Porque fazem os trabalhadores do estado greve e os outros menos?

Em Coimbra 10,48% estiveram em greve, segundo o governo

Eu compreendo a chatice: um homem monta o seu negócio, para o qual necessita de trabalhadores. A coisa corre bem. Um belo dia, já o nosso empreendedor se passeia no seu veículo topo de gama, os colaboradores vão ter com ele e lá se queixam: isto está a correr bem, já era altura de deixarmos de ganhar o salário mínimo. É preciso ter lata, não é?

Aqui há dois finais. Numa sociedade com direitos o empresário vai ter de ceder porque a conversa descamba para uma ameaça de greve, e já não compra este ano o iatezito que tinha em vista. Num país onde existe flexibilidade laboral o patrão despede os filhosdaputa, arranja outros, e compra o barco.

No estado, por enquanto, não se pode brincar assim com a vida de quem trabalha. Nas empresas pode. Chama-se a isto mercado de trabalho. Quanto mais desempregados e leis favoráveis ao empregador tivermos mas barato fica o custo do trabalhador, e mais capital foge patrioticamente para um offshore qualquer.

Por isso a greve geral teve mais peso no sector público do que no privado. Por isso comecei o dia ouvindo na TSF vários personagens que não tinham feito greve, mas ali estavam ao telefone, sabendo-se que para um minuto de antena muito tiveram que esperar. Por isso o facebook estava cheio de gente proclamando o desígnio nacional de trabalharmos mais para pagarmos as dívidas dos outros (BPN, Madeira e restantes larápios). Por isso a blogocoisa de direita (com honrosas excepções citadas pelo Luís M. Jorge) andou em estado de trauliteirismo galopante. Aos auto-proclamados senadores do regime nem pergunto quantos fizeram greve nas suas empresas, que seria perguntar quantos mais desempregados teremos amanhã. A economia é muito simples, os carreiristas duques é que a tornam complicada.

Comments

  1. Konigvs says:

    Também ouvi esse gentinha na TSF que logo me revoltou. Estarem a ligar para uma rádio nacional e dizer mal de todos os trabalhadores que preferiram DEIXAR DE GANHAR 1 DIA DO SEU SALÁRIO para reivindicar os seus direitos. Direitos esses que quando se conseguem são para todos, grevistas, ou não.

    Gostava era de ver essa gente anti-greves, anti gente que gosta de reivindicar, darem exemplo e dizerem querer trabalhar 10h/dia, sábados incluídos, quererem só ganhar o salário mínimo e não quererem subsídio de desemprego ou doença.

    A esses anti-greves, só lhes desejo que na próxima greve geral, já não tenham emprego, assim já não têm que se chatear com os problemas dos trabalhadores.

  2. jorge fliscorno says:

    Se vamos por clichés, também tenho algo para a troca, um caso concreto, que acho preferível a generalizações. Trabalhei uns anos com uma pessoa que, entre baixas fraudulentas, aceitar trabalho e depois desaparecer sem que este aparecesse feito e mais uns esquemas inventivos mas legais, mais parecia uma encarnação daquela personagem do Dilberbet, o Wally, do que alguém real. Sendo a empresa privada e tendo essa pessoa contrato sem termo, tentou o malvado do patrão mandar embora esse mono. Não foi legalmente possível. Não vou discutir detalhes em público mas o facto é que há também o outro lado da medalha, esse associado aos direitos e a que se chama deveres.

    Isto só para frisar que as coisas não são a preto e branco. Mas fazem mesmo os funcionários públicos e os trabalhadores das empresas públicas mais greves do que os outros por causa das razões apresentadas? Duvido muito. Hoje por exemplo constatei uma coisa engraçada. Lado a lado com empresa onde trabalho existem organismos públicos e empresas privadas. Dadas as funções desempenhadas e ao que sei, as diferenças salariais não são significativas (apesar de no público terem semana de 35 horas e no privado terem semana de 40 horas – mas não é este o ponto em questão). O que notei é que, ao almoço, lá estavam os habitués da privada e os outros não. Parece-me que isto nada tem a ver com iates.

    editado: ortografia

    • MAGRIÇO says:

