Um velho caminho para CGTP

A CGTP mudou!

Uma história que vai para o terceiro acto: congresso, manifestação e greve  geral!

Carvalho da Silva foi durante algum tempo – especialmente no último mandato – um dirigente que parecia valer mais que sua organização. Talvez por isso o PCP o tenha “suportado”, até porque os estatutos da Inter resolveriam o problema.

Entrou Arménio Carlos e chegou a hora de afirmar a diferença. A estratégia política da CGTP é hoje muito clara: mostrar que a CGTP voltou à casa mãe. Mais uma Greve Geral mostra bem essa realidade onde parece haver muito pouco (nenhum!) cuidado em ouvir quem trabalha. Alguém decide, marca-se e ponto final! Um erro porque leva a única organização de trabalhadores do nosso país para um canto que não é o seu!

 

Comments

  1. marai celeste ramos says:

    No canto em que ficou mesmo encu-rralado

  2. Pisca says:

    Oh João vá dar banho ao cágado, repetir a lenga lenga já não é erro, é fixação e parvoice, por favor

    Embicou para aqui e já não despega

    Noutros sitios chama-se “crença natural”, procure que acha o que quer dizer

  3. J.V. says:

    Diz que a CGTP tem “(nenhum!) cuidado em ouvir quem trabalha.” Então as dezenas de milhares de pessoas no Terreiro do Paço, o que foi que disseram? Ou o João Paulo fundamenta melhor as suas opiniões, ou então posts deste são puro preconceito anti-sindical.


  4. Vamos lá ver então se me explico melhor, sendo que estou com dificuldade em encontrar as palavras certas, respeitando, claro, os adjectivos e rótulos que me colocam:
    1) Motivos para lutar: não faltam; importa no entanto equacionar qual é o outro caminho. Eu assino por baixo o papel que disser não é por aqui, mas não conheço nenhum outro – será que me podem apontar?

    2) Aceitando, então, que é preciso lutar contra o governo ( e eu acho q é!) temos que pensar que estratégias podemos usar para o fazer. E aqui entra a primeira divergência – não me parece que neste momento o “povo” (aquele real, não é o “militante”) esteja para fazer greves, até por questões financeiras – abdicar, nos tempos que correm, de um dia de salário é um luxo que a maioria das pessoas não pode ter. Logo, sem grevistas, não há greve. Repito – uma estratégia só faz sentido se tiver sucesso, no caso em análise, se conseguir envolver as pessoas. A Greve não o vai fazer. O que fazer então? Este era o momento da CGTP dar um sinal que queria ouvir as pessoas. Colocaria toda a sua máquina junto dos locais de trabalho, para local a local, serviço a serviço, empresa a empresa, identificar problemas, dificuldades e apontar saídas, soluções. Reparem que é a estratégia COMPLETAMENTE inversa.

    3) E há um 3º ponto – o nível de decisão em que estas coisas são decididas. A ordem de trabalhos do Conselho Nacional não tinha este ponto e nessa semana, antes do CN, houve reuniões de direcções de sindicatos da Inter que não foram informados previamente da decisão – até parece que não queriam discutir a Greve fora do núcleo restrito do Conselho Nacional onde sua “parlamentarização” torna o PCP a força maioritária. Não há mal nenhum nesta desproporção representativa – é um sinal da força do PCP junto de quem trabalha, o que não me surpreende. É até positivo que isso aconteça porque o PCP é, claramente, o partido que melhor centra as questões do trabalho na sua atividade. No entanto deveria ter o cuidado de envolver outros grupos nas discussões e acima de tudo, envolver os dirigentes de toda a máquina nos processos de discussão.
    É que depois quem tem que ir mobilizar pessoas para a greve não se sentindo envolvido, trabalha com mais dificuldades…

    Desculpem o testamento, mas espero ter contribuído para a continuação do debate.
    JP

    Quanto ao rótulo ANTI, não é rigoroso!

  5. mortalha says:

    vai ser uma greve para sentir o pulso.. aos protestos e à polícia.

  6. MAGRIÇO says:

    Resumindo a opinião e as explicações do autor: deve lutar-se contra o governo porque sim, mas ele não gosta das greves porque não.

  7. João Paulo says:

    Magriço, não foi bem isso que escrevi, mas sempre estive de acordo com a ideia de que o leitor é que faz o texto. Continuo completamente convencido que esta greve foi marcada por motivos diversos dos que justificariam a sua marcação – trata-se de mais uma etapa na afirmação de um Secretário Geral. Nada mais.


  8. “Colocaria toda a sua máquina junto dos locais de trabalho, para local a local, serviço a serviço, empresa a empresa, identificar problemas, dificuldades e apontar saídas, soluções.” Para isso é que a CGTP (e qualquer outro sindicato) tem o que se chama de Comissão de Trabalhadores. Como tantas sugestões sobre o que a CGTP deveria fazer (apesar de já ter feito), de certeza que o João Paulo está por dentro do assunto, e participa activamente na sua comissão de trabalhadores, correcto?


  9. JV – exactamente! Parte MUITO significativa da minha vida é dedicada ao sindicalismo!

  10. MAGRIÇO says:

    Caro João Paulo, é claro que tem todo o direito à sua opinião e cada qual escolhe livremente a sua forma de estar e viver em sociedade, mas – segundo conclusão tirada pelo que aqui tenho lido – quer-me parecer que está ligado ao ensino e, consequentemente, não estará propriamente no rol dos iletrados, pelo que se torna muito mais difícil para mim compreender esta sua sanha anti-sindical (peço desculpa se estou a ser injusto, mas é o deixam transparecer as habituais cruzadas contra o movimento sindical), uma vez que também estará eventualmente dependente da uma actividade profissional. Como não acredito que esteja a colocar qualquer ideologia acima das realidades sociais com que se debatem as hostes trabalhadoras deste e doutros países – nas quais presumo que esteja incluído – tenho grande curiosidade em perceber o que o motiva. Creia que esta minha curiosidade é um mero exercício de interesse psicológico.


