Que merda de país é este?

A almofada da desculpa é o ‘memorando da troika’, negociado e firmado pelo governo de Sócrates e ainda ratificado – e zelosamente excedido – pelo duo PSD+CDS, detentores do poder que nos (des)governa.

Almofada, do ponto de vista etimológico, é uma palavra de origem árabe. Nós, portugueses, e fiéis às origens do ‘al-gharb’, conservámos o vocábulo. Usamos a definição linguística e naturalmente do objecto de repouso sobre o qual descansamos e dormimos. Com menor ou menor comodidade. Tudo depende do recheio. Suma-a-uma, espuma ou outros materiais sintéticos que nos amparam ou massacram o atlas, sim o atlas, ligado ao osso hioide – fonte de inspiração, quem sabe, do conhecido “Hirudoid’.

Todavia, passou a haver outro conceito aplicado a almofada; o conceito político-financeiro, ora usado por Seguro – há almofada – ora recusado por Passos e Coelho – não há almofada.

Mais do que a oposição reclama, o importante é que o governo diz:

Não há folgas, nem almofadas

para acomodar, deduzo eu e milhões de outros cidadãos, a anulação do corte, mesmo parcial, dos subsídios de Natal e de férias nos rendimentos de funcionários e reformados da função pública, bem como de pensionistas privados em 2012 e 2013.

Hoje, acabei de saber pela SIC Notícias e Jornal “i”, o presidente da TAP, Fernando Pinto, afirmou que está a negociar com o governo uma excepção ao corte de subsídios naquela companhia que, como é sabido, é detida por capitais públicos.

Perante este mau exemplo, a que se adicionam outros do Banco Portugal (cujos funcionários se julgam acima dos direitos e deveres de outros cidadãos) e do INE, pergunto aos Senhor Presidente da República e aos Senhores Juízes do Tribunal Constitucional:

Que merda de País é este em que, sob retóricas e artifícios legais, há colonizadores e colonizados?

Politicamente incorrecto? Admito que sim. Mas a afronta, através da desigualdade no tratamento da política de iniquidade e menorização de rendimentos ditada pelo governo, é demasiado ofensiva e discriminatória para que os Senhores PR e ditos Juízes a validem. Virada do avesso, a questão é: ‘Ou há moral ou comem todos!”.

Comments


  1. O problema não se restringe a uns receberem e outros não. Quando vamos por aí já nos estamos a deixar instrumentalizar pela “verdade” que nos ditam acerca da austeridade e da maneira de “vencer a crise”.
    A retirada dos subsídios além de espartilhar orçamentos familiares é uma manifestação de miopia governativa. Retirar dinheiro dos bolsos dos consumidores vai contrair ainda mais o mercado interno. Estremando o raciocínio, o “cidadão” primeiro fica sem o 13.º mês, em seguida a empresa despede-o porque não realizou vendas suficientes para manter o porto de trabalho…
    Assim, quando entramos na querela de “uns receberem outros não” já estamos a “alinhar” na rasteira proposta.
    Se este país fosse menos manso deveria começar por se insurgir por a todos estar a ser prestado mais este mau “serviço” dum governo eleito por chamar mentiroso ao anterior e ter a audácia de conseguir mentir ainda mais, em menos tempo…

    • Slint says:

      Ora nem mais… E quando temos um ministro da economia que deu aulas numa universidade mas não consegue chegar a isso que mencionas, algo que qualquer um de nós consegue atingir, até um adolescente com o 9º ano é porque além de mentirosos somos governados por burros.

  2. Carlos Fonseca says:

    Estou de acordo com o que diz e, portanto, não distante da visão económica que expõe.
    Porém, há, neste domínio dos subsídios subtraídos, diversas perspectivas de análise. Uma é aquela que se relaciona com a actividade económica que tão bem refere e que me merece concordância. Outra é de natureza jurídico-política. Não faz sentido, num Estado de Direito e Democrático, utilizar critérios na penalização ou despenalização fiscal dos cidadãos em função da entidade empregadora. É aqui que está a “merda”. Desculpe-me a dureza do termo, mas, de facto, não consigo transigir na dispensa do palavrão. A injustiça é revoltante e provocadora.


  3. Em termos orçamentais a retirada dos subsídios não vale grande coisa. À despesa que deixa de ser feita há que subtrair a receita que não se concretiza, daí que em termos líquidos o peso orçamental desta medida pouco mais seja do que folclore. Ela apenas é tomada por uma questão ideológica que se traduz no facto do governo pretender diminuir o custo do trabalho sem mexer na TSU.


    • Sim, partem talvez da ilusão que as condições competitivas da economia se resolvem com salários baixos (ou mais baixos…). Saberão fazer contas? E a energia? E os combustíveis? E o surrealismo do sistema judicial? Para Portugal se tornar competitivo por via da redução dos salários então, em breve, os portugueses terão de pagar para trabalhar…

  4. jorge fliscorno says:

    Está claro, pelo menos, porque é que a greve na TAP foi subitamente desmarcada.

    • João Junior says:

      É preciso ser um pouco ignorante ou distraído para achar que isto tem algo que ver com a desmarcação da greve.

      • jorge fliscorno says:

        Obrigado.

        Mas como sou ignorante e distraído, diga-me porque foi desconvocada a greve.

  5. MAGRIÇO says:

    Estarei a fazer confusão ou ouvi mesmo uma notícia segundo a qual a TAP ia fechar o ano com prejuízos não inferiores a 10 milhões de euros?

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.