      A formatação intelectual provoca destas contradições! Promete não generalizar e depois apresenta UM único caso para formular a sua teoria, como se o universo das amostras fosse inquestionável. Sei que consegue fazer melhor…

      • jorge fliscorno says:

        É muito giro disparar sem apontar mas quer dizer-me exactamente onde é que apresento generalizações ou teorias? Sei que consegue fazer melhor 😉

    • Carlos says:

      Já chamei ao autor, João José, verrinoso, para ver se ele mudava de tom, mas ele está convencido que tem o rei na barriga, e não muda.
      Agora, quer-nos convencer que devemos, em Portugal, ter o único e o melhor patrão, o Estado, por que só os privilegiados funcionários públicos é que podem, livremente, fazer greve, uma vez que, todos os outros patrões, só pensam em iates e coisas assim.
      Não adivinha, o João José, que se o Estado fosse o único patrão, ele teria de afinar a voz e esquecer as greves que, então, passariam a ser crime. Dessas coisas ele não cuida.
      Diz o povo, e com razão, que não há pior cego do que não quer ver e, lamentavelmente, o homem está cegueta, como aqui mais uma vez se pode ver.

      • Martunis says:

        Parece-me que o autor do post não afirmou nada do que refere no seu comentário.
        Não leio nada sobre o Estado como único empregador.
        Fala, parece-me, sobre a necessidade de em Portugal, um dos países mais desiguais da OCDE, se darem condições para que os trabalhadores do sector privado possam efectivamente exercer o seu direito à greve, tal como acontece com os trabalhadores do sector público.

        Mas se calhar sou eu que estou a ler mal…

        • Carlos says:

          Vendo bem, o nosso amigo não faz a apologia do patrão Estado, ele apenas denigre os maus patrões privados que, ma generalidade, só pensam neles. Esse será, diz você, o melhor caminho para que o comum dos trabalhadores do sector privado possa exercer o seu direito à greve. É capaz de ter razão.
          Só falta resolver o problema dos desempregados e dos pensionistas. Uma chatice!

          • MAGRIÇO says:

            Caro Carlos, entre o preto e o branco há todo um espectro que convém não omitir. Como observador equidistante e com larga experiência em ambos os campos, quer-me parecer que o meu caro é mais intransigente na sua cruzada pró-patrão que o João José é anti-patrão.É absolutamente redutor defender o sistema privado de emprego só porque sim. Tem razão o João José quando diz que os patrões, na sua maioria, têm pouca visão empresarial. Os lucros obtidos são quase sempre para satisfação de vaidades pessoais megalómanas, e alguns não hesitam mesmo em deixar trabalhadores sem meses de salário para prover ao indispensável para eles conseguirem o supérfluo e a ostentação. É uma mentalidade provinciana e bacoca mas que tem na falta de legislação a sua grande tentação. A certeza da impunidade é um incentivo a tais práticas Tem de admitir que os funcionários públicos estão menos expostos a estas práticas e, se lhe fosse dado escolher, qual preferiria?

        • Carlos says:

          Caro Magriço, cada um vê melhor o que lhe convém.
          Para mim, que também trabalhei no sector público, o Estado, como patrão, é mau patrão. Os funcionários públicos, na generalidade, vivem hoje uma situação bem melhor do que os trabalhadores do sector privado. Mas eu, se me fosse permitido escolher, optaria pelo sector privado, desde que o empregador me merecesse confiança.
          Eu sei que no sector privado há muitos patrões que são como diz e como diz o nosso amigo a quem chamei verrinoso: só pensam no lucro “para satisfação de vaidades pessoais e megalómanas”; mas já não acredito que haja muitos que “não hesitam mesmo em deixar trabalhadores sem meses de salário para prover ao indispensável para eles conseguirem o supérfluo e a ostentação” – esses são “criminosos” e há meios de o chamar à responsabilidade.
          Mas também sei que a maioria dos nossos empregadores não são assim como vocês os pintam e que alguns deles vivem dias amargurados para pagar os salários, a tempo e horas.
          Os empregadores dos sector privado, onde temos que incluir milhares e milhares de micro- empresas, são, por norma, gente séria e trabalhadora, que não merecem ser tratados como bandidos ou coisa parecida, como acontece nos escritos do João José e de outros ressabiados.