  11. Meu caro magriço, ” sanha anti-sindical”? Então agora não estar de acordo com a Direcção de uma organização é ser anti? Não me parece. Antes pelo contrário. Porque reconheço e valorizo o trabalho da INTER, sinto o dever de dizer que não estou de acordo com este caminho, que entendo não ser o adequado. Já apresentei num comentário anterior (3 pontos) as minhas ideias . Não me move nada mais – poderia até trazer ao comentário outros interesses, nomeadamente partidários, mas até esses já não são hoje o que eram ontem… Abraços, JP

  12. Dora says:

    #7,

    “Continuo completamente convencido que esta greve foi marcada por motivos diversos dos que justificariam a sua marcação – trata-se de mais uma etapa na afirmação de um Secretário Geral.”

    Não tenho nada esta ideia.

    São lideranças diferentes.

    Também não acredito que uma organização sindical como a CGTP não oiça quem trabalha.

    Parece-me é que os problemas que todos vamos sentindo são sentidos diferentemente por quem trabalha e em que sector trabalha.

    O que quero dizer é o seguinte: há quem já tenha perdido tudo ou quase tudo e há quem não tenha perdido ainda tudo. E ainda há os que trabalham que pensam que talvez ainda não tenham perdido tudo e que possam recuperar o que perderam nos tempos vindouros.

    É uma confusão. Eu sei. Por isso é difícil a mobilização.

    Dou um exemplo: Ensino. Os argumentos para não se fazer greve são conhecidos:

    – há testes marcados
    – não posso perder um dia de salário
    – a greve não resulta em nada
    – não faço greve à 6ª feira porque depois dizem que nós queremos é fim de semana prolongado
    – não faço greve à 2ª feira porque depois dizem que nós queremos é prolongar o fim de semana
    – não faço greve às 3ª, 4ª e 5ª feiras porque queria às 6ª ou 2ª feiras e o sindicato vai atrás da opinião pública e isso eu não admito
    – só farei greve quando todos os dirigentes sindicais passarem a dar aulas, para saberem como é

    Depois há os que querem que sejam propostas outras formas de luta alternativas à greve. E, enquanto isso não acontecer, não fazem nenhuma. Só que, infelizmente, a participação nas decisões é nula ou quase nula e debate-se “from the confort of the sofa, online”

    Voltando à questão inicial, não, não entendo que seja tudo para marcar uma nova “liderança” à frente da CGTP.

    Mas estou de acordo que, antes de se decidir por uma greve, se devem ponderar várias variáveis sob pena de se ficar isolado.

    E isso não é nada bom para quem trabalha e está na situação em que se encontra.

  13. João Paulo says:

    Este é o ponto – “Mas estou de acordo que, antes de se decidir por uma greve, se devem ponderar várias variáveis sob pena de se ficar isolado.” E não é o Arménio Carlos, sindicalista e cidadão que vai sozinho mobilizar, pois não? Pois então tem que haver a capacidade de envolver mais gente na reflexão anterior às decisões. Depois, um segundo ponto para dizer que há andamentos muito diversos no que aos sectores diz respeito. Estou de acordo com isso – mas então a GREVE só vai ser um fracasso na Educação? Falou-se em 300 mil, número que tenho dificuldade em aceitar, mas ok, vamos aceitar – perante o quadro que temos no país, estamos a falar de quê? No ensino estiveram na rua mais de 50% da classe – nessa altura poderíamos ter dito que aquela manif era representativa… O país inteiro só conseguiu o dobro dos profs? Percebe a ideia? É que não me parece que o contexto esteja para a GREVE GERAL e espero estar claramente enganado. Estrategicamente não a entendo e penso que as opções deveriam ser outras.

  14. Dora says:

    “Pois então tem que haver a capacidade de envolver mais gente na reflexão anterior às decisões.”

    Entendo o seu ponto de vista e estou de acordo consigo.

    Mas há sempre outro lado da questão: e quanto mais tempo vai ser preciso para se estar mais envolvido na reflexão e para se agir?

    Será que, por exemplo, os desempregados da construção civil (todos os dias mais umas centenas para o despedimento, com salários em atraso ou em layoff) vão ter de esperar pelas Doras e João Paulos deste país até que cheguem a alguma conclusão sobre as formas de luta?

    Ainda hoje um dos representantes dum sindicato da construção civil alertava para a situação social grave neste sector.

    A pergunta é, e espero também estar claramente enganada, e nós ficamos à espera para ver se vamos ou ficamos?

    Complicado.

  15. João Paulo says:

    A questão é delicada, assumo! O que espero, sempre e em qualquer processo é perceber o que se ganha e o que se perde. Nesta GREVE dou como certo vitórias nulas e corremos o risco de perder TODOS os que forem à luta.
    Nota biográfica sem interesse: desde que trabalho, nunca falhei uma greve para a qual tenha sido convocado e em muitas delas até votei contra a sua realização.

  16. MAGRIÇO says:

    Caro João Paulo, registo com agrado o seu último parágrafo em #15.


  17. Meu caro Magriço, sou dos que acha que as coisas se mudam por dentro, mas sou dos que também pensa que o Centralismo Democrático é uma boa forma de gestão dos colectivos. É verdade que o PCP o assume e pratica, enquanto os outros o praticam, sem assumirem. A única coisa que faço, é dizer e escrever o que penso depois de já o ter feito internamente. Ou seja, não desapareço porque uma maioria dominante decide de um determinado modo. Posso estar errado, mas…
    JP

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