar claro que a culpa não é deles, de todo.
    Podemos continuar a brincar aos cursos profissionais, a brincar aos reformatórios e a brincar aos polícias a ladrões, mas enquanto não houver uma reforma estrutural nesta sociedade, de maneira a prestar desde cedo apoio a estes futuros alunos, isto é, crianças que vivem em condições desprezíveis e que não estão inseridas desde cedo em ambientes pró-educação, a futuro não me parece ter boa cara.
    Claro que tudo isto é uma utopia, e na falta de melhor, a única solução será mesmo retirar estes alunos do ensino regular, para pouparem a saúde mental dos professores que deviam estar a ensinar quem de facto quer aprender.
    Aproveito para sugerir que acabem mesmo com os cursos profissionais, que não é preciso ter mais do que 2 dedos de testa para perceber que são uma fachada.
    Ensino profissional deve ser feito em escolas profissionais, não em escolas secundárias direcionadas na sua maioria para ensino teórico.
    Com isto me despeço,

    Margarida Santiago

  36. Isabel Silva says:

    Meu caro colega como eu estou solidário com o seu desespero…. Eu já fui alvo de levar pontapés e enxovalhada por uma aluna… Dei conhecimento á inspecção . Quem teve despensa de componente lectiva fui eu…. Agora tudo o que me acontecer faço queixa crime … E já resultou !

  37. Filipe says:

    Isto nada tem a ver com o facto de ser aluno de CEF. É simplesmente falta de educação e de uns bons “tabefes” em casa. Penso que fazer esta referência aos cursos CEF não foi nem é nada feliz. Pois tenho alunos maravilhosos. Exemplo de vida e de luta, que me orgulham. Estou solidário com o colega obviamente, é lamentável o sucedido e infelizmente as escolas nada fazem. É urgente rever o estatuto e a autoridade do professor e acima de tudo aturar em conformidade com este tipo de miúdos.

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