          • MAGRIÇO says:

            Caro Carlos, não sou parte interessada nesta polémica, pelo que a única coisa que me move é a analise das relações empregador/trabalhador e contribuir para esta saudável troca de opiniões. Claro que tem razão quando diz que há muita gente séria entre os pequenos empresários e sabemos que são quem mais contribui para a criação de postos de trabalho. Mas esses, coitados, por vezes trabalham mais do que os empregados e não são quem está na mira do meu comentário. Eu refiro os tubarões das grandes empresas que suspendem durante meses os salários dos seus trabalhadores e subitamente encerram portas sem pagar o que devem e, não raro, deslocalizam a empresa deixando as pessoas sem salário nem trabalho. E, pior que tudo, ficam impunes. Vou dar-lhe alguns exemplos: “A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, divulgou, hoje, quinta-feira, fotos tiradas a alguns dos objectos de luxo (entre eles dez carros de gama alta) apreendidos a indivíduos ligados a empresas, falidas, que terão lesado o BPN em cerca de 100 milhões de euros em empréstimos fraudulentos obtidos em 2007.” Fonte: Correio da Manhã.. “A Polícia Judiciária desmantelou uma rede de empresas, algumas fictícias e outras falidas, que desde 2004 terão burlado o Estado em vários milhões de euros. Quarta-feira, após 78 buscas realizadas em
            todo o país, foram constituídos dez arguidos e detidas sete pessoas.” Fonte: TSF. Mas os exemplos não se esgotam aqui.


  3. A ver se nos entendemos: conheço pessoalmente não uma ou duas mas dezenas de pessoas que não fizeram greve porque têm medo do despedimento, não hoje, que figura de estilo é figura de estilo, mas na primeira oportunidade, ou seja: quem faz greve no privado fica marcado, e siga. Provem-me o contrário.
    Isto não é um privilégio da função pública: o privado é que perdeu o direito de greve, e vai ter que o recuperar ou está tramado. Nunca se nivela por baixo e pela perda, mas por cima onde estão os direitos, que não são adquiridos: foram conquistados, e isso faz-se outra vez. Já faltou mais.

    • Guillaume Tell says:

      “conheço pessoalmente não uma ou duas mas dezenas de pessoas que não fizeram greve porque têm medo do despedimento”
      E eu conheço pessoalemente não uma ou duas mas dezenas de pessoas que vivem do RSI sem nunca nada terem feito na vida, estarem bons de saúde e ainda trabalharem ao negro para não pagarem impostos.
      E eu conheço pessoalemente não uma ou duas mas dezenas de pessoas que foram à falência porque não poderem despedir a tempo trabalhadores que só faziam asneiras.
      E eu conheço pessoalemente não uma ou duas mas dezenas de pessoas que ficaram no desemprego porque o sindicato bloqueio negócios, que implicavam é certo diminuições salariais a prazo mas que mantiam os empregos.
      Blablabla, a este jogo podemos jogar todos e de diversas maneiras por isso não interessa nada.

      “quem faz greve no privado fica marcado, e siga. Provem-me o contrário.”
      E no público não é igual? E acha mesmo que se vai despedir gente por ter feito greve? Que eu saiba é ilegal fazer isso. Eu se era a sí diria isto: quem não faz nenhum no privado fica marcado e pode ser despedido. Quem não faz nenhum no público fica marcado e pode ser recompensado. Mas não cuidado: estou a ser a ser caricatural! E você é o que é então?

      “o privado é que perdeu o direito de greve, e vai ter que o recuperar ou está tramado”
      O privado, o verdadeiro privado aquele que não é protegido pelo Estado mesmo que indirectamente, perdeu efectivamente o direito à greve. Sabe porquê? Porque é esmagado financeiramente para pagar o público e os privados protegidos. No verdadeiro privado não há tempo para a greve porque senão vamos à falência e ao desemprego, e o Estado aparece logo para cobrar na mesma. Se o país fosse mais parecido ao verdadeiro privado nem sequer seria preciso greve!

