Uma questão de baixeza

O Secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins, terá dito hoje que “em termos relativos, o salário mínimo não é realmente baixo em Portugal”.

Nem me importa saber quais são os estudos em que se baseia semelhante afirmação. Nem sequer a valia académica ou certeza objectiva dos mesmos.

O que eu valorizo mais é a pena que tenho de não se poder conceder, a quem afirma tal coisa, a oportunidade de provar no plano real as afirmações que faz. Ou seja, dar a oportunidade a Pedro Martins de viver com o salário mínimo.

Não tardaria que fizesse de tais estudos o uso reciclado de papel higiénico. Até mesmo por necessidade.

Já agora, a notícia era comentada com o facto de ter havido deputados que deram gargalhadas perante tal afirmação. É espelho de quem se diz representante do povo na casa da democracia: não deviam ter rido, mas, sim, vaiado. Porque a miséria não admite graças.

Comments


  1. Muito bem apanhado!…

    Vivemos um tempo em que o papão da crise tudo justifica, e o povo (os muitos povos) calam… Enquanto a histeria dos “economistas” se acomoda na lengalenga dos clichés deles (que são obra do “sistema”), e enquanto os homens do FMI e do Goldman Sachs tomam posições por todo o lado… Infiltrando-se… Até parece um filme de “teoria da conspiração” (com muitas variantes possíveis, até mesmo a extraterrestre!…).

    E o “povo” consente! Baixa a cabeça. Está manso…


  2. Mais um a fazer parte da corja! Não nos admiremos, porém, porque se a coisa chegou ao que chegou, todos nós temos o nosso quinhão de culpa. Foram décadas a deixar que a corja engordasse, que se refastelasse, pomposa e toda-poderosa, no trono erguido à custa do sacrifício quotidiano do cidadão comum!

    “…que se ofenda a corja pelo destrato que aqui lhes faço – corja de vilões, de depravados, desnutridos de princípios, humanos desnaturados, hipócritas malabaristas, manipuladores sem escrúpulos, secos de alma e coração.” http://facedaletra.blogspot.com/2011_05_01_archive.html


  3. ora nem mais!

  4. jorge fliscorno says:

    Tanto frei tomás a viver da res pública.


  5. Estas criaturinhas nem as pensam…
    E já temos outro a “declarar” o fim da crise…
    Valha-me Deus!

  6. Frederico Mendes Paula says:

    Os membros do governo e o próprio presidente da república todos os dias surpreendem pela negativa com as suas declarações que insultam principalmente aqueles que vivem em piores condições. Das duas uma _ ou são completamente atrasados mentais ou sádicos

  7. rui esteves says:

    Este “governante” fez-me lembrar o bondoso cardeal Cerejeira que nos anos 60 dizia que um operário ganhar 20$ por dia chegava perfeitamente para se sustentar a ele e à família.
    Atenção: eu nunca ouvi sua eminência — o dito cardeal — dizer essa bojarda mas corria esse boato. Aliás, nos 60 eu era um puto da escola primária.
    Já agora, para quem não faz ideia do que são 20$/dia (600$/mês): 20$ corresponde a 0,10 €; 600$ a 3,00 €.
    E para quem não sabe quem foi Cerejeira — foi uma espécie de sombra do dr. Salazar. Ao que diziam, ainda mais inteligente e maquiavélico do que o dr. “botas”.

  8. José Galhoz says:

    Ora vejamos: fé inabalável no fim da crise lá para o final de 2013, aplicação de receitas de emagrecimento da economia, declarações de que as medidas anunciadas não deverão ficar por aqui … Diagnóstico: não fazem ideia do que andam a fazer, nem do que farão quando o pior vier (só fazem ideia das ordens da “troika”). Conclusão: atraso mental grave, com muitos acessos de sadismo.


  9. Vamos continuar a votar neste tipo de classe política?

  10. MAGRIÇO says:

    ” O que mais me preocupa, não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-carácter, nem dos sem ética: o que mais me preocupa é o silêncio dos bons.”
    Martin Luther King


  11. …Eu tive o desprazer de ver estas declarações. De olhar para a cara deste “rapazinho”, enquanto as proferia.

    A isto, juntam-se declarações como as de Miguel Relvas, quando referia que países como a Holanda ou o Reino Unido só pagam 12 meses…

    …Isto já não é estar desligado da realidade. Isto, para mim, ultrapassa os limites da frase histórica da Maria Antonieta, ao dizer que se não havia pão, comessem croissants… Isto já é simplesmente gozar com a miséria criada para alimentar poderes financeiros imensos, esconsos, sombrios, e desumanos… Ainda há dias, ouvia em comentário num canal de informação, uma figura cujo nome confesso não recordar agora, dizer que, ao comparar aquilo que Passos Coelho como chefe de governo está a fazer agora, por oposição ao que ele dizia em campanha (e que este blog compilou de modo brilhante em vídeo)… era impossível, pela rapidez com que tomou as medidas, ele já não ter a intenção de as tomar, à altura em que fazia as supracitadas declarações…

    ….Confesso que coisas destas me deixam… enfim: aludindo à citação do comentário do MAGRISSO… a desejar que os bons não fiquem silenciosos…. Fervorosamente.

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  1. […] que com salários de miséria – embora não no entendimento de todos, pois há quem pense que não estamos tão mal assim -, continuamos, pelos vistos, a não ser […]