Com a boca na sucata

adão cruz

O jornal de Notícias traz hoje, bem escarrapachadas, as fotografias de mais dois figurões apanhados com a boca na sucata. Um deles constou durante dois anos na lista de prendas do sucateiro. O outro figura como destinatário de três cheques passados pelo sucateiro, no valor de 62.348 euros.

Com cada vez mais gente envolvida neste sujo, oleoso e ferrugento negócio, (e só aquela gente que vem à tona! ) a gente pergunta se isto será só um negócio de sucata, no habitual sentido do termo, isto é, um negócio essencialmente de coisas velhas, inúteis, em termo de vida, deterioradas, ferrugentas, apodrecidas, ou um negócio bem mais alargado e obscuro, negócio de gente sucata, de sucata humana, de gente reles, capaz de tudo, isto é, um negócio entre gajos podres, inúteis, corruptos, ferrugentos, gajos para quem a dignidade, a seriedade e a honestidade passaram definitivamente a sucata.

Desta forma, o termo sucata, querendo significar mesmo sucata, isto é, produtos que já não servem os fins para que foram destinados, mas incluindo, segundo consta, produtos que ainda não são verdadeira sucata, produtos roubados, clandestinamente adquiridos como pretensa sucata, ilegalmente transaccionados através de todas as falcatruas possíveis, não estará bem aplicado e é um tanto injusto.

Tal sucata nem sempre será mesmo sucata, e, sobretudo, não merece o nome de sucata, perante a sucateira personalidade dos vigaristas que, à custa do povo português e com a conivência dos poderes e das Administrações, fazem, à socapa, corruptos negócios milionários com a nossa hipotética sucata.

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