      “Nunca se nivela por baixo e pela perda”
      É a porcaria do Estado que nivela tudo por baixo! E os atrasados das grandes centrais sindicais que dizem defender os trabalhadores, mas que na verdade defendem um modelo económico em que a meia dúzia de sortudos que chegaram a tempo no mercado são protegidos à custa dos outros!
      Explicam-me lá porquê no início do ano lectivo não havia sindicatos a apoiar os professores desempregados? Porquê que ninguém se preocupa dos que perde trabalho porque a empresa foi à falência esmagada pelos impostos e por o Estado não lhe pagar a tempo? Explicam-me lá porquê que os máquinistas da CP, cujo muitos conseguem acabar o ano com 50 mil euros, são apoiados pelo sindicato e os jovens a falsos verdes são olvidados? Explicam-me lá porquê que é que os sindicatos afectos ao PCP defendem modelos económicos como o cubano onde na verdade os trabalhadores não têm nenhum? Finalemente explicam-me isto:
      http://blasfemias.net/2011/07/15/paixao-fatal/
      em particular a parte sobre a descapitalização da SS, em que se desviava dinheiro para a divída pública, e o Trabalho da Silva não saber de nada?!

      Farto dos sindicatos, das confederações patronais, do Estado, do SEE, das empresas públicas, das empresas protegidas pelo regime! Estou farto de ver que o meu país é governado e influenciado há anos por irresponsáveis que têm a lata de quererem continuar o mesmo caminho desastroso! FARTO!!!


      • Essa dos maquinistas bastou-me. O resto é conversa de patrão. Dos maus, que vivem encostados ao estado (90%), ou seja, peditório. Já dei.
        A vida corria melhor sem sindicatos, sem greves, sem chatices. Correu durante 48 anos de proteccionismo estatal, não foi? Pois, mas o tempo não. volta para trás.

        • Carlos says:

          Deixe lá que o seu argumento, de que os patrões maus e encostados ao Estado, representam 90% dos empresários portugueses, é muito mais forte, para não lhe chamar outra coisa, do que o argumento dos maquinistas que, toda a gente sabe, levam para casa, sob as mais variadas designações, valores muitíssimo superiores aos outros trabalhadores portugueses, com funções de igual exigência e responsabilidade.
          E a linguagem do comentador é muito mais moderada do que a sua que, sem justificação, resolver o insultar, quase lhe chamando fascista.
          Tudo isto para lhe dizer que escusava de ser tão grosseiro.

          • Guillaume Tell says:

            Caro Carlos, este pessoal não se aprecebe quão são próximos dos fascistas que tanto gostam de ver em cada um de nós. O que não é de admirar de gente que está profundamente enfiada na falsidade e que vai ver o seu pequeno mundo confortável e opressor se desmoronar.

            Cumprimentos.

  4. Guillaume Tell says:

    Pronto… Não responde a nada, desvia a conversa para sítios que não têm nada a ver…

    Mas eu vou me dar ao trabalho de lhe explicar um minímo as coisasna, porque sou um minímo educado e que não gosto de fazer figura de ignorante.

    Diz que 90% dos patrões vivem acostados ao Estado:
    1) Donde vem esse número, e sobre quê se baseia. Porque é difícil de determinar quem é protegido pelo Estado (por uma razão óbvia: quem vai fazer estatísticas a dizer “este é protegido pelo Estado”), mas ao afirmar isso eu próprio risco de pecar por ceigueira e iracionalidade.
    Vejamos então quais podem ser os dados que nós ajudam a saber quem pode entrar na categória de protegido pelo Estado:

    1) Empresas em que o Estado é acionista minoritário.
    2) Empresas que recebem subsídios do Estado.
    3) Empresas que têm contratos com o Estado.
    4) Empresas do sector não transaccionável.

