Desemprego: a tragédia e a epístola de Barroso a Passos

O desemprego é, de facto, das mais graves calamidades sociais nos países europeus.  O Eurostat acaba de divulgar estatísticas, sintetizadas no gráfico seguinte:

Taxas de Desemprego em Dezembro de 2011

 Eurostat_001

Obs.: * Outubro 2011     ** 3.º Trimestre de 2011

O índice relativo a Portugal (PT) atingiu 13,6% no final de Dezembro de 2011, valor que excede a previsão do Governo da média para 2012: 13,4%.

De salientar que os países sob a terapia de austeridade da ‘troika’, Grécia (19,2% em Outubro de 2011) e Irlanda e Portugal (14,5% e 13,6%, respectivamente, em finais de 2011) têm registado crescimento do desemprego; fenómeno que, de resto, é o resultado natural da insensibilidade social das políticas em vigor.

A Cimeira de Bruxelas de ontem dizia-se dedicada a uma estratégia de “Estabilidade e Plano de Crescimento Económico”. No fim de contas, os “grandes líderes” ficaram-se pela ‘estabilidade’, ou seja, pelo défice e o endividamento público. A Grécia, nesse capítulo, constituiu o problema principal, em conjunto com um ‘tratado de estabilidade intergovernamental’ firmado por 25 numa União (?) de 27 países – Grã-Bretanha e República Checa auto-excluíram-se.

Durão Barroso, embora secundarizado a torto e a direito pelo casal Merkozy, resolveu pronunciar-se, por carta a diversos primeiros-ministros, sobre o desemprego, em especial o desemprego jovem (cerca de 5.500 milhões de jovens de idade até 25 anos é a estimativa).

A epístola de Barroso pode ser consultada aqui. Tenho a noção de que pouco servirão as palavras e os préstimos de Barroso – a tragédia é enorme e impossível de resolver no tempo que os milhões de atingidos necessitam para recuperar um mínimo de dignidade de vida. Deixou-se que o drama se tenha propagado a uma escala e num tempo demasiado longo.

Há, contudo, um pormenor na carta de Barroso que me intrigou: Barroso propõe a Coelho enviar alguém de Bruxelas disposto a trabalhar na matéria com um quadro político do gabinete do PM. Então, da árdua tarefa, fica dispensado o Dr. Álvaro de Santos Pereira que, por acaso, é o Ministro da Economia e do Emprego. Curioso!

Comments


  1. Esta receita é absolutamente tóxica!

  2. José Pinheiro says:

    Não se trata da dispensa do Ministro da Economia. A UE é que não cede os tais fundos sem ter cá alguém a acompanhar a maneira como eles são aplicados

  3. Carlos Fonseca says:

    Caro José Pinheiro,
    Não se trata de quem a CE envia. Trata-se, isso sim, que da parte do governo, diz Barroso, é alguém do gabinete de Passos Coelho.

  4. Jorge Anyous says:

    Digam-me um país onde o FMI tenha entrado e as coisas tenham melhorado?
    Está tudo doido! A começar pelo povo que votou Passos Coelho que de modo frio e mentiroso fez acreditar que com a vinda destes farsolas a vida das pessoas podia melhorar.
    Com o FMI e seus amigos a receita é sempre a mesma .Miséria para a classe média. Ricos a ficarem mais ricos com as negociatas das privatizações e tachos para familiares e amigos.
    A receita é sempre a mesma.Só distingo uma coisa os que vêm de fora fazer fazer isto.E os que fazem isto ao seu próprio povo.

  5. marai celeste ramos says:

    E hoje o senhor em quem a maioria (se calhar nem foi a maioria pois a abstenção aumentou) votou disse, que 2012 ainda será mais duro – Até onde será mais duro e para quem ?? – E para cortar disse ir além da TROIKA – o azar é que o PR é da mesma cor e inumanidade do governo – a AR não pode fazer o quê ?? com aqueles grandes exemplos até da sua loira presidenta ?? Por onde poderemos agir perante este flagelo governamental ??? Pode-se usar um aviãozinho que espalha papelotes lá de cima cá para baixo e deixar S.Bento debaixo de “recados” ou não tem graça ?? E se os ricos começam a falir como Joe Berardo ?? como se faz falir um rico daqueles que não deviam ser ricos como têm sido ? Porque não nos organizamos a fazer “escambo” do que é essencial ?? e deixamos de comprar o que quer que seja excepto alimentos e o fazemos directamente ao produtor ?? O problema é que são 4 milhões afectados – quem é capaz de ter uma idéia peregrina ? Ou poderemos fazer uma “excursão” gigantesca a Berlim com 2 milhões de pessoas como se fôssemos ver um jogo de futebol e acampássemos em lugar que não é PIG ??? o Problema é que os do calor do sul não aguentam, também, o gêlo do centro-norte – Ou aguentamos ? ficar à espera e a olhar assim é que parece ser “fado” !!!
    Mais de 1500 emigrantes clandestinos morreram no mediterrâneo em 2011 – mas temos de levar os médicos connosco e polícia já agora, antes que ao entrar nesses países nos assaltem a tenda também

  6. J.Pinto says:

    O desemprego é a consequência de uma estratégia seguida. Quando alguém diz que se deve atacar o desemprego, desconfiem. Não se ataca o desemprego, proporcionam-se as condições para que haja investimento e, consequentemente, crescimento económico. Só o crescimento económico cria emprego. O crescimento económico só pode ser conseguido pelo empenho dos privados. Muita gente continua a defender que deve ser o Estado o motor da economia. Esses, têm é de arranjar dinheiro para investir.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.