A Gente não Lê


Há canções que provocam em mim sensações e sentimentos difíceis de explicar. Há canções que me fazem chorar e esta é uma delas. Não sei se é da letra, da música ou da voz de Isabel Silvestre, mulher de têmpera de Manhouce e uma das mais valorosas portuguesas.
Lembrei-me dela, hoje, em conversa com um grande amigo. Porque como ele dizia, e com toda a razão, «tenho inveja dos meus antepassados que se regiam por relógios biológicos. Deitavam-se quando escurecia, acordavam com o sol nascente. Não liam nem escreviam e as únicas coisas que os preocupava era se havia demasiado calor ou demasiada chuva.»
Com toda a razão, digo eu, mas e a alternativa? O amor e uma cabana?
Neste dia, que não devia fazer sentido, dedico-a às 8 mulheres da minha vida.

Comments


  1. Sim, o grande amigo terá razão. A ignorância e a biologia são abençoadas. Malditos somos nós todos, os elaborados.


  2. o tal relógio dificilmente é biológico…astronómico quanto muito…

    é da nossa biologia de mamíferos sem pelos e sem protecção solar no demónio do meio-dia fazermos sestas (não sextas ou cestas) períodos de dormênciA intermédia

    e pelo tamanho da órbita somos animais semi-crepusculares ou seja activos antes do acender do soli mio…isse é que é biológico

    bioquímico seriam os níveis de serotonina …deitar ao sol-pôr é cultural

    as fogueiras provam que superámos a bioquímica do sono induzido há 500 mil anos
    inda num havia Homo sapiens sapiens


  3. Andas muito poético! 🙂 mas sim, tens razão. Esta música é particularmente sentida. Sobretudo para quem conhece o sofrimento das aldeias e do interior.


  4. as aldeias sofrem?

    é a crise até o granito e o xisto choram

    é um tempo de prodígios

  5. Noémia Pinto says:

    Obrigada, meu amor, pela parte que me coube desta dedicatória. Creio que se fosse hoje, o meu quinhão seria maior.

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