    Obviamente esta classificação é extremamente vaga e incorrecta. Nomeadamente as categórias 3) e 4). A 4) porque as empresas podem ter contratos públicos mas esta não ser o cliente principal, ou existir uma forte e real concorrência aquando da atribuição dos concursos (o que acontece raramente em Portugal mas adiante) que dilue o efeito protecionista e que está mais inserido num contexto de mercado livre. A 3) peca por ser excessivamente general; quem por exemplo tem negócios somente no mercado nacional pode bem fazer face à concorrência externa (nomeadamente quando um fornece productos portugueses e o outro productos estrangeiros), como álias também há concorrência real (exemplo dos restaurantes). E para terminar haverá um problema de cruzamento de dados, porque há imensas empresas que correspondem às quatro categórias, por isso não as podemos contabilzar quatro vezes.

    Vejamos então as coisas por um outro ângulo:

    http://www.portais.ws/?page=art_det&ida=6497

    há em Portugal, de acordo com o INE, 350.000 empresas, das quais 300.000 são microempresas (que empregam em média 2,7 empregados).

    Cerca de 43.000 são pequenas empresas que empregam em média 18 pessoas.

    Das 350.000 empresas, 18.000 exportam, mas apenas 70, dessas 18.000 empresas, exportam 50% de toda a exportação nacional.

    Por outras palavras, há apoximadamente 70 empresas em Portugal que exportam tanto como as outras 18.000.

    (a notar que estes estudos do INE costumam excluir as empresas não financeiras)

    Como é sabido, mais uma empresa é pequena menos é susceptível de ser protegida pelo Estado (bem que não há certeza, e claro há grandes empresas que não são protegidas pelo Estado). Como vemos 300.000 empresas (85,71 % das empresas, 810.000 empregados = 11,57% da população activa) são em princípio livres da presença estatal (não conto as 43000 empresas médias).
    Agora supondo que mesmo assim seja subsidiadas ou que o Estado seja accionista é preciso saber:
    – Que cerca de 0,97% do PIB é gasto em subsídios (Eurostat)
    – Há 30 empresas em que o Estado tem uma representação minoritária que valem a valor nominal 423 milhões de euros (Direcção-geral das Finanças)

    Bom para já ficamos com 299.970 empresas livres do Estado (e isto supondo que são todas microempresas), agora imaginemos que esses 0,97% do PIB (cerca de 1,7 mil milhões de euros) fossem distribuidos somente às microempresas. Cada uma receberia 5667 euros anualemente. Nem daria para pagar os ordenados dos 2,7 trabalhadores.

    Então, continua a haver 90% dos patrões acostados ao Estado ?

    « A vida corria melhor sem sindicatos, sem greves, sem chatices. »
    Mas eu estou contra a greve ou os sindicatos ? Estou contra aqueles que lixam o trabalhador e protegem os parasitas ! Além disso não vê que quanto mais houver greves, menos legitimadade se dá a elas. Quando uma coisa está em excesso acaba por perder valor. Além disso se a greve só mobiliza meia dúzia de funcionários públicos, que não são na sua maioria os desfavorecidos acaba por parecer hipócrita a manifestação.
    Os sindicatos devem proteger os trabalhadores, e em particular os mais carenciados !

    « Correu durante 48 anos de proteccionismo estatal, não foi? »
    Porra, mas você não sabe ler ou não entende o que eu escrevo ?! Não venho de lhe mostrar que só contra quaisqueres privilégios ! NINGUÉM DEVE SER PROTEGIDO SÓ POR QUE É X OU Y !!!!

    « Pois, mas o tempo não. volta para trás. »
    Pois, mas você quer manter tudo na mesma pelos vistos.


    • Respondi, não entrou, e respondo de outra forma. Por um lado grande parte das micro-empresas, e das pequenas e médias, dependem das grandes. Não sei quantas dessas são por exemplo sub-empreiteiros dos contratos ganhos pelos Mottas e grupo BES, mas devem ser bastantes. Por outro lado cerca de 50% das empresas portuguesas não têm lucros (o número pode ter descido, mas não deve ter sido muito). Esse fenómeno revela duas coisas: que o vão de escada vai à falência com facilidade, é verdade, e que fugir aos impostos não é coisa dos gregos, é desporto nacional desde o séc. XIII. Ora um estado que tem permitido isso, é um estado com a economia encostada a si próprio.
      É claro que o prejuízo que dão ao país as grandes empresas com esquemas tipo Holanda/Luxemburgo mais um offshore em qualquer lado é muito superior ao das pequenas, que não têm dinheiro para pagar aos diversos escritórios de advocacia dedicados a este tipo de gamanço.
      Posto isto, tenho a esclarecer que muitos dos meus amigos são empresários, nada tenho contra o empresário, mas não duvido que o grande problema de produtividade de Portugal é a falta de habilitações do pequeno empresário, cujo perfil médio se aproxima do sucateiro agora em julgamento, tal como o défice estrutural da economia tem um nome: fuga aos impostos.

