Contas mal contadas

Parece que o correio da manha andou a fazer contas, de cabeça e mal feitas, sobre o número de sindicalistas docentes, e resultou a coisa num número avultado que escandalizou vários idiotas inúteis a até mesmo pessoas de bem, esquecidas de que falamos da profissão com maior número de sindicalizados.

Isto foi assim: ao longo de décadas, para lá das duas federações (e suponho que ninguém vai agora defender a unicidade sindical) foram surgindo uns sindicatozinhos docentes, sem qualquer expressão, e que na verdade serviram para muito má gente fazer a vidinha. Como esses sindicatozinhos na hora negocial assinavam sempre com os governos, os governos fizeram de conta que aquilo representava alguma coisa, e tratavam-nos como sindicatos. Um regabofe.

Maria de Lurdes, socióloga com o trabalho de casa por fazer, pensou que ia arrasar com o sindicalismo que não lhe interessava, e estabeleceu pela primeira vez uma regra óbvia: tantos associados, tantos sindicalistas a tempo inteiro. Azar: a Fenprof até ficou nalguns casos a ganhar, e os sindicatozinhos deixaram de assinar com o governo.

É isto. Há uma outra consideração nestas contas quando se apresentam num mês de manifestações e greve geral: tentar acabar com os sindicatos, mudando a lei sindical. Mas para isso ainda tem a direita de comer muita broa, como dizia a minha avó, que ainda era do tempo em que se dividia uma sardinha. Já faltou mais para se dividir uma cavala, mas parece-me que esses golpes de estado ainda não estão na ordem do dia. Parem lá de imaginar a realidade à medida dos vossos desejos que ainda nem um salazarzeco que se veja arranjaram e desconfio que a tropa não está virada para esse lado. No sábado veremos.

fotografia do blogue Pasto

Comments

  1. Carlos says:

    A classe dos professores, excluindo os professores universitários, mas juntando o(a)s educadore(a) de infância, descobriram o filão do sindicalismo, quer criando sindicatos fantasmas, quer mantendo, apenas por interesse corporativo, sindicatos afectos a ideologias que “abominam”, mas que, nos tempos que correram e correm, lhes dão muito jeitinho…
    Isso tudo fazem, revelando pouca consideração pelos outros seus concidadãos e, muitas vezes, furtando-se aos seus deveres de ensinar, que é para isso que são pagos, resultando daí, também, os fracos resultados que todos conhecemos e que nos envergonham.


    • Meia dúzia de gatos pingados são uma classe? tristeza. Aí esse ódio ao professor revela tanto da personalidade destes comentadores…

      • Carlos says:

        Amigo, no seu entender, então, quem mantém os sindicatos? Não serão os professores?
        E saiba que não tenho ódio aos professores, até por que um dos meus filhos exerce essa profissão que, quando bem exercida, é muito honrosa.
        Mas, que muitos professores apoiam, cegamente, os seus colegas sindicalistas, isso é coisa que ninguém pode negar.
        Assim como não se pode negar que essa classe profissional usou e abusou ( e ainda abusa) da vergonhosa “compra” de mestrados de doutoramentos, sem qualquer pejo, apenas para benefício próprio e sem nenhuma vantagem para os seus alunos, antes pelo contrário.


        • Não, quem manteve esses sindicatos fantasmas foi o Ministério, porque lhe interessava, pelas razões que expliquei.
          Essa de os professores comprarem mestrados e doutoramentos nunca tinha ouvido. Que as universidades se têm subsidiado vendendo mestrados e doutoramentos, toda a gente sabe. Mas quem os compra não são só professores (que hoje em dia nem ganham nada de especial com a obtenção de tal grau académico) é qualquer licenciado com dinheiro para os pagar.

          • Carlos says:

            Hoje, os professores, não ganham nada com os mestrados e os doutoramentos “comprados”? Erro! Ganharam ontem, ganham hoje e vão ganhar até morrer. Essa é que é essa! E quem disser o contrário, apenas quer desconversar.