      • Guillaume Tell says:

        “Não sei quantas dessas são por exemplo sub-empreiteiros dos contratos ganhos pelos Mottas e grupo BES, mas devem ser bastantes.”
        (Lá está outra vez com as suas impressões! Como é que fazia na escola? Passou porque tinha impressão? Mais rigor!)
        E depois? Elas são pagas para fazer a obra. E ainda estão submetidas à concorrência em que o melhor projecto ao melhor preço ganha. Achá sinceramente que os Mottas e BES vão andar a pagar os mais caros? Vão fazer tudo para ter o preço mais baixo! O problema é em cima, é o Estado que se calhar não atribuiu ao melhor preço e melhor projecto. Olha que se era o causa poupávamos muito dinheiro.

        “Por outro lado cerca de 50% das empresas portuguesas não têm lucros”
        Pudera com os impostos que pagam, os atrasos de pagamentos…

        “à falência com facilidade”
        Vão à falência com facilidade porque o Estado tudo faz para as puxar para lá. Já se vê que você nunca tento uma experiência empresarial. É normal que as microempresas vão facilemente à falência, quando se monta um negócio há sempre inumeras dificuldades, e em geral os pequenos negócios estão localizados em zonas com muita concorrência, onde é difícil fazer a diferença senão sob do preço e da localização. É normal que haja muita falência aí. Ainda melhor se há também muita criação de empresa, nem é grave que se vã à falência, os erros acontecem, e pode se retentar depois.
        (E falência…sabia que em Portugal são necessários cerca de 2 anos para fehar uma empresa, consegue imaginar o dinheiro e o tempo que isto custa? Na Espanha é 1 ano e na Irlanda 6 meses, e na Irlanda a Justiça é outra coisa)

        “fugir aos impostos não é coisa dos gregos, é desporto nacional desde o séc. XIII.”
        Simples então paramos de cobrar tantos impostos. Ah mas espera… depois não podemos continuar a estoirar o dinheiro…Pois é.

        “Ora um estado que tem permitido isso, é um estado com a economia encostada a si próprio.”
        Hein???? Não são as empresas o problema, elas fazem o trabalho delas que é de defenderem os seus interesses, se o Estado é incapaz de fiscalizar o problema é dele. Álias Estados que fiscalizam mal custumam gastar mal e muito (e por isso acabam por fiscalizarem ainda mais para compensar as perdas: cículo vicioso), por isso para começar a fiscalizar bem que gaste menos e que desenhe melhor os impostos.

        “É claro que o prejuízo que dão ao país as grandes empresas com esquemas tipo Holanda/Luxemburgo mais um offshore em qualquer lado é muito superior ao das pequenas, que não têm dinheiro para pagar aos diversos escritórios de advocacia dedicados a este tipo de gamanço”
        Então basta termos um nível de fiscalidade parecido com a Holanda e o Luxemburgo para não começarem a fugir. Como pode explicar que a Holanda, o Luxemburgo e a Suiça têm Estados sociais mais eficázes e justos que Portugal “apesar” de gastarem menos e cobrarem menos impostos? Porque acolhem o dinheiro dos outros? HAHAHA, sabia que na Suiça o branceamento de dinheiro é mais complicado que em Portugal? Que os corruptos que andam por Portugal nunca são apanhados pela Justiça portuguesa, mas já são apanhados pela Justiça suiça!!! Olha, hoje foi detido o Chagaev, presidente do clube de Neuchâtel, que enriqueceu na Chéchénia não se sabe como (vão ajudado pelo Presidente do país e seu amigo). Achá que em Portugal seria apanhado?

        “mas não duvido que o grande problema de produtividade de Portugal é a falta de habilitações do pequeno empresário”
        Falta de habilitações… O quê que isso quer dizer? Quer começar a fazer tirar cursos universitários a pessoas que não vão precisar de isso para nada? Ou fala de deficiência a nível de gestão e de organização. Isso é uma coisa, e mesmo assim não interessa, primeiro porque os microempresários têm negócios relativamente “simples” que não necessitam especial formação, e segundo porque se o mercado em que estão encerridos é realemente concorrencial a “falta de habilitações” é paga de uma maneira: falência. Quem gere mal em concorrência paga as consequências. Ponto final

        “cujo perfil médio se aproxima do sucateiro agora em julgamento”
        E o sucateiro existe porque tinha negócios com o… Estado! Mas que surpresa!!!

        “tal como o défice estrutural da economia tem um nome: fuga aos impostos.”
        Pff, o défice das contas públicas tem andado em média desde o 25 de Abril nos 5% do PIB. Actualemente significaria um valor de cerca de 8,5 mil milhões de euros, se a diferença fosse só impostos não pagos. Supondo que as empresas burlasem todas a mesma quantia significaria que por ano cada uma roubava 24285 euros. Por habitante signficaria 801 euros (sabendo que todos portugueses pagam em média 6415 euros por ano de impostos). Está a ver a incorrência.
        Os problemas estruturais de Portugal são a despesa pública excessiva, um endividamento enorme, falta de productividade e de competitividade.

        PS: você é racista?


        • Então era assim: não se pagava o raio dos impostos e éramos todos muito felizes.
          As grandes empresas não ficavam com a mama directa do estado, e as pequenas seriam muito felizes.
          O problema é o raio do estado que não faz o seu trabalho, Ou sermos a Holanda, o Luxemburgo.
          As suas contas, meu caro, e não é de uma forma grosseira mas infelizmente muito realista que lho digo, é exactamente o nosso problema: empresários sem formação. No Luxemburgo, antes de registar uma empresa teria de mostrar diplomas em gestão, ou fazia um aninho de formação. Nesse Luxemburgo que também me serve de demonstração, empírica é certo, para a afirmar que a falta de produtividade nacional se deve sobretudo a um excesso de micro e mui pequenas empresas, pelo pior motivo: abrem um negócio e não têm capacidade de entender o mundo onde vivem.
          Voltando atrás: é por isso mesmo que o trabalhador em Portugal não pode fazer greve, porque para o patrão é uma ofensa pessoal, e não a coisa mais natural do mundo em democracia.
          Ou como me contava um amigo, empresário, quando instalo um equipamento informático, normalmente à pala de um subsídio, a primeira coisa que os gajos me pedem é onde está A Bola. O patrão, os empregados depois, às escondidas, também a vão ler.

          • Guillaume Tell says:

            Pronto aqui temos a prova que o senhor não contente de ser de uma parcialidade enorme é também de um racismo primário.

            Mas quem é você para julgar empresários que não recebem apoio nenhum do Estado, não são protegidos por ninguém? Meu senhor, em todos os países do mundo, digo bem todos mesmo no Luxemburgo, os micro e pequenos empresários tenderão a serem mais “burrinhos provincianos que os verdadeiros empresários” como o senhor insiste em os descrever. Por uma razão muito simples, é porque o tipo de negócio em que andam a maioria dos micros-empresários são negócios governados pelo facto preço, como tal não é necessário grande formação. Além disso, ainda bem que haja microempresários, gente com coragem de tentar uma aventura empresarial, gente que se constrói sozinha, gente que crie emprego. O problema não é haver microempresários há mais, é eles serem uma necessidade. É de gente assim que o país precisa, e não de grandes intelectuais moralistas ou de gestores formados nas grandes unversidades mas sem formação na vida.

            Acha que quem construiu o mundo foram esses grandes gestores bem formados? Esse pessoal só é bom para grandes empresas. Não são eles que fazem, montam empresas. Se desde a Idade da Pedra tinhamos de esperar que termos gestores formados à previsão das flutuações do mercado do mámute, ou à comptabilidade dos frutos silvestres nunca teriamos evoluído.