          • Nunca ouviu falar em carreiras congeladas, pois nao?

            (via mvel)

          • Carlos says:

            Estou a falar dos professores que conseguiram as tais promoções em “bom tempo”.
            Bem sei que hoje, essas promoções estão congeladas, como estão congeladas para a generalidade dos funcionários públicos, tudo por causa dos desvarios cometidos. Mas os que mamaram, vão continuar a mamar, não é verdade? E são muitos, bem sabe.


          • Erro? você trata-se, tome os medicamentos que o ódio cega e depois ainda vê menos.
            Sim, alguns, poucos, professores progrediram na carreira no tempo em que os mestrados e os doutoramentos eram a sério. Você é tão ignorante que nem sabe que no pós-Bolonha uma licenciatura passou a equivaler a um mestrado, e naturalmente quem consegue pagar as propinas e tem vida para isso tenta não ser ultrapassado profissionalmente pelos mais novos que tiram esta fraude.
            Mas diz tudo sobre uma personalidade criticar quem continua a estudar ao longo da vida. Já agora, o Carlos parou quando?

  2. Luís Gonçalves says:

    Ó João Cardoso, tu não trabalhas? Estás sempre a postar! Eu, que trabalho na privada, não tenho tempo para essas coisas. Porque será?


    • Ó Luís, enquanto estavas aqui a comentar, e ainda antes quando este artigo foi publicado, imagina que estava a vender as minhas aulitas da manhã. Porque será que és tão curto de vistas?
      E já agora, quantas aulas por semana andas a dar este ano ao patrão, dar mesmo, à borla?


  3. Agora até já há quem tenha orgulho por ser “amarelo” e fura-greves!

    Pior que estes que se deixam levar pelas campanhas de desinformação do Correio da Manha e afins só mesmo aqueles pseudo liberais que passam a vida a dizer mal do Estado.

    Era bom que lessem aquilo que os verdadeiros economistas, e não as cheerleaders do capitalismo, escrevem. Como já sei que não o fazem, deixo-vos aqui umas linhas.

    (Falando sobre a actual crise económica) The particularly sad part about all this is that the Italians had managed their debt fairly well until the credit markets started to target them. Then again we could say the same for the Spanish and Irish (ou dos Portugueses, acrescento eu): their DEBT PROBLEMS ALL STEM FROM THE PRIVATE SECTOR STUPIDITY and their steady decline in competitiveness since about 2000. It was NOT BAD GOVERMENT DEBT MANAGEMENT OR BUDGET LAXITY that created the crisis, it was dumb banking and PRIVATE SECTOR DEBT accumulation

    http://rwer.wordpress.com/2011/11/09/gathering-clouds-%E2%80%93-poverty-banking-and-debt-limits/

    Mééeée!! Espero que tenha agradado as ovelhinhas “da privada”

  4. Bruno says:

    Bela discussão, eheh. Os maus resultados não são apenas consequência dos professores mas sim dos sucessivos desgovernos que ao abrigo da hipocrisia tentam vender que todos são excelentes. Queres um exemplo? Preciso de docente de apoio na minha escola, sabes qual a desculpa? Não há. Mas se os papás forem reclamar haverá no dia seguinte alguém. Segundo o privado sempre se sujeitou ao prestar da vassalagem ao rei. Coisa que nunca fiz, nem quando tinha contratos precários noutras instituições. E eu só trabalho as horas para as quais sou pago, pois com os cortes que sofro, o amor pela profissão mantém-se mas não faço favores. Parabéns pelo post João José Cardoso

  5. chatice_tuga says:

    Meus senhores,
    não percam o foco do que é importante em discussões sem sentido, estamos todos sobre o ataque mais devastador que a história conhecerá até hoje. Parem com mediocridades, os factos são profícuos. Nesta fase já não importa de quem é a culpa, todos as temos, temos que as assumir, o que é preciso é fazer algo, há guerras que não pudemos dar-nos ao luxo de perder, pois nenhuma das conquistas pessoais terá mais significado.
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