            Essas pessoas essenciais, esses “microempresários a mais” como insiste em os qualificar, são a consequência de um mercado desorganizado por intervenções falhadas de um Estado incompetente e paternalista. O que permite a sobrevivência de muita gente é a existência desses microempresários. Onde é que está o vosso Estado social para essa gente? Onde está o Estado interventivo que sabe melhor o quê bom para a Economia? Nesses categórias sociais, a solidariedade é feita na base familiar e professional. Temos 800.000 pessoas que são empregues por microempresários, teria coragem de preseguir os patrões deles até ao fim e dos enviar todos ao desemprego? É sempre a mesma coisa convosco: dizeis que pensais nos outros, nos mais desfavorecidos, mas na verdade fazeis tudo para os eliminar. É SEMPRE O PEQUENO, O POBRE, O REMEDIADO, O HONESTO QUE SOFRE COM PESSOAS COMO VOCÊ!

            “abrem um negócio e não têm capacidade de entender o mundo onde vivem.”
            Você nem sequer me parece capaz de abrir um negócio e mesmo assim não entende o mundo em que vive. Olhe, esses microempresários entendem muito melhor a vida que o senhor, porque eles desenrasacam-se sozinhos, se falham assumem as consequencias, e sem tem sucesso mostram que preceberem o mundo onde vivem.

            “o trabalhador em Portugal não pode fazer greve, porque para o patrão é uma ofensa pessoal”
            Claro que nas pequenas empresas aquilo passa por ofensa pessoal! A empresa é pequena é normal que o patrão se senta ofendido pessoalemente! Este ideias feitas, racistas, podem bem ser virada ao contrário: “o patrão não pode despedir em Portugal, porque o despedimento para o trabalhador, mesmo que incompetente e ladrão é uma ofensa”. Está a ver como é fácil.
            E quem disse que em Portugal não se pode fazer greve? Quem? Os empresários protegidos do regime?

            “normalmente à pala de um subsídio”
            Porra mas a parcialidade afecta-lhe gravamente os olhos também! EU NÃO QUERO PROTECCÃO ESTATAL NENHUMA!!!
            Álias tenho a certeza que para sí quem recebe subsídio para establecer um sistema informático é um gatuno. Agora a cambada de inúteis parasitas preguiçosos que vivem do RSI já estes são santinhos!

            “primeira coisa que os gajos me pedem é onde está A Bola. O patrão, os empregados depois, às escondidas, também a vão ler.”
            E depois, qual é o mal de ler A Bola? É melhor se calhar ler a poluição ideológica presente no Público? Ou as asneiras do DE e do Jornal de Negócios? Ou ainda as Histórias da Corte de São Marino nos anos 1920 da Sábado? E mesmo que o patrão e os empregados leiam isso à escondidas o quê que você vem a fazer na história?! Se a empresa depois sofre as consequencias de não ter verdadeiros profissionais o problema é da empresa!

            Farto de ouvir pseudointelectuais me falarem da vida real! De julgarem que sabem mais que os outros, que sabem o que é bom ou mal para os outros! De se armarem em defensores dos pobres e dos esquecidos quando não passam de oportunistas que defendem somente os seus interesses pessoais e os da sua classe nojente de parásitas! Parai de me dizer o que tenho de fazer! Parai de me chatear a vida! Quereis viver do Estado num mundo sem preocupações? PAGAI-O!
            É por causa de pessoas como o senhor que a minha região foi economicamente destruída. Vós e a vossa porra dos subsídios, dos vossos planos estratégicos de desenvolvimento, as vossas formações da treta. BASTAVA DEIXAR O INTERIOR EM PAZ E TERIA-SE DESENVOLVIDO, MAS NÃO TIVESTENS DE NOS VIR A CHATEAR E A DIRIGIR POR NÓS!
            Porquê que não sois vós que emigrais? Ide para o estrangeiro onde um Estado maravilhoso e protector está a espera da vossa douta sabedória. Ide poluir outros sítios que o país. É a maior prova de patriotismo que podereis dar.

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